domingo, 30 de junho de 2013

Republicação: A nuvem do Polaca

E
Esta crônica foi publicada, aqui neste espaço, em dezembro/2008.

A turma lá de cima parece que está com saudades da bola e com inveja daqueles que por aqui ficaram e fazem a festa neste final de ano. Sentado em sua nuvem particular, com mulatas, samba e um campinho particular, Jair Polaca mandou uma mensagem para Milton Cabeludo o convocando para um "papo cabeça" no seu cantinho.

Cabeludo foi e levou com ele o Juarez Beiçola e outros contemporâneos. No caminho pegaram o Pernoca e o Lauro, que estavam no entorno da nuvem do Silvinho, que tinha saído para visitar o pai, Maninho, que em outra parte observava os craques que chegavam para conversar com São Pedro.

Maninho foi localizado e levado para a nuvem do Polaca, que neste momento fazia uma ligação para o Gérson Coimbra já que a coisa fugiu do controle e precisava de uma organização no reduto. Seu Gerson chegou, botou a casa em ordem e começou a delegar poderes, mas para isto precisava da ajuda do Clarindo, que não fora localizado até aquele momento.

E a notícia do encontro se espalhou rapidamente e foram chegando os craques para uma pelada triunfal. Pintinho, com seu passo lento e tranquilo, chamou o Nenenzinho, que bateu uma mensagem para o Edil e todos seguiram rumo à nuvem do Polaca na maior prosa.

Nenenzinho queria saber se depois poderia colocar a fantasia de “mulinha” e sair pelas nuvens dançando e chamando a velha turma do “Fogaréu”. Nada disto, gritou o Cosme, se quiser samba terá que convidar o Zé do Carmo também e ele está preocupado com a pelada de hoje. “Samba é para o carnaval e é, comigo mesmo. O Mocinho e o Fota já estão de sobreaviso”, disse o garoto que na terra ajudava o pai no comando da Unidos no Samba e Na Cor.

E os peladeiros foram chegando pouco a pouco, sem chuteiras, sem lenço ou documentos e o anfitrião já estava com seu livro de ouro rodando pelas nuvens, já tinha apanhado uns trocados com o Jamil Cardoso, Zé Carvalho e Nilo Lomba, seus amigos da prefeitura. E na passagem pela ala dos prefeitos o Maninho chamou o Olavo Monteiro para dar uma forcinha no meio campo de seu time, que teria, segundo ele, alguns craques da capital, levados pelo Caixa D’agua e com o aval do Luiz Linhares, que a esta altura já fazia movimentação política no local.

O trio do Rink, Silvinho Moreno, Valcir Leite e Marcone Daibes, se animou e também armou uma lista de convidados, João Moreno e seu sobrinho Joltran, dois craques das peladas do Ginásio, se apresentaram imediatamente. A pelada prometia e ao que parece já tinha gente demais e faltava um homem para apitar. Pensaram em trazer um árbitro de outra nuvem, bem neutro, mas não tinham grana para levar um destes famosos e o jeito foi entregar o comando para o Rosário Mercante, que pelo menos tem crédito e sempre foi daqueles caras sérios quando apitava nos campos de grama aqui na terra.

Dirigentes demais reunidos e Caixa Dágua queria fundar uma liga das nuvens, mas foi rechaçado pelo Luis Delco, mais novo no pedaço, que não queria um estranho no ninho e por isto foi chamar o Salim Bou-Issa para organizar a coisa, mas Altair Tostes passou rápido no espaço destinado as autoridades, bateu o martelo e decretou que a reunião seria entre colunas e o Farid Salim e seus manos José, Nacif e Jofre, cuidariam da alimentação enquanto o jovem Gustavo Rabelo cuidaria das camisas e das súmulas.

A turma se espalhava pela nuvem do Polaca, onze para cada lado e um punhado de reservas esperando vez no entorno do pedaço e aos poucos os dois treinadores foram chegando ao time correto e a festa estava pronta para ter o seu começo.

