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Papo no Mercado Central de BH

Um papo gostoso e divertido com o mineiro Dudu, que um dia tentou a sorte no Cruzeiro,  nascido em Eugenópolis, criado em Leopoldina desde guri, como ele detalha, onde jogou no Ribeiro Junqueira, disputou vários campeonatos da Zona da Mata, andou por Miracema, Pádua, Itaperuna e outras cidades de nossa região correndo atrás da bola ora pelo RB ora pelo Nacional, de Muriaé, onde também marcou presença com boas atuações na zaga. 

Conheci Dudu no Mercado Central, em BH, onde tomava a minha cervejinha, só e sem prosa, quando ele chegou, puxou assunto e me perguntou se era cruzeirense, vestia eu uma camisa azul, da Adidas, e o cara, prá puxar conversa, foi logo falando do futebol. E gostei, afinal ninguém gosta de bebericar uma cerveja sozinho, principalmente em um lugar bem movimentado como aquele que estávamos. 

Trocamos um bom papo sobre o futebol de hoje, este jogado pelo Atlético e pelo Cruzeiro, o moço acreditava que fosse mineiro e torcedor da Raposa, e puxou lá nos tempos de Tostão, Evaldo e Dirceu Lopes, e, quando lhe disse que eu era da terra de Aírton Moreira e morava atualmente na cidade natal de Evaldo, seus olhos brilharam e soltou: "Então você conhece a minha cidade, é lá perto da sua, sou de Eugenópolis, mas saí de lá ainda rapaz para tentar a sorte no futebol. 

E aí a prosa ficou boa, falamos do futebol da região e dos caras que jogaram no nosso tempo, ele também é sessentão e  quando perguntei sobre o Totô, um dos grandes jogadores que vi jogar, que é de Eugenópolis, o moço vibrou e falou: "Este era fera, não sei porque não ficou rico jogando futebol, não fui amigo dele, mas ouvi muitas histórias dele lá em Eugenópolis e por onde andei, cruzamos muito pelos gramados e sempre perdi para ele, um craque". 

E aí o papo realmente incendiou, já escurecia, contei para ele que joguei com o Totô no Tupã, fomos juntos para o América, ele ficou e não deu certo, trabalhamos na mesma empresa, Nestor, o nome real do Totô, foi gerente no Banerj, onde aposentou e não tenho notícias dele no momento como queria Dudu, mas sei muito sobre este cara que jogou o fino da bola e sempre foi alegre e um bom companheiro. 

Você percebeu que eu não disse ao cara de onde era, só falei que era da terra de Aírton Moreira e morava na cidade de Evaldo. Viram como a nossa Miracema é conhecida e como os Irmãos Moreira levaram o nome da terrinha por este Brasil afora? Dudu sabe tudo sobre Aírton e Zezé, treinadores vitoriosos no Cruzeiro e pouco sobre Aymoré, sabe apenas que era irmão da dupla cruzeirense. 

A noite chegou e o táxi que pedi chegou, já estávamos no portão de entrada do Mercado Municipal quando Dudu falou, antes de eu entrar no táxi: "Na próxima conversa vamos é falar sobre Campos, tenho um amigo meu que trabalhou lá, jogamos em Valadares e de lá veio para o Galo e fez carreira. Você o conhece?"

O táxi foi dispensado e fiquei para a saideira para saber algo sobre um amigo que passou por Campos, no melhor período do Americano FC, José Maria Pena, que sempre andou pelos clubes do interior de Minas Gerais e que hoje trabalha na Cidade de Galo, CT do Clube Atlético Mineiro, com a base do clube. 

E a noite terminou com um abraço apertado de dois "velhos amigos" que tiveram a sorte de se encontrarem, por acaso, em um lugar repleto de gente e,numa destas coincidências da vida, ambos foram boleiros e conhecem um pouco da história do velho e violento esporte bretão.

Comentários

TADEU MIRACEMA disse…
Esse é o Dutra! Histórias e muitas histórias para contar. Sobre os Irmãos Moreira, o legado que eles deixaram é algo inacreditável. A nossa terra deveria valorizar mais os seus filhos ilustres.
Adilson Dutra disse…
Por onde ando tem sempre um jogador do Americano, ex-jogador, claro, um ex-Goytacaz ou até um treinador e, na Zona da Mata sempre encontro alguém que jogou comigo ou nos campeonatos de lá. Este Dudu, que é Douglas, me deixou cheio de moral e com prosa de primeira. Valeu.

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