Pular para o conteúdo principal

E na vitrola o som de Johnny Rivers

Sei lá, acho que lá se vão cinquenta anos ou mais daqueles bailes nas varandas das nossas casas, lá na Terrinha. Os garotos já estão com netos quase na idade da que tínhamos e o som que ouvíamos hoje não cai muito bem no gosto da moçada moderna.

Uma Sonata, que ainda deve ter por aí alguma para matar a saudade, resolvia o problema e os compactos, simples ou duplos, e LPs faziam as duas ou três horas de dança sem maldade, sem culpa e, às vezes, rolava um rostinho colado e nada mais. Tempo de felicidade pura, de simplicidade e de música de qualidade em nossas reuniões.

A nossa varanda, na casa em frente a Prefeitura, era uma das preferidas da turma, ali perto, no Seu Neném Braga, era outro território aprovado pela rapaziada, Seu Noqueta, mais embaixo um pouco, também permitia os nossos bailinhos que na cidade, em todos os bairros, virou febre e era comum receber um convite para dançar nas casas dos amigos ao som de Trini Lopez e suas guarânias como La Bamba e o famoso charara lá com dá....

E aí vieram os grêmios, do Miracemense era o GLERB (Grêmio Lítero Esportivo Rui Barbosa) e o do Nossa Senhoras era o GEAO (Grêmio Estudantil Alberto de Oliveira) e os sábados nunca mais foram os mesmos após os salões nobres destes colégios serem liberados para os encontros dançantes da juventude do final dos anos sessenta.

Simonal, Carpenters, Beatles, Roberto Carlos, Os Incríveis, Creedence, The Mama & Papas só para citar alguns, e como diz a canção do Roupa Nova, que não era do nosso tempo, tudo ao som de Johnny Rivers numa boa e sem on the rocks, mas um Cuba Libre escondidinho para encorajar os mais tímidos.

Os anos setenta trouxeram inovações, danças diferentes, mais audaciosas, como ensinava Tony Tornado e sua BR-3, e aí surgiu a Cabana do Clube XV, luz negra, gim tônica para dar um ar especial metido a besta, já uma cervejinha no ponto e mais rock and roll do que as famosas canções do Roberto. Bossa Nova, que tanto rolou nos nossos bailinhos, já estava aposentada e o samba canção de Jamelão já era coisa de seresta.

Belos anos, belas tardes, belos tempos e hoje, em um tempo novo, diferente, cheio de novidades ruins, a gente se sente privilegiado quando o nosso amigo YouTube oferece músicas padrão anos sessenta a qualquer momento para deleite dos dançarinos ou ouvintes de um bom musical.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Momentos inesquecíveis/Bola de Ouro

  Essa Bola de Ouro de 1987 não é apenas uma lembrança. É um pedaço da história do rádio esportivo brasileiro, e mru nome está lá, entre tantos gigantes da comunicação! Agora essa recordação ganhou a moldura que merece. E nosso baú de memórias continua crescendo. Ainda temos muita história para contar e muita emoção para reviver! ❤️🏆

O CENTRO HISTÓRICO DE MIRACEMA

O que é um centro histórico de uma cidade? É tudo aquilo que um dia foi história e, certamente, onde tudo começou. Correto. Então o centro histórico de Miracema seria na Praça Dona Ermelinda e seu entorno? Certo? Não. Pelo menos no ponto de vista de algumas pessoas da cidade o Centro Histórico é tão somente a Rua Direita, que anos atrás era o pulmão do município e hoje, infelizmente, o que resta são os poucos casarões que embelezam a atual Rua Marechal Floriano. Em coluna especial, no meio deste ano, sugeri que este nome, Marechal Floriano, fosse retirado e que a Rua Direita se dividisse em quatro partes, cada uma levando o nome de um dos heróis da emancipação, ou seja, “Os Quatro Diabos”. Uns gostaram e outros me criticaram, mas é apenas uma opinião de um miracemense ausente e você pode ter a sua que não contestarei em hipótese alguma. O centro histórico não tem mais os bazares, como a casa Cacheado, os armazéns, como o do Seu Pinheiro, as sorveteiras, como a do Abdo, os bares, como ...

A saideira que não aconteceu

  Hoje seria nossa despedida de Belém.  Seria. Fomos obrigados a abortar o passeio de dois dias à Ilha de Marajó, reflexo ainda da queda em que conheci, literalmente, o chão de Alter do Chão. Não me sinto seguro para me aventurar pelas águas amazônicas ou pelas terras de Marajó. Ficará para outra oportunidade. Mas Belém ainda tinha muito a nos mostrar. Hoje fomos ao Mercado Ver-o-Peso para saber o quanto pesaria, em nosso roteiro, aquele lugar tão famoso instalado às margens da Baía do Guajará. E minha impressão é de que realmente merece nota máxima, embora ainda precise de alguns retoques em seu ambiente. Foi uma manhã inteira girando por lá. Comprinhas de lembranças, observação de uma mistura interessante entre o antigo e o moderno, contato com o artesanato regional e, principalmente, a oportunidade de sentir de perto o calor humano do povo paraense. Eu e Marina vimos também a nossa primeira chuva da tarde em Belém. E foi de dentro de um táxi. Durante uns quinze minutos...