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Use e jogue fora


Walcyr Carrasco, o novelista global que também é jornalista e cronista da Revista Época, comenta esta semana sobre “use e jogue fora”, com relação a conserto de eletrodomésticos. Ele conta, em seu texto, que mandou consertar um videocassete e o preço, cerca de 25% do valor e isto me fez voltar ao tempo, em parte muito distante e em outra parte há alguns meses passados.

No passado, ainda aí na terrinha, meus aparelhos eletrônicos estavam sempre em pane, o Miguel Magaldi, meu anjo da guarda para estes assuntos, dizia que o motivo de tanta queima ou estrago era a instabilidade da energia fornecida pela Força e Luz, depois Celf, Cerj, etc e tal, mas sempre resolvia as questão em minutos. O Miguel Magaldi era um gênio, destes que a gente só vê de quanto em vez por aí afora.

Mais um tempo e entrei na era do rádio de pilha, fanático por futebol e com o radinho de pilha sempre debaixo do travesseiro nos jogos noturnos, semana sim e semana não lá estava eu na oficina do Zé Viana procurando socorro para as quebras dos meus radinhos, frágeis e já naquele tempo descartáveis.

O novelista diz que não vale a pena consertar, vou, mais abaixo, concordar com ele, mas naquele tempo de vaca magra, bota magra nisto, não tinha jeito e pedir socorro ao Miguel Magalde e ao Zé Viana era tão normal quanto ir a padaria do Adelino levar os bolinhos para assar e voltar comendo um pão de milho.

O tempo passou e por aqui, em Campos, cheguei e não encontrei os meus anjos da eletrônica e o resultado foi desastroso. Pagava caro por um conserto e não conseguia um profissional decente, como os dois amigos da terrinha, e me via sempre enganado e perdendo dinheiro a rodo. 

Isto foi acontecendo até que um dia, necessitando de um rádio com urgência para ir trabalhar em um jogo noturno, no Estádio Ari de Oliveira e Souza, fui a oficina e pedi para o moço arrumar meu Mitsubishi, presente do meu tio Clery, e o cara me cobrou um preço absurdo para consertar. 

Sai dali e fui até a Arapuã, ainda existia esta rede de lojas, perguntei quanto custava um semelhante e o vendedor me veio com um igual, um Mitsubishi moderno e igualzinho ao que estava lá na oficina e o preço, acreditem, menos cinco reais do que o conserto.

Voltei até lá e perguntei ao moço: - Quer comprar o meu radinho? Ele disse que poderia pagar apenas dez reais por ele. - Fechado. Vendi por dez pratas o velho rádio e com defeito e voltei a loja e paguei quinze pelo novo.

Então, daí prá frente, jamais voltei a uma oficina para consertar qualquer coisa que seja. No último mês do ano passado, já chegando o Natal, minha tevê queimou e fui procurar a oficina só para saber o quanto custaria o serviço. Fiz as contas, o orçamento beirou a casa dos mil reais, e resolvi comprar uma nova, por mil e duzentos, em dez vezes, e presenteei meu instalador de antenas e quebra galhos para o serviço televisivo com uma TV LCD 42” queimada, que ele mesmo arrumou e está funcionando até hoje.

Então, Walcyr Carrasco, o senhor está completamente certo e mandando recado correto para seus leitores e seguidores nas redes sociais. Não conserte nada, compre um novo e serás muito mais feliz. 

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