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A memória da bola está viva

Falar de futebol é bem mais fácil do que traçar algumas linhas sobre política ou sobre a cidade. No futebol, da maneira que coloco por aqui, muitos me procuram para contar os causos, lembrar alguém ou perguntar por este ou aquele amigo que brilhou nos gramados da cidade. 

Comentar sobre política, principalmente em cidade como a nossa, pequenina  e esquentada, sempre nos leva a perda de um amigo, de uma conversa não terminada e até a inimizades ferrenhas.

No último feriado estive por aí e tentei argumentar que muitos ex-prefeitos ou líderes da cidade, não eram homenageados pelo povo da forma como deveriam e senti que praticamente todos, mas todos mesmos, sem nenhuma exceção, foram guardados no lugar mais fundo da gaveta da preservação e, pelo visto, jamais serão retirados de lá.

No primeiro papo sobre o tema eu ouvi: “Larga d”Ilson”, na segunda tentativa um “nem toca neste assunto, já era, deixa pra lá”. Na terceira: “continue falando de futebol, garanto que você não se aborrece”. Então desisti e minhas campanhas para revigorar a memória política de Miracema está encerrada e não se fala mais nisto. 

Ainda bem que nas conversas sobre futebol tem sempre alguém para contar uns causos do Jair Polaca, lembrar do Gerson Coimbra, do Clarindo Chiapin, do Jacy Moreira, dos irmãos Nilson e Dalton Moreira, do Altino Monteiro e tantos outros que foram heróis para o nosso futebol ao comandar times como o Esportivo, Tupã, Vasquinho e da Usina Santa Rosa, homens que deixavam de lado seus afazeres profissionais para dar aos amadores da bola condições de correr atrás dela pelos campos da região.

Felizmente podemos conversar sobre o futebol de um passado não muito distante e saber que o velho e bom amigo Toninho Garrinchinha, um dos bambas do Operário FC, ainda está entre nós e me devendo uma prosa para eu contar suas aventuras pelo tricolor de Miracema e falar como eram as coisas no seu time e no seu tempo.

Belo jogador era o Toninho Garrinchinha, um cara simples, do bem, que falava pouco e agia como um verdadeiro líder dentro do gramado, suas pernas tortas, que lhe renderam a herança do apelido do Garrincha famoso, não atrapalhou seus movimentos na infância e na juventude, apenas o tiraram do TG 217, que poderia ter seu reforço no time de sua geração.

Ainda bem que contam causos sobre jogadores que fizeram a magia de um futebol quando a televisão ainda não reinava absoluta e o amante do esporte podia lotar o Estádio Municipal Plínio Bastos de Barros para ver Milton Cabeludo, craque que dispensa comentários para os mais antigos e precisa de explicações para os mais novos, que não tem como saber quem foi Milton Cabeludo, afinal no nosso futebol também não tem a tal memória que cobro para nossos líderes.

Que sorte a minha poder contar por aqui que vi Braizinho jogar. Quem foi Braizinho?  Algum de vocês já viu os vídeo tapes das atuações de Tostão, o craque do Cruzeiro? Eu creio que um é a semelhança de outro e para mim ele, Braizinho, foi um ídolo e ainda está por aí para contar seus causos e vitórias para quem quiser ouvir. 

Na próxima visita a cidade eu gostaria de me sentar com Braizinho e o Toninho Garrinchinha, com um gravador ligado, para ouvir histórias fantásticas do Operário e do Rink e de como dois craques se sentem após tantos anos esquecidos por todos aqueles que um dia bateram palmas para suas jogadas espetaculares.

Pelo menos por aqui meus amigos e meus ídolos estão sempre em evidência e são reverenciados por todos os leitores do blog e do Dois Estados. Aqui tem memória com um chip de 500 giga bites. 

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