Faltou espaço aqui e na nuvem do Polaca. Muitos queriam entrar em ação e o jeito foi fazer um torneio, tipo aqueles antigos Torneio Início, e a bola rolou macia durante todo o dia de Natal.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Os tipos inesquecíveis do Erasmo Tostes

Estou na terrinha desde cedo, hoje é quinta-feira e aposentado tem estas prioridades, deu vontade de vir até aqui e venho, não tenho nada que me prenda a Campos, exceto quando a neta precisa de alguém que substitua a mãe na hora de cuidar da guria, no mais nada a fazer, e, seguindo o conselho do Zé Maria de Aquino, cá estou sempre que posso ou me “dê na telha”.

E é só chegar por aqui e começam as “cobranças” dos amigos sobre o que escrevi, o que vou escrever e o que tenho em pauta para as próximas colunas. Sentei para almoçar no Bar do Cabeção e o assunto, como sempre, é a coluna da semana no Dois Estados, cheguei no jardim, para aquela visita rotineira ao meu lugar favorito em Miracema, e o Sabiá pergunta: “Quando é que você vai contar minha história aqui no parquinho?”

Na Kiskina, na hora do lanche, recebo o jornal da Tia Ricarda e do Jadinho Alvim, Liberdade de Expressão, e vou logo na página onde a June Carvalho escreve suas histórias e na central, onde o Erasmo Tostes conta seus causos e histórias, claro que passando pelos demais escritores e poetas da cidade, que ilustram meu conhecimento e me enchem de alegria com seus textos excepcionais, hoje, por exemplo, li o José Geraldo Antonio, o Lalado, contar sobre os bancos do jardim e traçar um paralelo ente o ontem e o hoje.

E como sempre a inspiração chega com estas leituras, principalmente com o Erasmo, quando ele cita os vultos eminentes e pitorescos da minha Miracema. Na edição que recebi esta tarde foi bonito ver, na coluna Tipos e Fatos Inesquecíveis, o autor falando do Vicente Dutra, dos irmãos Salim (Bar Pracinha), do Zé Careca donos dos bares tradicionais da terrinha e aí eu me lembro do Amado, um daqueles que hoje chamaríamos de “pé sujo”, freqüentado por gente de sapato engraxado, chinelo de dedo, tamanco ou mesmo pés descalços.

Gostoso ouvir, quer dizer ler, o Erasmo falar do Olegário, do Garibaldi, da dona Otera e do seu Mário, padeiros que acordavam cedo para servir a comunidade com seus pães, que saiam do forno na madrugada de segunda a segunda. Muito bom relembrar do seu Pedrinho Soares, o pai da minha querida Tia Maria, em cuja chácara me fartei de chupar frutas deliciosas , e com um detalhe, retirada dos pés sem sequer passar pela água, não havia nenhum veneno que impedia nossa degustação sentado ao chão do pomar.

Saber que vamos sempre nos lembrar do Neca Solão, da Isabel dos Cachorros, do folclórico e genial Paraoquena e do Raul, que detestava ser chamado de Juquitina  é sempre muito prazeroso. E quando chegou nos farmacêuticos e dei um tempo para minha emoção, era hora de recordar do Seu Scilio Faver, qnosso “médico”, nosso protetor.

Nasse momento  me remeto aos tombos levados nas peladas do Rink, das cabeças rasgadas e dos dedos cortados nos paralelepípedos que serviam de campos para nossos “rachas”. Ah, Seu Scilio, como o senhor me salvou dos tapas do Zebinho me tratando legal e me levando para casa para me proteger. 

E por aí o Erasmo Tostes vai me levando de volta ao passado, de volta aos bons tempos e me faz também parar novamente entre os padeiros da cidade, Seu Adelino, onde o Zebinho assava os bolinhos e as broas e por lá chegava cedo para prosear com o Jorge e ficar na espera dos tabuleiros, que eram levados para casa sobre a cabeça, no exercício de equilíbrio em cima de uma bicicleta. 

E as caronas nos carros de praça, nome dado aos hoje famosos taxis? Deixava para comprar o jornal, na Banca do Seu Amaral, justamente na hora do almoço para que eu pudesse voltar na carona do Zé Barros, do Belo ou do seu Teodoreto, trio de veteranos choferes de praça e homens educados e pais de grandes amigos meus, como o Júlio, o Batista, o Quinca, o Abelardo, o Fernando e outros filhos do Belo.

