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Rei Nasci, meu querido companheiro

O espaço desta semana vou preencher com um relato sobre um grande companheiro, daqueles que me tocam o peito e preenche todos os requisitos daquilo que chamamos de amigo, cuja amizade vem de longa data, lá dos longínquos anos 60, e se transformou em mestre, parceiro de música e de bola, e, principalmente, no grande incentivador de minha carreira profissional, artística e radiofônica. 

Fizemos sucesso no Fecami, o Festival da Canção de Miracema, ele com suas composições e, este que vos fala, ensaiando os primeiros acordes como cantor, não lá grandes coisas, mas conquistando o primeiro troféu de “Melhor Intérprete” de nosso Festival da Canção.

O grande sucesso deste menestrel miracemense, sem dúvida alguma, é um hino e pode ser muito bem cantado nestes momentos de grandes manifestações populares, foi tema da Escola de Samba Unidos de Todas As Cores, em sua primeira investida pela passarela do samba da Marechal Floriano, e conta a história de Dona Ermelinda e seu filho Manoel.

Juntos conquistamos os gramados das peladas do Ginásio, do Buraco da Égua e do antigo campinho onde hoje estão o Snob’s e as indústrias da cidade. Juntos fizemos serestas maravilhosas na nossa Miracema ou em cidades vizinhas, onde o silêncio noturno era quebrado pelo seu violão e pelas vozes dos seresteiros amigos e apaixonados.

Juntos contamos a história do futebol de Miracema nas ondas da Princesinha, e nada mais justo do que o seu slogan, “o comentarista que abraça o povo”, perfeito, não sei quem foi o dono da ideia, acho que foi o Ralph, naquelas visitas surpresas e nas suas surpreendentes tiradas.

Meu grande professor lá no Colégio de Pirapetinga, onde foi descoberto como mestre da língua portuguesa, meu grande incentivador e professor quando mais precisei de seus ensinamentos, entrei no Banerj por concurso e ele, meu querido companheiro, não poderia estar ausente na hora de aprender o português mais correto e a gramática mais perfeita.

Já descobriram? Ah! Tem a foto com seu eterno companheiro violão, logo ali acima, que não deixa dúvidas que estou falando de Fernando Nascimento de Oliveira, professor, doutor, catedrático, como diria José Nunes da Fonseca, intelectual, como citaria em suas prosas meu primo Marquinhos Sambaré, amigo de seus amigos e leal com sua Yolanda durante anos e anos, pai presente e um grande cara.

Meu grande e querido companheiro, te devia esta homenagem, em transformar em prosa toda nossa amizade fraterna e sincera, e sabe porque? Você é um dos responsáveis por tudo o que aconteceu comigo, e, mesmo dizendo que não entende, pode acreditar, foi um grande espelho para eu seguir caminhando, cantando, bailando e vivendo a vida intensamente, és um grande exemplo para sua família e um grande cara para seus amigos.

Você se lembra o quanto sofremos em Palma, durante do Festival da Canção? Quando soltei a voz e cantei para uma platéia ávida por novidades os versos que jamais esquecerei: “Triscou e calou sua voz”, alguém não entendeu e puxou uma vaia, e, lá do canto, você e Ana Maria me incentivaram a continuar e  transformamos as vaias em aplausos e quase chegamos no pódio. Faltou pouco.

Meu parceiro preferido nas peladas, “toco e me vou”, dizem os jogadores do Barcelona nos dias de hoje, mas mal sabem eles que lá na década de 70, nas nossas peladas com o Alvorada, já fazíamos isto e sempre terminava em gol, meu ou seu, e em um abraço alegre e contagiante.

E para encerrar, Fernando Nascimento, o Rei Nasci, está vivo e inteiro, digo que o texto é para retratar um cara, que um dia ajudei a ser vereador da cidade e um grande líder de seus eleitores, e que estamos nos devendo uma boa roda de seresta, que aliás ele continua fazendo e só não estou presente por falta de oportunidade. 

Aquele abraço amigo.



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