Pular para o conteúdo principal

Dançando em Cracóvia

  

Leste Europeu, primavera mais fria dos últimos 40 anos, e já estávamos há quase dez dias rodando pelas estradas e era preciso um pouco de diversão. 

 Saímos à noite, um frio de menos três graus e um belo progama nos esperava em uma casa simpática, acolhedora e ao chegar eu comentei com Marina e o Chico, que estavam à mesa comigo. 

- Hoje será uma grande noite, a música e a dança polaca me faz voltar ao tempo de Miracema e as audições da professora Onidéia, onde eu, por várias vezes, dancei as músicas de vários países em shows ensaiados por ela. 

E depois de alguns vinhos e algumas danças dos bailarinos poloneses, veio a surpresa da noite. O guia perguntou quem queria dançar com eles, lá no palco, e o Chico, que já ouvira meus causos de dançarino, disse alto e em bom tom:  - Chame o Dutra, ele está contando que sabe dançar a polca. 
E fui, sem medo de ser feliz. Dancei, segundo a polaca que fez par comigo, maravilhosamente bem e dei o meu show particular, fui aplaudido e pediram bis, e eu, polidamente recusei para não pagar mico na segunda chance. 


E aí, em conversa entre eles, lá nos bastidores, os dançarinos resolveram em surpreender e, com certeza surpreenderam, me chamaram de volta ao palco e tocaram uma polca mais alegre, mais movimentada e, se eles pensaram que iriam me derrubar se estreparam, novamente surpreendi a todos, inclusive a mim mesmo, e, com a mesma polaca da música anterior, deslizamos pelo palco como dois dançarinos profissionais. 

Foi um barato, gostei demais e sequer sabia que Marina estava fotografando e filmando tudo aquilo, e o Chico, aplaudindo de pé, dizia que queria me ver dando vexame porque eu falava demais em Miracema e na nossa velha tradição de excelentes dançarinos, e o cearense teve que me engolir. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Momentos inesquecíveis/Bola de Ouro

  Essa Bola de Ouro de 1987 não é apenas uma lembrança. É um pedaço da história do rádio esportivo brasileiro, e mru nome está lá, entre tantos gigantes da comunicação! Agora essa recordação ganhou a moldura que merece. E nosso baú de memórias continua crescendo. Ainda temos muita história para contar e muita emoção para reviver! ❤️🏆

O CENTRO HISTÓRICO DE MIRACEMA

O que é um centro histórico de uma cidade? É tudo aquilo que um dia foi história e, certamente, onde tudo começou. Correto. Então o centro histórico de Miracema seria na Praça Dona Ermelinda e seu entorno? Certo? Não. Pelo menos no ponto de vista de algumas pessoas da cidade o Centro Histórico é tão somente a Rua Direita, que anos atrás era o pulmão do município e hoje, infelizmente, o que resta são os poucos casarões que embelezam a atual Rua Marechal Floriano. Em coluna especial, no meio deste ano, sugeri que este nome, Marechal Floriano, fosse retirado e que a Rua Direita se dividisse em quatro partes, cada uma levando o nome de um dos heróis da emancipação, ou seja, “Os Quatro Diabos”. Uns gostaram e outros me criticaram, mas é apenas uma opinião de um miracemense ausente e você pode ter a sua que não contestarei em hipótese alguma. O centro histórico não tem mais os bazares, como a casa Cacheado, os armazéns, como o do Seu Pinheiro, as sorveteiras, como a do Abdo, os bares, como ...

A saideira que não aconteceu

  Hoje seria nossa despedida de Belém.  Seria. Fomos obrigados a abortar o passeio de dois dias à Ilha de Marajó, reflexo ainda da queda em que conheci, literalmente, o chão de Alter do Chão. Não me sinto seguro para me aventurar pelas águas amazônicas ou pelas terras de Marajó. Ficará para outra oportunidade. Mas Belém ainda tinha muito a nos mostrar. Hoje fomos ao Mercado Ver-o-Peso para saber o quanto pesaria, em nosso roteiro, aquele lugar tão famoso instalado às margens da Baía do Guajará. E minha impressão é de que realmente merece nota máxima, embora ainda precise de alguns retoques em seu ambiente. Foi uma manhã inteira girando por lá. Comprinhas de lembranças, observação de uma mistura interessante entre o antigo e o moderno, contato com o artesanato regional e, principalmente, a oportunidade de sentir de perto o calor humano do povo paraense. Eu e Marina vimos também a nossa primeira chuva da tarde em Belém. E foi de dentro de um táxi. Durante uns quinze minutos...