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De bar em bar a prosa continua




As vezes penso em não continuar com minhas retrospectivas futebolísticas neste nosso encontro aqui no Dois Estados. As vezes me sinto repetitivo, chato e até mesmo insistindo em um assunto que já foi tratado por aqui dezenas de vezes. Porém, tem sempre um porém, a cada viagem e a cada conversa de botequim na terrinha me trazem motivos para continuar contando nossos causos e lembrando de nossos craques.


Fernando Nascimento, meu poeta favorito, desfilava seus novos versos e soltava a voz com suas canções enquanto a gente falava da bola, dos nossos rachas no ginásio ou no “buraco da égua”, que nos colocava em forma para enfrentar os jogos com a camisa do Alvorada.


No que alguém, que passou pela mesa e falou sobre a minha coluna sobre a Família Souza, o Fernando me fez lembrar da família Nascimento, não seus parentes, mas a que reuniu craques da bola entre todos os irmãos.


Eu comentei sobre a astúcia do artilheiro Careca (Sérgio Roberto), a velocidade do Bilu, a técnica do Ney e a mistura de velocidade e técnica do Hélio, porém, tem sempre um porém, como em cada uma das famílias de craques um sempre desponta, eu e Fernando concordamos que Cleto era o craque maior e o mais completo da família.


Vi alguns jogos do Cleto, joguei com o Bilu e o Careca e muitas peladas no ginásio contra e a favor do Hélio, mas confesso que o futebol do meia, tranquilo e sereno, se destacava muito além do normal. A família sempre se destacou no esporte e o Careca, como já disse acima é o Sérgio Roberto, também foi um ótimo jogador de basquete e um saltador de qualidade.


No dia seguinte, proseando com o Dequinha e seus irmãos ali nas proximidades do Campo do América, uma pergunta ficou no ar: Quem foi o melhor da família Souza, o Ademir ou o José Augusto? 


Quer saber minha resposta, meu caro Dequinha: Não darei, ficarei com a imagem do zagueiro espetacular, que foi o Zé Augusto, e do gênio que foi o Ademir no meio campo.Tá bom prá você?


Mas nem sempre estes encontros são só alegria, temos os momentos de tristeza e de recordações. O Edivaldo José, irmão do meu ponta esquerdo preferido, o Pintinho, me fez recordar grandes gols oferecidos pelo saudoso amigo pelo lado esquerdo do campo e do Nenenzinho, outro que é saudade, pelo lado direito do gramado. 


Estes dois foram perfeitos nos lances pelas extremas e no meio da área tinha sempre um artilheiro para complementar. era cruzar e botar nas redes adversárias, principalmente quando a gorduchinha chegava pelo alto, bem lançada, para a cabeçada mortífera do Careca ou pela entrada raçuda do Edil.


Viu só, não adianta o cronista tentar mudar o tema ou fugir do compromisso de narrar as peripécias dos meus contemporâneos aqui no encontro semanal no Dois Estados, sempre terá um a me cobrar um pitaco a mais sobre os grandes nomes do nosso futebol


No sábado, antes, durante e depois dos jogos da rodada do Brasileirão, o papo ali no Bar do Cabeção a conversa também rendeu bons comentários sobre o tema e o Fuca me fez voltar ao tempo lembrando dos amigos Sebastião, Jorge e José Augusto, o trio de Poyes, que fazem parte da geração formada pelo Bitico e pelo pai deles, o Juvenal Parente, que um dia já foi destaque aqui no nosso Papo de Bola.


Viú só? Não dá para não comentar. 

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