Paulo Pires, alguém aí do outro lado ficou parado na Rua Direita enquanto o famoso comerciante dançava o frevo nos carnavais de Miracema? Meu bom amigo Michel Salim, meu incentivador e lojista conhecido em toda região, quanta saudade me dá. E as histórias do Napoleão, tido como o grande mentiroso da cidade, você já ouviu a mais famosa dele? Não? Então eu conto, para encerrar porque o espaço está acabando:

- Napoleão, conta uma mentira aí! 
- Não posso, a casa do Marcelino está pegando fogo e vou chamar minha turma para ajudar apagar o fogo.
Todo mundo correu e... Era mentira, e quando quiseram pegar o pedreiro no tapa ele, ironicamente, respondeu: - Ué, não pediram para eu contar uma mentira?

Depois eu conto mais. 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Resposta para um intruso curioso

Estava eu sentado e saboreando uma esfirra, no balcão da Kiskina, lá na terrinha, em uma prosa legal com dois amigos da velha guarda, o assunto era as viagens que fizemos ao longo de nossas aposentadorias, quando fomos abordados por um quarto amigo com uma pergunta: “O que vocês veem quando viajam, eu não vejo nada demais nestes passeios”, mandou sem ao menos dizer bom dia! 

Fiquei um pouco calado, procurando uma palavra para responder, mas como sou o mais radical do trio de viajantes esperei pelos dois antes de me pronunciar. O silêncio irritou o chegante, que insistiu na pergunta e queria a resposta dos amigos, mesmo que estes estivessem com a boca cheia e falar com a boa cheia é falta de educação.

Como ninguém falou fui obrigado a dar o meu recado para o apaixonado por Miracema, segundo ele mesmo diz, e  que não sai da terrinha por nada neste mundo. Naqueles dois minutos em que esperei para responder não pensei em outra coisa que não fosse mostrar, com palavras, o que nós, os amantes das viagens,  encaramos por onde passamos, seja aqui ,no Brasil ou lá fora, no exterior.

Acabamos o lanchinho matinal e por isto ficamos livres para continuar a prosa. Chamei os amigos para caminhar um pouco pela Rua Direita em direção ao Jardim de Miracema, para que eu mostrasse ao nosso contestador algo que comparasse com o que vimos em nossas viagens por aí por este mundo de meu Deus.

Saímos da Kiskina e apontei para frente, o prédio onde está o INSS, e apontei para cima, o andar de cima do prédio onde estávamos, a residência de Dr. Assed Efren Kik, e disse para ele: Em qualquer lugar do mundo estes prédios estariam tombados pelo patrimônio histórico e estariam pintados, reformados e usados como ponto turístico. Citei o exemplo de Varsóvia, 95% destruída durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial, que foi reconstruída exatamente como era e hoje é um pólo turístico que atrai milhões de visitantes durante o ano.

Fomos subindo e fui mostrando o que a cidade tem e comparando com o que vimos em nossas andanças, os dois companheiros concordavam comigo e o “intruso” já começava a questionar e a fazer perguntas incríveis, como: “Lá fora vocês não veem calor humano como a gente vê aqui”, aproveitou a oportunidade de dar o seu pitaco ao ver que, de dez em dez metros, um amigo parava o quarteto para um abraço e para um olá.

Certo, mas não saímos daqui par sentir o calor do nordestino, do sulista, do nortista ou dos europeus, saímos para ver os castelos, os cassinos, os museus, as praças como esta nossa daqui, estávamos chegando a Praça Dona Ermelinda, meu local preferido na cidade, que se estivesse em qualquer capital da Europa seria bem melhor tratada do que hoje, veja só, mostrei ao “intruso” o descuido que a municipalidade tem com a nosso Fonte Luminosa (no dia em que vimos estava bem descuidada);

Este jardim é belo e poucos lugares tem um como este, disse eu e, finalmente, recebi um oba e um sorriso do nosso contestador. Este jardim, esta praça, se fosse lá no Sul Brasileiro, estaria funcionando dia e noite jorrando água e mostrando a beleza da fonte inaugurada na década de 60 pelo então prefeito Altivo Mendes Linhares. Hoje, não sei porque, está ali servindo apenas de enfeite e nos dando motivos para recordações.
Andamos um pouco mais e chegamos até a Igreja de Santo Antônio, que está em reforma e torcemos para que seja restaurada de acordo com o que era e que os responsáveis abram as portas para visitação e que a secretaria de turismo da cidade a use como cartão postal de Miracema.

