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O papo é sobre craques peladeiros

Sempre quando leio, ouço ou vejo na telinha da tevê crônicas de Nélson Rodrigues, Armando Nogueira, Mário Filho, Sandro Moreyra ou outros monstros do jornalismo brasileiro eu viajo pelo mundo da bola e me encontro nos campos de pelada do Ginásio Miracemense ou na quadra do Rink, ali no Jardim de Miracema.

Já me peguei plagiando Nélson Rodrigues ou Armando Nogueira, me vi espiando textos de Mário Filho ou Sandro Moreyra para eu buscar inspiração para alguns textos para o Dois Estados ou para os meus blogs, e garanto que sempre sai algo de bom, pelo menos eu acho assim e tem gente que aprova sem restrições.

Hoje, por exemplo, olhando aquelas matérias de O Globo, dos sábados, escritas pelo jornalista Sérgio Pugliese, vou longe e meu pensamento viaja pelo tempo até subir o morro e aterrissar no Campo de Aviação e dali descer até o Buraco da Égua, onde o Alvorada, liderado pelo Fernando Nascimento, ou o Internacional, comandado pelo Osvaldo de Aquino, o Dibreu, reuniam os peladeiros para o “racha” da madrugada.

Eu e meu cunhado Arthur trocamos alguns dedos de prosa sobre estas peladas, no último sábado, lá na minha Miracema, demos giros incríveis no tempo e “jogamos’ peladas virtuais nos campos de soçayte da terrinha. João Moreno, João Leitão e Gutemberg Damasceno emprestavam seus “estádios’ para os ex-boleiros correrem atrás da bola, ora maltratando a pelota, ora agradando e acertando pé em uma jogada de efeito.

Adalberto, meu genro, até tentou ensaiar algumas lembranças de seus tempos de São João Del Rei ou Niterói, mas ficou só na lembrança, não conseguiu achar sequer uma jogada que pudesse dizer que ficou marcada por sua passagem pelos campos de bola. “Esta realmente não era a minha praia, prefiro ouvir vocês”, comentou o mineiro ruim de bola e bom de papo.

Ali, no Armazém do João Rihg, onde se reúnem caçadores, pescadores, peladeiros e outros mentirosos, não é raro um papo que tenha como tema as peladas nestes locais sagrados da terrinha já citados nos parágrafos acima. Arthur, que foi um peladeiro de alto nível, mas quando as pernas não obedeciam era melhor ficar longe dele, conta causos que um dia botarei aqui, Zé Pestana tem os seus momentos de sucesso e Celso, o filho do Maninho, também gasta seu tempo em prosas sensacionais ali naquele pedaço do Bairro do Hospital.

O duro é você olhar para o balcão e ver dois filhos de grandes peladeiros, que um dia foram astros do Miracema FC, Nenenzinho e Déia, ambos, infelizmente, já morando no Oriente Eterno, ouvindo nossas conversas e servindo de inspiração para nossas lembranças. Duro é você não ter o Dibreu para te ajudar nas lembranças de seu Internacional, time por ele criado e que antes do jogo, na beirada do gramado, ele tirava a camisa 11 e dizia: “Esta é a minha, vamos ver quem são os outros dez”. 

Mas a famosa mesmo, aquela que todos nós temos histórias ou causos, é a Pelada do Ginásio, onde craques não vingavam, exceto o Genuíno, e os caneludos e butinudos faziam sucesso. Os irmãos Linhares, César, que também está em outro oriente, Marquinhos e Mamaca são personagens constantes e cada um com seu cada um, quem não se lembra dos cruzamentos perfeitos do César, das homéricas matadas no peito do Marquinhos, ou das atitudes do Mamaca quando perdia um lugar no time ou a partida?

Craques como Miguel, Júlio, Arani, bons jogadores como Ivan, Luizinho, Ginado, e goleiros incríveis como Zé Bolão, Luxo ou Eduardo, eram os primeiros a serem chamados no par ou impar e o resto, como Hamiltão  ou seu irmão João, ambos Damasceno, ganhavam vaga no grito e na marra.

Sobre as peladas do Rink, ali no Jardim de Miracema, eu já contei e recontei neste espaço por estes longos anos de crônica no jornal Dois Estados e pelo meu blog, mas ainda tem um belo repertório para ser revisto e escrito e por isto preciso de mais viagens à terrinha e alguns copos de cervejas para meus entrevistados. 

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