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Soldado 42: Magalhães

O pior de chegar a terceira idade é o medo de perder o que há de melhor nesta vida, os amigos. Este 2008 me deu susto, me trouxe tristezas com os falecimentos de Luis Delco e Gustavo Rabelo, tio e sobrinho, duas gerações distintas, mas cada um com um lugarzinho guardado neste peito rasgado por uma cirurgia salvadora realizada em março.

Outros se foram, como a Gelsa, irmã de meu amigo Gilson, ausente há alguns anos do nosso convívio, mas sempre presente em nossa lembrança, aliás lembrança que hoje está detonada com a notícia da morte do Olegário Siqueira Magalhães, o nosso Olegarinho, o soldado Magalhães, número 42, do nosso TG 217. O Olegarinho bom de dança, bom de papo e um grande companheiro dos longínquos anos 50 ou 60, quando ainda crianças fazíamos nossa festa na Praça Dona Ermelinda ou nos gramados da prefeitura.

Éramos um grupo unido e fraterno. Júlio, Thiara, David, Olegarinho, Gilson, Gilberto, Chuta, Rogério, Valadão, Cagiano e tantos outros que vão chegando a minha mente e o pensamento é cortado quando me lembro de nosso comandante, o Sargento Couto, que está lá em cima recebendo seu Soldado Magalhães, um baixinho ruim de tiro mas ótimo de cabeça e coração. 

Quando o Ralph me passou a notícia eu fiquei tranqüilo, talvez já esperando pelo pior, a última sobre ele não tinha sido nada agradável, mas em poucos minutos a dor tomou conta deste peito aberto e as lágrimas não demoraram a chegar neste rosto que durante muitos anos sorriu com as piadas e as tiradas interessantes do nosso Olegário.

Diziam que eu dançava bem, sei disto e não tenho a modéstia de dizer o contrário, mas Olegarinho era um bom pé-de-valsa, aliás puxou o João Rosquinha, seu irmão, que era um excelente dançarino, mas o mano não fazia feio e, nos bailes no Clube Social de Pádua, era um dos primeiros a puxar a dama para o meio do salão e iniciar as contra danças. 

Muitos plantões lado a lado, não se assustem, não foram plantões médicos, eram jornadas noturnas na sede do TG 217 e eu, como cabo de guarda, o tinha sempre no comando e os plantões com ele ao lado era a certeza de que o sono não chegaria. Sempre alerta e sempre amigo ele despertava quem pensasse em tirar uma soneca em serviço ou a espera de suas duas horas do plantão à porta da velha sede do nosso Tiro de Guerra.

Nossa turma era boa de bola, Thiara, Júlio e David eram os craques, nós outros éramos os esforçados e até nos destacávamos, porém o Olegarinho era ruim demais e nisto não puxou um dos manos, Genuíno, um dos melhores jogadores que vi jogar em toda minha vida esportiva. Ele ia com a gente para as peladas, mas nem mesmo no TG, onde todos jogavam tudo, o cara não tinha lugar entre os reservas, pelo menos. Era sofrível com a bola nos pés ou nas mãos.

O que me deixa assustado, meu amigo Olegarinho, é que o tempo passou prá você e nós, seus amigos, não tivemos nem tempo de nos despedimos , você estava longe e distância nos impediu o último abraço, mas com certeza, não terei uma última lembrança de ti e guardarei com carinho todos os momentos felizes em que estava ao meu lado, dançando, rindo, contando piadas ou cantando, com esta voz desafinada, o Virundum ou Mula Preta, seus hits favoritos. 

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