Cantando MPB

 O futebol do Rio, que tristeza. Mais parece uma coletânea de músicas da dupla Ivan Lins e Vitor Martins.

Na quarta-feira, após mais um fracasso dos outrora poderosos cariocas, os torcedores poderiam entoar os versos de “Somos Todos Iguais Esta Noite”. O poeta Vitor Martins definiria assim a vergonha de Flamengo, Fluminense e Vasco:

“Somos todos iguais esta noite,
na frieza de um rosto pintado,
na certeza de um sonho acabado,
é o circo de novo.”

Enquanto isso, lá na Cidade do Aço, os torcedores ouro-negros do Voltaço ensaiam “Vitoriosa”, já prevendo que, com a derrota para o Ipatinga pela Copa do Brasil, o Americano ficaria cabisbaixo:

“Quero a sua risada mais gostosa,
este seu jeito de achar
que a vida pode ser maravilhosa…”

Cantam para o veterano Túlio Maravilha, que, empolgado com o novo sucesso, já fala até em voltar ao picadeiro.

Mas a dupla Ivan Lins e Vitor Martins ainda oferece outro verso aos torcedores cariocas:

“Perdoem a cara amarrada,
perdoem a falta de abraço,
perdoem a falta de espaço,
os dias eram assim.”

Pensando bem, nem tudo está perdido. Em “Cartomante” há um recado final:

“Não ande nos bares,
esqueça os amigos,
não pare nas praças,
não corra perigo.”

Talvez só assim flamenguistas, vascaínos e tricolores consigam esquecer — ao menos por alguns dias — a amarga sensação do desprezo e da campanha pífia nesses primeiros meses de 2005.

Mas esta coluna, de astral otimista, insiste: nem tudo é baixo astral. A mesma dupla deixa o último conselho:

“Desesperar jamais,
aprendemos muito nesses anos,
afinal de contas não tem cabimento
entregar o jogo no primeiro tempo.
Nada

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