terça-feira, 12 de abril de 2016

Emoções de um final de semana

A próxima  semana será cheia de emoções para este velho escriba, a começar logo no amanhecer de sábado (30/04/16) quando a cidade recebe centenas de amigos e conterrâneos ausentes do torrão natal por longos anos para vir, a convite dos organizadores, participar de mais um encontro de miracemenses e amigos, que este ano repetirá o sucesso do ano passado no evento realizado no mesmo local deste ano, ou seja, na Barraca do Bode, no recinto da Exposição.

Mas o grande motivo para prevenir as lágrimas e emoções mais forte, está reservado para a noite deste mesmo sábado, no Clube XV, quando receberei das mãos do Vereador João Magalhães a Comenda do Mérito Esportivo, que leva o nome do meu grande amigo e amigo do futebol miracemense, Jair do Nascimento (Polaca), que se vivo fosse estaria completando cem anos de idade.

O que falar deste momento? O que falar de Jair Polaca? Sobre o momento é impossível antecipar alguma coisa, o mínimo que vai acontecer são os abraços dos amigos e da família que me deixarão emocionados e sem condições de usar a tribuna para agradecer ao meu amigo João Rosquinha, que sabe de minha antiga luta pelo desenvolvimento de nosso futebol, hoje entregue a outros companheiros lutadores e dinâmicos, que não deixam a bola parar de rolar ou subir nas redes ou nas cestas, como o caso do Antonio Marcos, futebol, Miguel Ângelo, vôlei, e Carlinhos Bessa, basquete.

Fico meio acanhado em falar desta homenagem, será que sou merecedor? Não sei se hoje faço algo útil para o nosso esporte, apenas divulgo nos meus espaços as grandes realizações e as conquistas da nossa turma, já fiz muito mais quando estive na ativa, mas para isto foi preciso, sempre, do auxílio luxuoso do José Luiz da Silva, do Francisco David, do Paulo Joel, do Fernando Nascimento, do Welington Ronzê e mais tarde a chegada do Gelti Rodrigues, que coincidiu com a minha saída da cidade.

O movimento continuou por alguns anos, deu uma parada, principalmente com a ida para o Oriente Eterno do velho e querido mentor de toda turma da Princesinha, Alcir Fernandes de Oliveira, o Maninho, este sim o grande baluarte do nosso futebol, mas como somente um tem que ser homenageado em cada ano legislativo, fica a dica para os próximos anos sobre a escolha de novos nomes.

Um amigo meu, cá de Campos, me perguntou quando o convidei para ir a Miracema me prestigiar: “Este vereador é seu amigo, deve estar querendo voto”. Meu Deus! Quanta maldade do meu amigo Marco Aurélio, João Magalhães é, realmente, um grande amigo desde os tempos de criança, formos vizinhos ali no chamado Triângulo das Bermudas, ele na Rua Paulino Padilha e eu na Ary Parreiras, jogamos futebol no Rink, no Ginásio, no Tupã e não há como não relacionar na minha lista de bons amigos, mas para ter meu voto?

Jamais o Rosquinha faria uma coisa destas porque sabe de minhas posições e se o fosse eu não aceitaria sequer sair de Campos para a festa quanto mais para receber algo que eu não acreditasse ser justo, afinal se alguém fez pelo esporte na cidade fez como eu e meus companheiros e não é demérito nenhum se outro destes citados ou aqueles que não citei, como Célio Silva, Micaela, Geovana e os atletas que brilharam, como brilha agora o Vitinho Righ no futebol do Friburguense.


Agora, cá pra nós, que ninguém nos ouça, ser homenageado com uma Comenda que leva o nome de Jair Polaca, eterno presidente, atleta, treinador e comandante mor do Miracema FC é algo que jamais esquecerei e o prêmio será exposto em minha sala de visitas para que todos, que a minha casa chegarem, possam admirar e ouvir sobre homem que empresta o nome a Comenda do Mérito Esportivo. 

