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Duas histórias, duas goleadas e dois abandonos - Parte 2

E a segunda narrativa prometida era sobre minha trajetória curtíssima como treinador, foi apenas um jogo para aceitar o convite do Maninho e do José Luis da Silva, que me entregaram o comando da seleção de Miracema, que iria enfrentar a seleção de Aperibé, lá no estádio temido e odiado por todos da região.

Eu disse para o Maninho e o Zé Luiz: - Aceito, mas tem que ser do meu jeito e vou chamar quem eu acho que merece ser seleção. - Carta livre para você, faça o que quiser.

Apenas um treino, na terça-feira, véspera do jogo, para definir posições. Foi mais conversa do que bola rolando. Escalei logo o time, como João Saldanha fizera na Seleção do Brasil, disse quem seriam os titulares e perguntei a cada um deles o que gostaria de fazer no jogo.

Respostas dadas e esquema montado. Expliquei que todos teriam liberdade para atacar, defender, faze gols e só não queria que a vaidade tomasse conta deles, parece que estava adivinhando um Barcelona no futuro e lá foram Lolinha, Fernando, Tindê, Diquinho e Luiz Carlos, Taxinha, Dequinha e Pestaninha, Beto, Ronzê e Guguta enfrentarem o temido time de Aperibé. 

Bola rolando e antes mesmo do cronômetro dar a primeira volta e o placar foi aberto, Guguta, em jogada de Taxinha. Mais cinco minutos outro gol, não me perguntem porque não me lembro quem marcou os outros tentos, outros cinco minutos mais um gol e com 3x0, antes dos quinze do primeiro tempo, a seleção de Aperibé já brigava entre si e esqueceram até dos famosos pontapés que distribuíam quando estão perdendo.

Confusão na beira do gramado, não entre as duas delegações, mas entre os dirigentes e torcedores de Aperibé. Jogo paralisado por cinco minutos ou mais. Segue o jogo e, com um outro gol, desta vez uma jogada inesquecível, todo time tocando a bola desde a nossa área até o gol adversário e... Aconteceu. 

O técnico aperibense jogou a toalha e o jogo acabou com dezoito minutos do primeiro tempo. Miracema 4 x Aperibé 0 sem apelação, sem violência, sem brigas e, o que é melhor, sem contestação alguma por parte dos perdedores. Até hoje eu ouço de um amigo de lá: “Foi a melhor exibição de um time, em todos os tempos, lá em Aperibé”. 

E eu entreguei o cargo e até hoje vivo contando esta história vencedora, mas pela primeira vez boto aqui na coluna para homenagear duas gerações de ouro do futebol miracemense. 

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