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Use e jogue fora

Walcyr Carrasco, o novelista global que também é jornalista e cronista da Revista Época, comenta esta semana sobre “use e jogue fora”, com relação a conserto de eletrodomésticos. Ele conta, em seu texto, que mandou consertar um videocassete e o preço, cerca de 25% do valor e isto me fez voltar ao tempo, em parte muito distante e em outra parte há alguns meses passados. No passado, ainda aí na terrinha, meus aparelhos eletrônicos estavam sempre em pane, o Miguel Magaldi, meu anjo da guarda para estes assuntos, dizia que o motivo de tanta queima ou estrago era a instabilidade da energia fornecida pela Força e Luz, depois Celf, Cerj, etc e tal, mas sempre resolvia as questão em minutos. O Miguel Magaldi era um gênio, destes que a gente só vê de quanto em vez por aí afora. Mais um tempo e entrei na era do rádio de pilha, fanático por futebol e com o radinho de pilha sempre debaixo do travesseiro nos jogos noturnos, semana sim e semana não lá estava eu na oficina do Zé Viana procurando...

Saudade é coisa do passado?

Hoje, pela manhã, abri um dos elementos da rede social, o Facebook, e deparo com uma mensagem de um velho amigo e conterrâneo pedindo para eu enviar um e-mail para um parceiro, que não vejo há mais de trinta anos, para que possamos marcar um encontro, em Niterói, para matar a saudade.  Fiquei feliz momentaneamente. Fiquei sem palavras para responder e não sabia o que dizer neste momento. O que faria você, caro leitor, se alguém te convidasse para ir a uma outra cidade, para ver um companheiro distante e ausente da “terrinha” por longos e longos anos? Não sabe? Eu também não sabia o que fazer, mas pensei bem e decidi em apenas cinco minutos. Não enviei o tal e-mail para o conterrâneo distante e ausente, enviei resposta ao amigo presente e que sempre marca presença aí na “terrinha” dizendo que era bem melhor a gente se encontrar no jardim de Miracema, sentarmos ao banco em frente a Fonte Luminosa e ver, de pertinho, o Jardim de Infância e o Rink tão saudoso do moço distante....

De bar em bar a prosa continua

As vezes penso em não continuar com minhas retrospectivas futebolísticas neste nosso encontro aqui no Dois Estados. As vezes me sinto repetitivo, chato e até mesmo insistindo em um assunto que já foi tratado por aqui dezenas de vezes. Porém, tem sempre um porém, a cada viagem e a cada conversa de botequim na terrinha me trazem motivos para continuar contando nossos causos e lembrando de nossos craques. Fernando Nascimento, meu poeta favorito, desfilava seus novos versos e soltava a voz com suas canções enquanto a gente falava da bola, dos nossos rachas no ginásio ou no “buraco da égua”, que nos colocava em forma para enfrentar os jogos com a camisa do Alvorada. No que alguém, que passou pela mesa e falou sobre a minha coluna sobre a Família Souza, o Fernando me fez lembrar da família Nascimento, não seus parentes, mas a que reuniu craques da bola entre todos os irmãos. Eu comentei sobre a astúcia do artilheiro Careca (Sérgio Roberto), a velocidade do Bilu, a técnica do Ney e a ...

O pior Flamengo de todos os tempo

A semana foi de comparações entre os piores elencos do Flamengo nos últimos anos e, este de hoje, entra na disputa com o de 1971, dirigido por Yustrich, para saber qual o pior de todos os tempos. Eu, cá prá nós, estou em dúvida. Vi os dois em ação e creio que o deste ano leva desvantagem porque foi criado na era da modernidade, dos empresários bem sucedidos, financeiramente falando é claro, e da mídia farta e a favor. Yustrich daria outras instruções para o time de Joel Santana, como, por exemplo, ao Magal, lateral esquerdo que com o treinador mineiro seria um ponta direita, ao estilo de Caldeira ou Tião, protegidos do “Homão”.  - Magal, vai no fundo e faz a cavadinha para o Vagner Love! Gritaria Yustrich. E se Joel Santana fosse treinador daquele medíocre time de 1971 o que faria o Natalino? - Fio, meu filho, você é meu xodó e meu garoto de confiança, faça seu jogo e vá lá e arrebente, eu confio em você, meu filho! Diria Joel no vestiário antes de seu time entrar em c...

Copa do Chile - republicada a pedidos

Esta copa teve um grande significado para minha cidade, Miracema, no noroeste do Estado do Rio de Janeiro. Pela primeira vez eu ouvi histórias de um torcedor brasileiro presente no local da competição, Seu Felisberto, um abastado comerciante da cidade, viajou para o Chile para ver de perto o escrete canarinho, que tinha entre suas estrelas vários jogadores do Botafogo, paixão do Seu Felisberto. Garrinha, o grande ídolo, estava em grande fase e por isto o conterrâneo gastou um pouco de seu dinheiro para voar nas asas da Panair do Brasil, como gostava de dizer. Seu Felisberto contava que ficou hospedado no mesmo hotel em que estava Elza Soares, a grande musa de Garrincha, que a visitava praticamente todos os dias e, claro, eram encontros sempre às portas fechadas e sem hora para terminar. “Como é que aquele camarada pode atuar tão bem naquela copa”, dizia Seu Felisberto, que logo depois completava o seu raciocínio sobre o gênio das pernas tortas. “Também, com um mulherão daquele a ...

A Praça Dona Ermelinda

Ali, conta a história, começou tudo. O filho queria ser Padre e conversava longamente com a mãe sobre o assunto, mas a poderosa Ermelinda, como diz o Fernando Nascimento em seu samba exaltação, queria uma prova do amor do filho pelo sarcedócio, o que nunca ficou comprovado e, isto ninguém irá contar, o garoto ou rapaz, como queiram, sumiu sem deixar vestígios e Dona Ermelinda fez a doação de parte de suas terras para o vilarejo que começa a nascer ao redor da Igreja Matriz de Santo Antônio dos Brotos. Viu, parece que sei alguma coisa sobre o início de nossa história, parece apenas, pois o que sei foi contado por amigos e lido em poucos livros que falam sobre o assunto. Mas de uma coisa podem ter certeza, a Praça Dona Ermelinda eu conheço como ninguém. Ali fiz de tudo que um miracemense podia fazer.  Cantei em programa de calouros, com o grande Mocinho apresentando em um caminhão. Era Festa de Santo Antônio, fui primeiro lugar na categoria mirim, me lembro do premio, um co...

As "Ferinhas do Nézio"

Há algum tempo venho prometendo contar por aqui as belas jornadas das “Ferinhas do Nézio”, meninas maravilhosas e seu fantástico treinador, que fizeram história no basquete do interior fluminense nas décadas de 70 e 80, conquistando todos os títulos possíveis ou em disputa. Marquei com Rosa Rizzo um papo, mas as minhas idas e vindas não batiam com a disponibilidade dela. Tentei conversar com a Diva, irmã da craque Fátima Barros, mas também não consegui agendar um tempo para o bate papo.  Parece até que estas meninas são ocupadas demais ou meu tempo em Miracema é muito curto. Nada disto. Quando por aqui chego, diz o Zé Luiz da Silva, o meu repórter de Categoria, me perco nos papos das esquinas e dos butecos e me esqueço de tudo aquilo que programei. Verdade, e nisto aí o José Souto, o Renato Caveari e o Ademir Tadeu têm culpa no cartório, o bom papo do trio sempre me faz perder a agenda do dia. Já me encontrei com a Sônia, filha do professor Nézio, que também foi craque no es...