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Primeiro e único papo com Airton Moreira

Publicada em 07.11.2008 

Parece que foi ontem, mas lá se foram quarenta anos, se a memória não pregar uma peça neste escriba sou capaz de jurar que foi no final dos anos 60, ali por volta de 1968, quando ainda servia o TG 217, lá na terrinha, que conheci um dos mais fantásticos conterrâneos meus. 

Airton Moreira, treinador do Cruzeiro EC, de Belo Horizonte, o homem que montou aquela fabulosa máquina de jogar futebol e que desbancou o extraordinário Santos FC, de Pelé & Cia Ltda., com uma incrível goleada, no Mineirão, 6x2, e, em virada histórica, no Pacaembu, e faturou a Taça Brasil ao vencer por 3x2 após 0x2 no intervalo do jogo.

Airton, mais simples e menos badalado do que os irmãos Zezé e Aymoré, ambos chegaram à seleção brasileira (Aymoré foi campeão no Chile, em 62), mas com uma bagagem também carregada de sucesso. Quem gosta de futebol não se esquece do timaço do Cruzeiro, que tinha Raul e sua famosa camisa amarela, Procópio, um xerife que também fez sucesso no Fluminense, um meio campo de dar inveja a qualquer um destes times modernos, veja só: Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; e um ataque infernal, onde se destacava, além de Natal e Hilton Oliveira, dois pontas rápidos e habilidosos, o campista Evaldo, que saiu daqui para o Fluminense e foi brilhar no Cruzeiro, de Airton Moreira.

Lembro-me do curto, mas proveitoso papo com o “seu” Airton, nas muretas do Rink, que fica ali na Praça Dona Ermelinda, em Miracema, ele, acompanhado do atacante Marco Antonio, passara rapidamente pela cidade para visitar a irmã, que estava doente, e ver os sobrinhos, alguns até pela primeira vez. 

A conversa, não poderia deixar de ser, girou em torno da decisão, eu naquela época já era “metido” a repórter e já falava muito, e fui perguntando sobre o jogo e sobre Pelé, Tostão, Dirceu Lopes, etc e tal. Minhas anotações, ainda sobrevivendo a este longo período, mostram alguns detalhes, que repasso para os amigos do Papo de Bola.

- Chovia muito e nós jogaríamos pelo empate. O Lula (treinador do Santos) escalou Amauri no lugar de Dorval para ajudar a marcação sobre os nossos garotos (Dirceu e Tostão) e eles dominaram o primeiro tempo inteiro, se não fosse nosso goleiro (Raul) voltaríamos do intervalo com uma baita goleada. Relata Airton Moreira.

- Qual era o placar, “seu” Airton?

- Dois a zero eles. Só isto, graças a Deus. 

Ele contou alguma coisa a mais, porém, tem sempre um porém, esta parte das anotações se foram com o tempo e fugiram da minha imagem, mas sei de outros detalhes, por jornais, revistas e entrevistas dos irmãos famosos, Aymoré e Zezé, daquela histórica decisão.

Aírton Moreira, que na chegada a São Paulo, recebera apoio dos irmãos mais famosos, Aymoré e Zezé, estava perplexo. “Tá tão ruim que nem eu sei como consertar. Façam o que vocês acharem melhor”, recomendou aos jogadores.

Para piorar, num gesto de provocação, Mendonça Falcão, presidente da Federação Paulista de Futebol e Athiê Jorge Cury, presidente do Santos, procuraram Felício Brandi para acertar data e local do terceiro jogo. Foram enxotados, aos berros, do vestiário.

Felício aproveitou a visita inoportuna para mexer com os brios dos jogadores. Na volta, os craques conversavam, combinavam jogadas, animavam-se mutuamente. Estavam certos de que podiam virar o placar. Afinal, já haviam vencido duas vezes o time de Pelé naquele ano.

Prá finalizar os dois times, que fizeram um dos mais dramáticos e espetaculares jogos de todos os tempos: Santos – Cláudio, Zé Carlos, Oberdan, Haroldo e Lima, Zito, Mengálvio e Amauri (Dorval), Toninho Guerreiro, Pelé e Edu. Técnico: Lula – Cruzeiro: Raul, Pedro Paulo, Wilian, Procópio e Neco, Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão, Natal, Evaldo e Hilton Oliveira. Técnico: Airton Moreira

Gols de Pelé e Toninho (Santos) e Tostão, Dirceu Lopes e Natal (Cruzeiro).

Armando Marques apitou e o público, estimado, foi de trinta mil pessoas.


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