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Os filhos de Manoel Rogério

Estou prometendo a mim mesmo que precisava contar por aqui as histórias da família Nascimento, que tem o saudoso Manoel Rogério como líder. Os filhos, se não puxaram muito o talento artístico do pai, um marceneiro de alto nível, o exemplo, para quem não sabe, são os móveis da nossa Igreja de Santo Antônio, a Matriz de Miracema, que foram executados por ele, nasceram com uma veia de boleiros de fazer inveja a muitas famílias da terrinha. 

No meu ponto de vista, e também de quem o viu jogar, principalmente o José Maria de Aquino, o craque da família foi o Cleto, que nos deixou recentemente, um toque fino, inteligência a serviço dos companheiros, que ficavam sempre com o gol a disposição para marcar um gol para o Tupã, paixão de todos estes rapazes do Seu Manoel Rogério.

Seu Nézio, vizinho da família, sempre me dizia que Cleto era gênio da bola e gostaria de vê-lo no Botafogo, mas naquele tempo era difícil sair da terrinha para tentar a vida na cidade grande ou em um time da capital. Cleto ficou por Miracema exibindo-se para a torcida que lotava o Campo do América ou o Estádio Municipal.

O Bilu, que se não foi artista da marcenaria como o pai, depois de velho usou um outro talento, artes plásticas, segundo a minha mana Eliane, que tomou algumas aulas de pintura com ele, seria um grande artista se descobrisse mais cedo o dom e pudesse estudar em uma faculdade apropriada. 

Bilu foi um bom ponta esquerda, cheguei a jogar com ele no Miracema, e sempre usou o drible e a velocidade como arma mortal. Otavinho fez muitos gols com bolas roladas pelo ponta e Milton Cabeludo cansou de cabecear, certeiramente, as bolas alçadas na  área pelo arisco Bilu.

Careca (foto comigo e sua esposa Lurdinha) é meu contemporâneo, exímio cabeceador, talvez o melhor de todos os tempos na cidade e um dos dez melhores entre todos que vi jogar até hoje, uma impulsão incrível e uma força terrível no cabeceio. Bom goleador nos gramados e um bom cestinha nas quadras de basquete, soube tirar proveito da sua altura e sempre era elogiado no campo e no cimento pelo professor Nézio Castro.

O Hélio, professor respeitado na cidade, tiver o prazer de ser seu aluno, também andou jogando sua bolinha, era um bom atacante e com um bom passe, nas peladas do Ginásio Miracemense tinha seus fãs e não ficava fora das escolhas no par ou ímpar, sempre calado, mas com um gênio forte e por isto as vezes se portava como líder positivo.

Conversei com o Fernando Nascimento sobre o passado futebolístico do seu Manoel Rogério, se a veia era boleira, mas o meu mentor não soube me informar e assim como não tenho notícias de que o Ney, outro membro da família Nascimento, jogou em um dos times da cidade, não me lembro dele nem mesmo nas peladas, mas dizem que também batia uma bola de respeito e tinha um faro de gol como o mano Sérgio Roberto, o Careca.

E a outra geração? Craque com C maiúsculo era o Biluzinho, excelente no lançamento, inteligente com a bola nos pés, arisco como ponteiro e dono de um chute certeiro e quase mortal quando acertava da entrada da área. Foi um dos ícones do Bandeirantes e do Brasil, onde com o irmão Fabinho, lateral direito, jogou por longos anos. Dizem até que o Biluzinho era o clone do Tio Cleto, e eu assino. 

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