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Passado e presente

           Velho e saudoso?

Me chamam de velho, às vezes de saudosista. E o que fazer, se já vivi sete décadas e meia, fiz muito do que sonhei, andei pelo mundo e por este meu Brasil brasileiro?

Não implico com quem vive só o presente — cada um carrega o tempo que tem. Mas há quem lembre que usou Glostora no cabelo, perfume Lancaster para impressionar, viu Sissi, a Imperatriz, no cinema… e nunca pisou no Palácio de Schönbrunn, em Viena, onde ela realmente viveu sua história.

Eu não usei calça Lee ou Levi’s, não tinha grana, mas fui aos bailinhos da Varanda e da Cabana XV, bebi gim-tônica sob luz negra só para ser notado. Li O Cruzeiro, devorei O Jornal e o Diário de Notícias — ali, sem saber, comecei meu aprendizado de jornalismo.

Tem gente que jura que viu Ben-Hur no cinema, mas nunca pisou no Coliseu, em Roma, onde homens lutavam pela vida — quase nunca pela liberdade. Usaram perfumes caros, franceses, mas não atravessaram a porta do Moulin Rouge nem brindaram com champanhe às margens do Sena.

Sim, estou velho. E, sim, sou saudosista. Trago comigo as histórias do que vivi — e gosto de contá-las. Digo que bebi cerveja irlandesa em pub inglês, comi pizza em Nápoles, saboreei bacalhau em Lisboa, subi de balão na Capadócia. E, claro, fiz minhas preces por amigos em Fátima e no Vaticano.

No fim das contas, é isso que fica: o caminho percorrido, as experiências vividas, as lembranças que insistem em nos visitar.

Então, meus amigos, meus camaradas de estrada: vivamos o presente com vontade — mas sem nunca abrir mão de contar, com orgulho, as boas histórias que o passado nos deu.

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