Lembro-me de como o Big Brother nos é apresentado: uma montra de vidas editadas, dramas efêmeros e a torcida nervosa por quem pouco conhecemos.
Eu olho para isso e sinto a distância de um abismo geracional.
O meu "BBB" sempre foi outro. O meu reality show favorito sempre teve uma trilha sonora imbatível: as guitarras de Harrison, o baixo de McCartney, o arranjo orquestral de um sucesso do Roupa Nova ou o sotaque apaixonado de um Rei que embalou nossos primeiros beijos no Aero Clube.
O baile de 13 de outubro de 2012 não foi apenas uma reunião social; foi um experimento de contra-fluxo. Enquanto o mundo lá fora se dividia entre seguidores de perfis digitais, nós voltávamos para a fisicalidade da existência.
É estranho pensar que, para muitos hoje, a nostalgia é um produto consumido através de uma tela. Para nós, em Miracema, a nostalgia foi suor no rosto, calçado confortável e a urgência de segurar a mão daquela pessoa que partilhou conosco os sonhos dos anos 50 e 60.
Rever Eliane foi como folhear um livro antigo cujas páginas, apesar do amarelar do tempo, continuam contendo a mesma essência.
Não importa que as juntas estivessem um pouco mais travadas ou que a respiração pedisse clemência nos ritmos mais frenéticos de Creedence. Naquele salão, o esforço era puro deleite.
Muitas vezes me perguntam se o sentimento que resta agora, anos depois, é de tristeza pela finitude daqueles encontros. A minha resposta é invariavelmente não. Existe uma serenidade curiosa no fato de sabermos que "Miracemense ausente" não é apenas quem mudou o CEP de sua casa. É uma condição da alma. É a música que, como bem defini na nota daquela crônica, continua ecoando dentro do peito, independentemente de onde o GPS marque que estamos.
Os encontros mudaram de roupagem. O baile clássico tornou-se o abraço fugaz nas festas de maio, entre um gole de café e um papo apressado sobre as novas vidas. Mas, à noite, quando o silêncio se instala e a tecnologia finalmente descansa, eu coloco uma música daqueles anos dourados para tocar.
É aí que o salão do Clube XV se ilumina novamente. Eu vejo os rostos de Celestino, de Vânia, de Cremilda, e de tantos cujos nomes, mesmo quando o papel é insuficiente, não deixam de ocupar um lugar privilegiado na prateleira das minhas lembranças. A saudade, essa intrusa maravilhosa, levanta-se, veste seu melhor traje e convida o coração para dançar.
Não, não estamos tristes porque o tempo passou. Estamos inteiros porque fomos os protagonistas daquele filme que nenhum canal a cabo conseguiu replicar.
Aquela noite de 2012 não acabou.
Ela apenas mudou de lugar e foi morar, em caráter definitivo, no registro mais profundo do que significa, de fato, estar vivo.


Comentários