Pular para o conteúdo principal

Em Miracema ou no Cinema


 

             A NOITE EM QUE A SAUDADE DANÇOU EM MIRACEMA

Baú do Penacho — 13 de outubro de 2012

Tem gente que gosta do Big Brother Brasil, torce pelos participantes, faz apostas e comemora a vitória de seus preferidos. Tem gente que curte os brothers das aventuras e das baladas.

Eu, particularmente, sempre fui dos Beatles, Rolling Stones, Bee Gees, Creedence Clearwater Revival, Roupa Nova, Erasmo e Roberto Carlos.

Tem gente que mata a saudade numa mesa de bar. Outros preferem encontrá-la numa pista de dança.

Eu gosto das duas coisas.

E foi justamente numa pista de dança, no Salão Nobre do Clube XV, em Miracema, que vivi uma daquelas noites que a gente gostaria de guardar num frasco, fechar bem e abrir de vez em quando, apenas para sentir novamente o perfume da felicidade.

Era sábado, 13 de outubro de 2012.

No palco, o conjunto The Brothers, nome que atravessou gerações e embalou os sonhos de tantos jovens da minha época.

Na pista, uma turma que já não tinha a mesma disposição dos anos 60, mas conservava intacta a vontade de dançar, abraçar e recordar.

Olhei para um lado e encontrei Eliane Tostes Cardoso, minha primeira parceira nas danças do Aero Clube, quando nossos pais nos levavam a tiracolo para os bailes.

Olhei para o outro e lá estava Geraldinho Silveira, o China, acompanhado dos irmãos, procurando uma boa conversa sobre aqueles tempos que pareciam tão distantes.

E a conversa veio, naturalmente.

Nos intervalos da música, as histórias se multiplicavam. Uma lembrança puxava outra, um nome trazia outro, e cada abraço parecia diminuir a distância entre o presente e a juventude.

O coração? Ah, o coração passou na prova de esforço!

Peço desculpas aos amigos que não consigo citar. Não é esquecimento de carinho, apenas falta de espaço para tanta gente querida.

Mas não poderia deixar de lembrar Celestino e sua Vânia, Cremilda Tostes, que nos deu o prazer de sua companhia à mesa, e tantos outros que fazem parte de minha vida desde os anos 50 e 60.

Gente que conheceu uma Miracema diferente, quando os bailes eram acontecimentos esperados durante semanas e uma música podia marcar o início de um namoro, de uma amizade ou de uma história para a vida inteira.

Mas eu havia prometido falar do baile!

E que baile, meus amigos!

Queria encontrar palavras para descrever o que aconteceu naquela noite. Queria contar a alegria estampada nos rostos, a emoção dos reencontros, a disposição dos dançarinos e a qualidade do repertório.

Mas há momentos que não cabem numa crônica.

Beatles no palco, loucura na pista.

Creedence no palco, explosão na pista.

Bee Gees no palco, emoção na pista.

Roberto Carlos no palco, corações disparados na pista.

Eram canções que conhecíamos de cor, músicas que nos acompanhavam desde a juventude e que, de repente, pareciam devolver a cada um de nós alguns anos de vida.

O tempo, naquela noite, resolveu tirar uma folga.

Não havia cabelos brancos, rugas ou calendários. Havia apenas amigos, música e aquela vontade danada de continuar dançando.

E, entre uma canção e outra, a certeza de que algumas coisas jamais envelhecem.

A amizade é uma delas.

Por isso, meu agradecimento às Meninas de Miracema, responsáveis por proporcionar aquele encontro inesquecível.

Obrigado pela oportunidade de rever amigos, abraçar pessoas queridas e conversar com aqueles que ajudaram a transformar nossa Princesinha do Norte numa cidade tão gostosa de viver.

Hoje estamos espalhados por diferentes lugares. A vida nos levou por caminhos diversos, mas existe algo que continua nos unindo: o amor por Miracema.

E esse sentimento não conhece distância.

Naquela noite, voltei para casa com a sensação de ter reencontrado não apenas velhos amigos, mas também um pedaço de mim que havia ficado guardado nos salões de baile da juventude.

A música terminou, as luzes se apagaram e cada um voltou para sua casa. Mas a saudade, que chegou conosco ao Clube XV, ficou por lá, dançando até hoje.

Valeu, Meninas de Miracema!


Adilson Dutra - O Penacho

Nota do autor — Outubro de 2026

Voltei àqueles encontros nos dois anos seguintes. Com o passar do tempo, os bailes deram lugar aos reencontros dos miracemenses ausentes, realizados durante as festas da cidade, em maio. Hoje somos menos, é verdade. O tempo levou alguns amigos, outros já não conseguem voltar, mas o sentimento permanece. Porque quem nasceu ou viveu em Miracema sabe que existe uma música que jamais deixa de tocar dentro da gente: a saudade da nossa terra.

“Miracemense ausente é aquele que saiu da cidade, mas nunca conseguiu tirar a cidade de dentro dele."

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Momentos inesquecíveis/Bola de Ouro

  Essa Bola de Ouro de 1987 não é apenas uma lembrança. É um pedaço da história do rádio esportivo brasileiro, e mru nome está lá, entre tantos gigantes da comunicação! Agora essa recordação ganhou a moldura que merece. E nosso baú de memórias continua crescendo. Ainda temos muita história para contar e muita emoção para reviver! ❤️🏆

O CENTRO HISTÓRICO DE MIRACEMA

O que é um centro histórico de uma cidade? É tudo aquilo que um dia foi história e, certamente, onde tudo começou. Correto. Então o centro histórico de Miracema seria na Praça Dona Ermelinda e seu entorno? Certo? Não. Pelo menos no ponto de vista de algumas pessoas da cidade o Centro Histórico é tão somente a Rua Direita, que anos atrás era o pulmão do município e hoje, infelizmente, o que resta são os poucos casarões que embelezam a atual Rua Marechal Floriano. Em coluna especial, no meio deste ano, sugeri que este nome, Marechal Floriano, fosse retirado e que a Rua Direita se dividisse em quatro partes, cada uma levando o nome de um dos heróis da emancipação, ou seja, “Os Quatro Diabos”. Uns gostaram e outros me criticaram, mas é apenas uma opinião de um miracemense ausente e você pode ter a sua que não contestarei em hipótese alguma. O centro histórico não tem mais os bazares, como a casa Cacheado, os armazéns, como o do Seu Pinheiro, as sorveteiras, como a do Abdo, os bares, como ...

A saideira que não aconteceu

  Hoje seria nossa despedida de Belém.  Seria. Fomos obrigados a abortar o passeio de dois dias à Ilha de Marajó, reflexo ainda da queda em que conheci, literalmente, o chão de Alter do Chão. Não me sinto seguro para me aventurar pelas águas amazônicas ou pelas terras de Marajó. Ficará para outra oportunidade. Mas Belém ainda tinha muito a nos mostrar. Hoje fomos ao Mercado Ver-o-Peso para saber o quanto pesaria, em nosso roteiro, aquele lugar tão famoso instalado às margens da Baía do Guajará. E minha impressão é de que realmente merece nota máxima, embora ainda precise de alguns retoques em seu ambiente. Foi uma manhã inteira girando por lá. Comprinhas de lembranças, observação de uma mistura interessante entre o antigo e o moderno, contato com o artesanato regional e, principalmente, a oportunidade de sentir de perto o calor humano do povo paraense. Eu e Marina vimos também a nossa primeira chuva da tarde em Belém. E foi de dentro de um táxi. Durante uns quinze minutos...