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Miracema: Oitenta anos de história

Por onde andei tinha sempre um caminho aberto para conhecimento, fui da minha Miracema até um lugar bem longe, como Viena, por exemplo, sonho de minha mãe em conhecer os "Destinos de Sissi, a Imperatriz", como Paris, onde ela queria ser a Lili do filme do mesmo nome.

Estudei o suficiente para falar o bom português e não encontrei dificuldades para usar meu inglês, de balcão de portaria de hotel, para me virar em Londres, nem meu espanhol, aprendido na tevê, como o italiano, para lidar com as pessoas em Madrid ou Roma, mas encontrei dificuldades para me comunicar com as pessoas em Praga, em Budapeste ou em Varsóvia. 

A comida, outra grande chateação nas viagens internacionais, também não me atrapalhou, aprendi, em Lisboa, que o "nosso" bacalhau é servido em qualquer bom restaurante europeu e que a "nossa" massa está nos cardápios dos mais sofisticados e até mesmo nos self service menos requintados mas com boa comida para os turistas brasileiros ou não. 

Certa vez, andando em uma excursão pelo Sul do Brasil, de ônibus, fui narrando, em cada cidade que parávamos, as comparações entre aquele ponto turístico e a nossa Miracema, que esta semana completa oitenta anos de idade, aliás oitenta anos vividos entre a ostentação, como no Sul, e de sofrimento, como no Nordeste, já fomos famosos e milionários, como a Grécia, e hoje estamos a beira do caos, como o próprio Brasil e como estiveram Espanha e Portugal. 

Mas somos fortes, temos nossos ídolos, temos nossos exemplos de homens dinâmicos e destemidos, como Ventura Lopes, Altivo Linhares, Melchiades Cardoso, Jofre Salim e tantos outros, que ficaria aqui atá o último parágrafo contando sobre eles, e que são tão heróis como Simon Bolívar, o Libertador das Américas, como os Gaúchos separatistas colorados ou não, como os heróis da Inconfidência Mineira ou Dom Pedro I, nosso libertador das garras de Portugal. 

Nas minhas andanças eu conto "causos", que a turma dos ônibus acredita ser daqueles inacreditáveis, falo das maravilhas de Miracema e já levei dezenas destes para conhecer nossa Princesinha do Norte e, se a cidade não agradou ou deixou a desejar, tenho certeza de que o povo da cidade encantou cem por cento dos nossos visitantes temporários e um destes até arranjou uma noiva por lá, na nossa Exposição, mas não sei se o namoro deu em casamento ou não. 

Numa destas viagens, em Valência, na Espanha, vi uma festa de rua tão animada que veio na minha cabeça aqueles carnavais da Rua Direita, mascarados, Pierrôs e Colombinas desfilando na tradicional Fallies, que praticamente para a cidade e bota o povo na rua, como nos áureos tempos dos carnavais de Miracema, claro que o luxo e a tradição não são iguais, tenho que compreender, mas a animação não me deixa dúvidas de que nossa festa um dia também foi das melhores. 

Em uma viagem destas, na Polônia, convidaram pessoas do nosso grupo e do outro que estava no cabaret para subir ao palco e dançar com a tradicional dança polonesa, a Polka, e sabem quem subiu? 

Aquele aluno da professora Onidéia Moreira, que em suas apresentações, chamada de Audição da Dona Onidéia, sempre incentivou a dança e em muitas delas lá estava eu, como estava naquele palco representando minha cidade, sim, representando minha cidade, porque quando o locutor, em um português enrolado, mistura de espanhol, inglês e alemão, me perguntou de onde eu era, adivinhe de onde eu disse? Sou de Miracema, a Princesinha do Norte Fluminense. 

Durante longos anos eu fui um dos correspondentes das emissoras do Norte/Nordeste brasileiro em Campos, e quando contava as histórias, aquele famoso "enche linguiça", contava uma passagem da nossa Rádio Princesinha, de Miracema, e certa vez um ouvinte, atento a transmissão de abertura de jornada para Americano x CRB/Alagoas, ligou para a emissora de lá, que estava em cadeia com a Campos Difusora, e perguntou se poderia coloca o avô dele, que se emocionou ao ouvir falar de Miracema, no ar. 