Aí fiquei sabendo que a Prefeitura deixou o tradicional prédio, em frente a minha velha residência, e foi para o antigo fórum, na Av Nilo Peçanha. E o prédio velho, o que será? Um museu? Um local de visitação e de turismo? Perguntei ao contestador e não obtive resposta.

Aliás e a propósito, onde está o “intruso”? Os meus dois companheiros estavam comigo e o quarto, aquele que contestou nosso gosto por viagem, já tinha se mandado sem sequer dizer adeus. E então eu pergunto daqui, para quem possa me responder: O que temos no velho prédio da Prefeitura, um museu? Um local de visitação turística? 

domingo, 23 de junho de 2013

Rei Nasci, meu querido companheiro

O espaço desta semana vou preencher com um relato sobre um grande companheiro, daqueles que me tocam o peito e preenche todos os requisitos daquilo que chamamos de amigo, cuja amizade vem de longa data, lá dos longínquos anos 60, e se transformou em mestre, parceiro de música e de bola, e, principalmente, no grande incentivador de minha carreira profissional, artística e radiofônica. 

Fizemos sucesso no Fecami, o Festival da Canção de Miracema, ele com suas composições e, este que vos fala, ensaiando os primeiros acordes como cantor, não lá grandes coisas, mas conquistando o primeiro troféu de “Melhor Intérprete” de nosso Festival da Canção.

O grande sucesso deste menestrel miracemense, sem dúvida alguma, é um hino e pode ser muito bem cantado nestes momentos de grandes manifestações populares, foi tema da Escola de Samba Unidos de Todas As Cores, em sua primeira investida pela passarela do samba da Marechal Floriano, e conta a história de Dona Ermelinda e seu filho Manoel.

Juntos conquistamos os gramados das peladas do Ginásio, do Buraco da Égua e do antigo campinho onde hoje estão o Snob’s e as indústrias da cidade. Juntos fizemos serestas maravilhosas na nossa Miracema ou em cidades vizinhas, onde o silêncio noturno era quebrado pelo seu violão e pelas vozes dos seresteiros amigos e apaixonados.

Juntos contamos a história do futebol de Miracema nas ondas da Princesinha, e nada mais justo do que o seu slogan, “o comentarista que abraça o povo”, perfeito, não sei quem foi o dono da ideia, acho que foi o Ralph, naquelas visitas surpresas e nas suas surpreendentes tiradas.

Meu grande professor lá no Colégio de Pirapetinga, onde foi descoberto como mestre da língua portuguesa, meu grande incentivador e professor quando mais precisei de seus ensinamentos, entrei no Banerj por concurso e ele, meu querido companheiro, não poderia estar ausente na hora de aprender o português mais correto e a gramática mais perfeita.

Já descobriram? Ah! Tem a foto com seu eterno companheiro violão, logo ali acima, que não deixa dúvidas que estou falando de Fernando Nascimento de Oliveira, professor, doutor, catedrático, como diria José Nunes da Fonseca, intelectual, como citaria em suas prosas meu primo Marquinhos Sambaré, amigo de seus amigos e leal com sua Yolanda durante anos e anos, pai presente e um grande cara.

Meu grande e querido companheiro, te devia esta homenagem, em transformar em prosa toda nossa amizade fraterna e sincera, e sabe porque? Você é um dos responsáveis por tudo o que aconteceu comigo, e, mesmo dizendo que não entende, pode acreditar, foi um grande espelho para eu seguir caminhando, cantando, bailando e vivendo a vida intensamente, és um grande exemplo para sua família e um grande cara para seus amigos.

Você se lembra o quanto sofremos em Palma, durante do Festival da Canção? Quando soltei a voz e cantei para uma platéia ávida por novidades os versos que jamais esquecerei: “Triscou e calou sua voz”, alguém não entendeu e puxou uma vaia, e, lá do canto, você e Ana Maria me incentivaram a continuar e  transformamos as vaias em aplausos e quase chegamos no pódio. Faltou pouco.

Meu parceiro preferido nas peladas, “toco e me vou”, dizem os jogadores do Barcelona nos dias de hoje, mas mal sabem eles que lá na década de 70, nas nossas peladas com o Alvorada, já fazíamos isto e sempre terminava em gol, meu ou seu, e em um abraço alegre e contagiante.

