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E por falar em saudade, perdemos o nosso Russo

Quando na madrugada de sexta-feira, o sono estava difícil de chegar, recebi a mensagem do Renato Mercante, que informava aos seus amigos do Facebook o falecimento do Claérson Rosa, que por este nome poucos conhecem, mas pelo seu nome de guerra, Russo, qualquer um miracemense, que tenha vivido o futebol da terrinha ou da velha guarda da cidade, saberá imediatamente de quem se trata, o coração disparou e imediatamente a pergunta veio a tona: Mais um? Será mesmo a velhice como o outro Renato, o Borges, falou? 

E o que falou Renato Borges? Perguntaria o amigo. Ele me disse, quando no ano passado perdemos uma série de amigos, que o pior da velhice não é a idade é a perda de amigos queridos de nossa infância e juventude, que provam que nosso tempo passou e as alegrias da juventude serão transformadas em tristezas da dita terceira idade. 

Russo, além de funcionário do DER, foi um dos bons  da nossa Liga Desportiva de Miracema, duro, enérgico, sério em todas as marcações, e chegou a comandar o time do DER nos campeonatos municipais, era um amante da bola, não me lembro dele jogando as peladas ou participando de jogos, mas com o apito enérgico e soprado com retidão me tráz grandes recordações. 

Uma destas em um jogo, não me cobrem qual o adversário, em que nós, o ataque do Vasquinho, estava impossível e naqueles dias de inspiração total, faziamos um placar elevado e já passávamos do 5x0 e queríamos mais, muito mais, eu Thiara e Cacá disputávamos a artilharia do campeonato e Russo, no apito, sempre muito sério, não deixava sequer esboçar uma reclamação, pequena que fosse, ele dizia ao meu pai que eu era muito "chorão" e reclamava demais. 

Lá pelos vinte do segundo tempo, quando Pedro Paulo, outro que já é saudade, assinalou um impedimento meu, fui correndo ao seu encontro e falei um punhado de bobagens, e Russo, bem tranquilo e com um ar paternal, me disse: "Você está querendo deixar a briga pela artilharia com o filho do Heleno e o cabeludo? Fique quieto, já falei com seu pai que você está muito agitado, ou vou te expulsar". 

Olhei atentamente para o nosso árbitro e falei uns impropérios, não merecidos pelo Claérson Rosa, e ele, ao invés de me expulsar, retrucou baixinho e energicamente: "Não vou te botar pra fora, respeito muito Dona Lili e o Zebinho, sei que te deram educação e só te falo para pedir desculpas depois do jogo, vá lá, corra e faça mais gols, você está de cabeça quente", ou mais ou menos assim e me deixou mais irritado ainda. 

Passados dois ou três minutos vi que o Jéferson, um ponta esquerda reserva, estava na lateral do campo para entrar no meu lugar. O Russo pediu ao Bizuca para me tirar porque eu estava muito nervoso ou iria me expulsar na primeira reclamação. Na saída ele me disse: "Vai pra casa, peça desculpas a sua mãe por você ter me ofendido, eu te perdoo."

Este era o Claérson Rosa, distinto, amigo, um cara do bem, que errava também como árbitro, mas com certeza absoluta, jamais foi chamado de Juiz Ladrão, não dava esta chance aos seus prováveis desafetos, era sempre correto em suas marcações e, cá fora de campo, um verdadeiro cavalheiro, homem de família e religioso ao extremo. 

Hoje Russo entra na história da saudade e, triste por não poder ido ao seu sepultamento, digo a Consuelo que ela perde um marido amado e nós, amigos e companheiros, perdemos um dos personagens do nosso alegre futebol, que por sinal está muito triste neste ano de 2015, alguns já se foram e agora só nos resta contar suas histórias incríveis e extraordinárias. 

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