E lá estava o homem, me perdoe se esqueci o nome do distinto cidadão, que me fez algumas perguntas sobre o Seu Frazão, sobre o Vitor Cascudo, Seu Altino e tantos outros da Usina Santa Rosa, onde ele trabalhou em sua juventude até o fechamento da mesma. E, no final da conversa, ele me perguntou meu nome e respondi: Adilson Dutra, e o moço, de noventa anos e mente de uma criança, mandou de lá: - Não me diga que você é filho ou neto do meu amigo Vicente Dutra, dono do melhor bar de Miracema?

Aí eu chorei... Parei no mesmo momento e, agora, também paro porque não há mais chance de continuar escrevendo, as lágrimas já molham o teclado. 

Parabéns, Miracema, você é eterna no coração de todos os seus filhos. 

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Um enredo para o samba do Calil: O Triângulo das Bermudas

Ontem foi dia de fisioterapia, tento curar uma tendinite no ombro, provocada por longos anos de jornalismo e serviço bancário, o uso constante das máquinas de escrever, sem saudade, do computador e hoje dos pequenos tablets e smartphones, provocaram uma inflamação aguda em todos os membros dos braços e ombros.

E dia de fisioterapia é sinal que a manhã é perdida e haja conversa fiada nos corredores da clínica. E, por minha sorte, encontrei um veterano miracemense, afastado da terrinha por muitos anos, que me lembrou do carnaval, das festas de Santo Antônio e começou a perguntar pelos antigos moradores do meu reduto.


Fui falando em todos eles, com muita saudade e alegria, e o moço conheceu todos, do Caboclo ao Vicente Dutra, e, ao chegar à casa, vejo uma foto do saudoso amigo Calil Saluan Neto, carnavalesco e homem da publicidade volante, na página de sua filha, Dina, no Facebook, e juntando o papo com o Abraão, lá na clínica, e o pensamento para o Calil, me lembrei imediatamente de uma nossa conversa, no jardim de Miracema, sobre carnaval, escola de samba e enredos.


- Adilson, se
 tivesse dinheiro eu daria a você a incumbência de falar sobre a Praça Da Matriz, você nasceu ali e é um apaixonado pelo reduto, dizia Calil sentado em um dos bancos com propaganda das antigas casas comerciais da cidade.

Eu imediatamente aceitei o desafio e fui imaginando, se possível fosse, falar do nosso "Triângulo das Bermudas", este seria o título do enredo para a Unidos no Samba e na Cor, que falaria da Igreja Matriz, da Praça das Mães, do Rink, do Jardim de Infância e arredores, e, no carro abre alas, viria a Fonte Luminosa e o Coreto, por onde passa a história do município, afinal foi ali que nasceu o povoado nas terras doadas por Dona Ermelinda.


Logo atrás as tradições do lugar, a Prefeitura, o Tiro de Guerra, o Bar do Vicente Dutra e a Loja da Magali, sem esquecer do boteco do Seu Manoel, que ficava ao lado do Armazém do Jorge. Eita!! A cabeça foi girando, saudades do Calil e de todos os citados por aqui até o momento, mas não ficou nisto.


- Adilson, temos que falar do Seu Scilio, da farmácia, lembra Calil.


Claro, no conteúdo podemos lembrar de todos os moradores dali, divididos entre fazendeiros, como Seu Neném Braga, Seu Evaldo Assumpção,  seu João Ramos, mas se precisar de um táxi pode chamar o Zé Barros, um terno? Vá no Seu Amaro Leitão, e caso o amigo esteja com fome um pão ou biscoito na Padaria do Garibaldi Parreiras.


A moça bonita tinha duas opções, ou se maquiava na Dona Darquinha ou fazia o cabelo com Dona Cecília, ambas na José da Silva Bastos, rua pequena mas repleta de mulheres bonitas, sem nomes para não comprometer com esquecimento de algumas delas. Na Paulino Padilha, que começa com a Farmácia do Scilio, podemos encontrar mais temas para o nosso samba e para nossas alas.
- Quem são e como será? Queria saber Calil.


