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Adeus, amigo Sérgio Tinoco

Eu e Sérgio Tinoco na cabine 18 do Maracanã 

 Ontem perdemos um grande amigo, parceiro de grandes jornadas esportivas e da vida,  Sérgio da Matta Tinoco, meu amigo particular e uma das vozes marcantes do rádio esportivo deste país do futebol. 


Hoje, neste Papo de Bola, revivemos  um pouco que sabemos da brilhante carreira deste baita companheiro, com depoimento do próprio, ao Só Esporte, jornal impresso criado por mim e que circulou nos anos 1990.

Sérgio diz que tudo começou quando Moacir Fonseca, em sua coluna Dez Notícias, em um jornal da cidade, disse “tem por aqui um bancário que imita narradores do Rio e precisa de uma chance no rádio campista“.

No dia seguinte a nota, Moreira Filho passava pelo Banco Predial, onde Sérgio trabalhava, e fazia o convite para um teste na Emissora Continental. Daí até a estreia, no clássico Goytacaz x Rio Branco, no então Estádio da Cidade, hoje Ari de Oliveira e Souza, foi um pulo, como disse ele ao jornal Só Esporte, no início de 1997.

Sérgio Tinoco iniciou sua carreira imitando Valdir Amaral, célebre narrador da Rádio Globo, um fã incondicional de Jorge Cury, Clóvis Filho e Oduvaldo Cozzi, nomes consagrados da radiofonia esportiva de seu tempo de aprendiz.

Em sua trajetória peregrinou por todas as emissoras de Campos e algumas do Rio de Janeiro, como a poderosa Rádio Nacional. Fez uma Copa do Mundo, em 1998, na França, ao lado de seu amigo e parceiro de jornadas, Pessanha Filho. 

Sérgio tinha uma visão de trabalho excelente, já nos anos noventa ele dizia que Almeida Salles teria uma trajetória bem legal na comunicação e que Arnaldo Garcia ganharia facilmente o título de melhor narrador dos anos 2000 em todo interior fluminense, e (bingo!) os dirigentes iriam tomar conta dos microfones e tentar fazer dos profissionais do rádio seus homens de confiança.

Entre os grandes ídolos de Sérgio da Matta Tinoco, além dos já citados narradores esportivos da capital, está José Nunes da Fonseca, comentarista consagrado e um dos brilhantes radialistas campistas, que também nos deixou há algum tempo,Sérgio Dizia:  “o pai de todos nós”.

Ouvi grandes causos contados pelo Sérgio Tinoco, que gargalhava gostosamente quando narrava uma destas passagens vividas por ele ou por companheiros do rádio. - Certa vez, conta Tinoco, o Sandro Moreira (jornalista carioca) me contou que o Aloísio Parente, em um jogo no Beira Rio, abriu o coração e disse na abertura da jornada: “A minha direita o Rio Guaíba, a minha esquerda a metrópole Porto Alegre, e ao fundo o Cemitério Municipal, onde “vivem” as grandes personalidades gaúchos de todos os tempos”.

Pedi a ele para contar um “causo” interessante, vivido em suas viagens com Americano e Goytacaz, que jogavam por este Brasil afora quando participavam de campeonatos nacionais, e lembrou uma passagem do lateral Capetinha, do Americano, que passou a toda viagem para o Nordeste, em avião da Vasp, sem comer ou beber por ter sido avisado que ali tudo era muito caro. No final da viagem, ao ser informado que tudo foi uma tremenda gozação, foi difícil segurar o homem, que virou um verdadeiro capeta.

Abraço do Papo de Bola, que teve Sérgio Tinco como grande colaborador dos causos contados por aqui, e agora fará novamente o par com sua eterna namorda, Sónia, para os filhos Denise, Marcelo, Cláudia e Fernanda, genros,  netos e bisnetos desta figura doce e amiga, que posso dizer, sem medo de errar, um dos grandes amigos que fiz nesta minha trajetória campista. Que na sua morada eterna tenha paz e esteja ao lado do Senhor. 

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