Pular para o conteúdo principal

A bola oval passou por Miracema?

Minhas últimas crônicas têm sido muito saudosista, bem carregada de nostalgia e pouco falei sobre o que mais gosto de escrever por aqui, aliás dá título a coluna, falar de bola, qualquer tipo de bola, exceto a que não temos por aqui, a bola oval, do rugby ou do futebol americano.

E quem disse que não tivemos por aqui a bola oval? Lá vem de novo o papo nostálgico e volta a surgir o cara cheio de saudade em seus textos. Isto, volto a falar em um passado bacana, cheio de histórias bonitas e que foram vividas intensamente por este escriba e sua turma. 

E o leitor, que não viveu este momento, deverá estar se perguntando: Futebol americano em Miracema? Rugby em Miracema? Sei lá, respondo eu. Não sei se aquilo era um ou outro ou nenhum dos dois, e creio que está mais para a segunda opção, mas o certo é que lá no TG 217, onde servi em 1968, tinha duas bolas ovais, deixadas pelos sargentos anteriores, não sei se o Lecine ou o Vasconcelos, mas pelo estado de conservação seria mesmo do tempo do Sargento Lecine. 

E aí, nosso Sargento Couto, que chegou na cidade em 1967, as levou para o Estádio Municipal, onde somente o futebol tinha acontecido por lá, e nos fez correr com aquela bola nas mãos e tentou nos ensinar alguma coisa sobre o esporte preferido nos Estados Unidos, mas cá pra nós, bem baixinho, que meus companheiros da turma 1968 não nos leiam, ninguém sabia nada e foi um verdadeiro vexame e nem mesmo os brutamontes da time não usaram as armas dos americanos neste esporte, ou seja, a força bruta. Um fracasso total. 

Hoje, assistindo aos jogos da NFL, a liga de futebol americano, vejo que nós, os soldados do TG 217, naquele ano, jamais poderíamos ser estrelas neste esporte, já imaginou, por exemplo, eu, Cacá Moura, Thiara, Júlio ou até mesmo o Geraldinho Araújo, que era forte e corajoso, jogando de verdade o Futebol Americano? Quem seria esmagado primeiro? Acredite, nem em sonho podemos imaginar algo diferente disto. 

Comentários

kvari disse…
Olha que poderia ter sido o Cairo Santos daquela época. O cara é baixinho mas faz o maior sucesso no Kansas City Chiefs.
Meu sogro, Marreco - Sebastião Detogne - lembrou de um "jogo" desses do TG Miracema outro dia lá em casa enquanto eu via um joga da NFL.

Postagens mais visitadas deste blog

O CENTRO HISTÓRICO DE MIRACEMA

O que é um centro histórico de uma cidade? É tudo aquilo que um dia foi história e, certamente, onde tudo começou. Correto. Então o centro histórico de Miracema seria na Praça Dona Ermelinda e seu entorno? Certo? Não. Pelo menos no ponto de vista de algumas pessoas da cidade o Centro Histórico é tão somente a Rua Direita, que anos atrás era o pulmão do município e hoje, infelizmente, o que resta são os poucos casarões que embelezam a atual Rua Marechal Floriano. Em coluna especial, no meio deste ano, sugeri que este nome, Marechal Floriano, fosse retirado e que a Rua Direita se dividisse em quatro partes, cada uma levando o nome de um dos heróis da emancipação, ou seja, “Os Quatro Diabos”. Uns gostaram e outros me criticaram, mas é apenas uma opinião de um miracemense ausente e você pode ter a sua que não contestarei em hipótese alguma. O centro histórico não tem mais os bazares, como a casa Cacheado, os armazéns, como o do Seu Pinheiro, as sorveteiras, como a do Abdo, os bares, como ...

As badaladas da Ave Maria

São várias lembranças que me fazem buscar o computador e escrever, antes de que desapareça de meu pensamento, sobre o cair da noite, ou o cair da tarde na linguagem poética, principalmente de Augusto Calheiros em sua Ave Maria, datada de 1953, e que fez um punhado de senhorinhas, que sentavam à beira da calçada, suspirarem com a passagem do seu possível par romântico nos bailes da vida.  Pode ser também a angústia que me bate nestes períodos, lembrando dos dias solitários no Rio de Janeiro, quando pensava em Miracema e declamava os versos de Fernando Nascimento:  "Quando a lua desce aqui no Rio, eu sinto ânsia, sinto angústia, sinto frio. Quando a Lua nasce cor de prata eu relembro Miracema em serenata." E seria a lembrança de minha mãe, que nesta segunda-feira, 29 de julho, completaria o seu centenário, que não será comemorado em vida, mas a lembrança das velas acesas, para esperar as badaladas, que na verdade eram as seis badaladas da manhã repetidas à noite, e que também s...

AO SOM DE CARTOLA, ELIS E OUTROS

Revendo textos - Esta é de outubro de 2005    Quatro horas da tarde. Lá fora o sol forte, aqui dentro o ar refrigerado ligado no limite e na vitrola o disco de João Gilberto, em volume médio, toca para motivar este velho escriba a falar sobre música e artistas. Ligo para meu amigo Motta, que está na internet –sua nova companheira- e me recuso, no momento, a entrar na grande rede. O telefone toca. Penso em não atender. Marina chama: É prá você. É o Solon. Bingo. Era o que precisava para traduzir certas canções de Cartola. Pensava até em ligar para o Nascimento, lá em Miracema, mas Solon chegou na hora.  Fala aí, amigo velho. – Amigo velho, não. Velho amigo. Fica mais poético e mais saudável. – O que manda? – Acho que preciso de alguém para conversar, estou só e os dedos estão cansados demais para dedilhar nas teclas do computador. – Eu até gostei de sua ligação. Tava pensando em fazer umas colocações sobre a música de Cartola e só mesmo quem viveu estes momentos pode divid...