Um aviamento, um perfume ou até uma aliança para engambelar a namorada? Loja do Tetinho. Uma graxa no sapato ou uma acerto na sandália? Sapataria do Deoclídes. Uma fezinha no bicho? Seu Cícero dá a dica. Um paletó sob medida? No Pepito Serrano. Na loja do seu Botelho você pode até fazer sua escrita, afinal ele é um exímio contador. Um pirulito no Caboclo, um pão doce da Padaria da Dona Otera ou uma compra no Armazém do Seu Custódio pode adiantar sua vida.


Nem sei se o resolvemos o problema da última ala dedicando o espaço totalmente as empresas do Seu Marcelino, será que podemos chamar aquele lado de Praça da Matriz? E que se não for tudo bem, ali estava também o Posto do Inácio e o primeiro carro da mana Eliane foi lavado por lá, pelo Mané e o pelo Demerval.


E, quando a prosa já estava animada e o enredo pronto na minha cabeça, eis que o Calil mata todos os sonhos em duas frases apenas.


- Vou parar de fazer carnaval, já não tenho mais ânimo e a morte de meu filho me deixou totalmente deprimido. E a outra, foi quem destruiu os sonhos:  Onde conseguir dinheiro para fazer um enredo destes?


É, e por aqui, no enredo do meu sonho, a saudade continha como principal instrumento de lembrança
.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

E na vitrola o som de Johnhy Rivers

Sei lá, acho que lá se vão cinquenta anos ou mais daqueles bailes nas varandas das nossas casas, lá na Terrinha. Os garotos já estão com netos quase na idade daquela que tínhamos e o som que ouvíamos hoje não cai muito bem no gosto da moçada moderna.

Uma Sonata, que ainda deve ter por aí alguma para matar a saudade, resolvia o problema e os compactos, simples ou duplos, ou LPs faziam as duas ou três horas de dança sem maldade, sem culpa e, as vezes, rolava um rostinho colado e nada mais. Tempo de felicidade pura, de simplicidade e de música de qualidade em nossas reuniões.

A nossa varanda, na casa em frente a Prefeitura, era uma das preferidas da turma, ali perto, no Seu Neném Braga, era outro território aprovado pela rapaziada, Seu Noqueta, mais embaixo um pouco, também permitia os nossos bailinhos que na cidade, em todos os bairros, virou febre e era comum receber um convite para dançar nas casas dos amigos ao som de Trini Lopes e suas guarânias como La Bamba e o famoso charara lá com dá....

E aí vieram os grêmios, do Miracemense era o GLERB (Grêmio Lítero Esportivo Rui Barbosa) e o do Nossa Senhoras era o GEAO (Grêmio Estudantil Alberto de Oliveira) e os sábados nunca mais foram os mesmos após os salões nobres destes colégios serem liberados para os encontros dançantes da juventude do final dos anos sessenta.

Simonal, Carpentes, Beatles, Roberto Carlos, Os Incríveis, Credence, The Mama & Papas só para citar alguns, e como diz a canção do Roupa Nova, que não era do nosso tempo, tudo ao som de Johnny Rivers numa boa e sem on the rocks, mas um Cuba Libre escondidinho para encorajar os mais tímidos.

Os anos setenta trouxeram inovações, danças diferentes, mais audaciosas, como ensinava Tony Tornado e sua BR-3, e aí surgiu a Cabana do Clube XV, luz negra, gim tônica para dar um ar especial metido a besta, já uma cervejinha no ponto e mais rock and roll do que as famosas canções do Roberto. Bossa Nova, que tanto rolou nos nossos bailinhos, já estava aposentada e o samba canção de Jamelão já era coisa de seresta.

Belos anos, belas tardes, belos tempos e hoje, em um tempo novo, diferente, cheio de novidades ruins, a gente se sente privilegiado quando o nosso amigo YouTube oferece músicas padrão anos sessenta a qualquer momento para deleite dos dançarinos ou ouvintes de um bom musical.

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...