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TG 217

Quando cheguei a Campos, lá pelos anos 80, conheci os irmãos Rangel, proprietários da Livraria Noblese, uma das mais tradicionais da cidade, e sobrinhos do velho e saudoso Francisco Alves, para quem não sabe o pai do advogado Miguel Ângelo de Martino Alves, e que nutrem um grande amor por Miracema, o Adailton Rangel,  naquela época, me contava que todos os irmãos serviram o exército no Tiro de Guerra 217 e tem boas lembranças do Bar do Seu Vicente e adjacências.

Muitos na terrinha me perguntam se eu servi ao exército por mais de um ano, claro que alguns se lembram de mim tocando minha corneta na bateria do TG, da grande amizade que minha família tinha com os sargentos que por lá passaram, mas minha turma real foi a de 1968, e com longa antecedência eu convido a todos daquela tropa para começarmos a organizar o cinquentenário, que se dará dentro de dois anos.

Certo dia, sentado na Kiskina, conversando com o Duduca Amaral e o Ló Leitão, recordamos a turma de 1962, quando eu comecei, a convite do Sargento Nilo, a fazer parte da tropa como mascote e corneteiro oficial, daí em diante foram vários anos e um punhado de sargentos que passaram e jamais abandonaram o hábito de frequentar a casa de meu avô e de me convidar para as solenidades oficiais do TG como corneteiro ou mascote oficial.

A coluna sempre rende homenagens a miracemenses presentes e ausentes, e hoje, como o assunto é o nosso TG 217, nada melhor do que recordar o austero Sargento Lecine, o bondoso e duro Sargento Couto, o simpatico Sargento Nilo e o rápido Sargento Vasconcelos, que chegou para dar um novo ânimo a tropa após um incidente no ano anterior, mas que ficou por pouco tempo na cidade.

Minha turma foi a segunda do Couto, era um grupo de amigos recheada por gente disposta a entrosar com facilidade, muitos vieram dos distrios de Flores e Paraíso, como Adilton, um valente soldado que um dia quis enfrentar dois bandidos, na capital do estado, e nunca mais contou as suas bonitas histórias de vida. Era uma tropa de elite, no bom sentido é claro, e o nosso futebol era o orgulho do Sargento Couto e da região, mas esta história já foi contada por aqui.

O TG 217, que hoje não carrega mais esta nomenclatura, fez parte da minha vida e da nossa Praça Ary Parreiras, funcionou por longos anos quase ao lado do bar do vovô e por ali passaram cerca de 80% dos rapazes de Miracema e o bar sempre foi o ponto de referência e os quitutes da Vovó Maria eram o quebra galho e o mata fome de quase todos eles.

O Adaílton Rangel, aquele lá do primeiro parágrafo, quando soube que eu era neto do Vicente Dutra imediatamente embargou a voz e voltou no tempo: "Meu Deus, como seu avô ajudava os atiradores, o café da manhã era sagrado e a broa de amendoim era um manjar dos deuses", disse com os olhos marejados.

Era o Tim Tão, o chocolate na xícara maior, acompanhado de um "disco voador", as  broas eram redondas como um disco, que matava a fome dos soldados, que acordavam cedo para a instrução diária e depois rumavam para o trabalho ou para o colégio, muitos já faziam científico e outros para a labuta que rendia o sustendo próprio ou das famílias.

Servir no Tiro de Guerra era objetivo de quase todos os rapazes da cidade, que se enchiam de orgulho ao envergar a farda verde oliva nos desfiles cívicos na Rua Direita e nas marchas pelos quatro cantos do município. Saudade? Muitas. Recordações? Centenas. Dá vontade de voltar ao tempo e ouvir novamente a chamada do Sargento Couto: Número 2? Picanço.

E por falar nisto, meus companheiros, está chegando 2018 cinquenta anos da Turma 1968 do TG 217 que tinha como comandante o Sargento João Onildo do Couto e como patrono da turma o Prefeito José de Carvalho e na formatura 53 reservistas amigos e companheiros.

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