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Saudade em onda média

 Mais uma para o baú.

Esta semana, uma notícia que todos esperavam — inclusive eu — confirmou que a evolução da tecnologia chegou ao rádio e guardou para sempre as Amplitudes Moduladas. Sim, o velho rádio AM, companheiro inseparável de tantos de nós nos estádios mundo afora.

Quem nunca foi ao futebol com um radinho de pilha na mão para acompanhar a transmissão? Levante a mão… se conseguir.

Pois é. O rádio AM, segundo o filho Ralph Dutra, evoluiu. Mas nós, que vivemos dentro daquela caixinha mágica — fosse a pilha ou na tomada —, temos lá nossas dúvidas sobre essa tal evolução. As ondas do AM iam mais longe. Levavam o som, às vezes até ruim, é verdade, mas chegavam a todos os cantos do país — e até do mundo.

O meu velho Philco captava emissoras de todo o planeta. Quantos jogos ouvi do Sport Club Internacional, acompanhando o zagueiro Célio Silva em Libertadores e amistosos pelo mundo, tudo pelo som das rádios gaúchas.

O rádio AM me fez conhecer o Brasil sem sair do lugar.

Hoje, o FM e as modernas Web Rádios muitas vezes deixam o radialista refém de estúdios e transmissões “off tube” — narrando de uma sala fechada, olhando para uma televisão que nem sempre mostra tudo que o olho treinado do locutor gostaria de ver. Se isso é evolução… eu até posso dar o braço a torcer, mas com alguma resistência.

Lembro de uma conversa com o amigo Arnaldo Garcia, um dos grandes narradores com quem trabalhei e verdadeiro baluarte do rádio AM. Ele fazia de tudo para transmitir os jogos dos times campistas nessa era de internet e celular. Mas nunca — nunca mesmo — conseguiu a mesma qualidade de som que o velho AM entregava.

Sempre havia falhas, cortes, aquele som “pipocando”. Porque celular não é microfone de transmissão esportiva. E, definitivamente, não tem a alma — nem a potência — de uma rádio AM. Se isso é evolução, talvez eu esteja mesmo ficando para trás… mas ainda não concordo com o filho Ralph.

A verdade é que o rádio AM estava prestes a “morrer”. Não pela sua qualidade — essa nunca foi o problema —, mas pela falta de cuidado. Empresários que o deixaram virar sucata, emissoras do interior que foram se deteriorando, e uma economia que não ajudava.

Houve um tempo em que o rádio tinha mais audiência que a televisão em todo o território nacional. Depois, sim, a imagem falou mais alto — mesmo não chegando aonde o rádio chegava.

Não digam que este saudosista está errado.

Digam apenas que vocês também sentem falta do velho e querido companheiro: o radinho de pilha, com aquele som pequeno, quase íntimo, colado ao ouvido.

A FM e as Web Rádios estão aí, dominando o espaço. E eu torço — de verdade — para que elas aprendam com o AM: que vão aos estádios, às ruas, aos cantos mais distantes, e que deem voz e trabalho a milhares de radialistas que ainda esperam, como sempre esperaram, por um lugar ao sol.

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