E para encerrar, Fernando Nascimento, o Rei Nasci, está vivo e inteiro, digo que o texto é para retratar um cara, que um dia ajudei a ser vereador da cidade e um grande líder de seus eleitores, e que estamos nos devendo uma boa roda de seresta, que aliás ele continua fazendo e só não estou presente por falta de oportunidade. 

Aquele abraço amigo.



domingo, 16 de junho de 2013

A mesma praça, o mesmo sonho, a mesma saudade

Este negócio de conversar ou trocar mensagens pelo face book é um treco viciante e gostoso, principalmente quando encontramos pessoas que comungam contigo sobre os temas comuns a todos nós, tipo lembranças de infância, juventude, bailes, futebol e, principalmente, da nossa terrinha amada e idolatrada por nós. 

Ontem, olhando uma foto postada pelo Reginaldo Constâncio, focando a antiga Praça Dona Ermelinda, com as árvores anãs, o coreto e, lá no alto, imponente e bonita, a Igreja de Santo Antônio o morros e sua antiga escadaria, que um dia um arquiteto resolveu cortar e fazer uma moderna e muito sem graça (vejam a foto ali em cima). 

Aí, meu caro amigo, não há quem resista e não há aquele que não sinta uma dor no peito e uma lágrima cair. Claro, tem gente que não sente nada e ainda dá gargalhadas de quem, com um pouco mais de alma e coração, diz que sente saudades deste ou de outro lugar onde brotam recordações dos momentos marcantes vividos por ali.

Vocês já me conhecem e sabem o como sou saudoso, não saudosista por favor, das minha Miracema e dos meus lugares preferidos. Aqui, nesta Praça Ermelinda, já disse ao Reginaldo Constâncio, eu joguei minhas peladas, com meus amigos Júlio e Gutinho.

No coreto toquei na Banda Sete, ali naquele velho coreto, hoje reformado, obrigado prefeito Carlos Roberto, desci pelas escadas brincando de pique e, tem mais, desci os morros do entorno da Matriz nas cascas de palmeiras caídas e espalhadas no chão do jardim. 

Ah! Bons tempos sem compromissos e com liberdade de ir e vir, obrigado Zebinho Dutra, tempo em que a vida passava devagar, os amigos eram leais, e os são até hoje, as namoradas não existiam nem mesmo em pensamento, e o que nos aguardava estava tudo ali, naquele pedaço de chão da cidade de Miracema, onde tudo acontecia para nós, moradores da Praça Ari Parreiras e imediações. 

A Igreja de Santo Antônio está em reforma e quem sabe não teríamos uma chance de ter de volta aquela escadaria maravilhosa, que hoje, andando pelo mundo, principalmente pela Europa, a gente vê em grandes cidades e em igrejas que já comemoram alguns séculos de existência? Sonho impossível, eu sei, mas o coreto também era apenas uma ilusão e foi repaginado pelo Carlos Roberto.

Pensando bem e olhando atentamente para a foto, enviada pelo Reginaldo Constâncio, até o céu era mais bonito, mais iluminado, embora em preto e branco, a foto nos remete a um lugar sagrado para os garotos do meu tempo e, em a poluição de hoje, dava para ver as estrelas e procurar o Cruzeiro do Sul no espaço celeste. 

Se eu já chorei olhando a foto? Nem pergunte, e sei que você agora, ao ler este depoimento/texto, vai também recordar de muitos momentos vividos por ali, no meu reduto infantil/juvenil, e, tenho certeza, também foi teu um dia. 

Goleiros da terrinha - Parte II

Ainda bem que deixei um recado, no último parágrafo da conversa anterior sobre os goleiros que vi jogar ou que joguei lá na minha Miracema, caso contrário seria crucificado pelos amigos goleiros ou pelos goleiros amigos, como o grande Genésio, meu parceiro de Tupã, de peladas e do Banerj, cujo time salvou em grandes jornadas e em outras... Nem tanto assim, não é mesmo Jorginho Monteiro?

Tenho ótimas histórias e bons causos jogando ao lado ou contra o Genésio, num destes, já contei por aqui, fiz um gol antológico no Tupã, concluindo uma jogada com um soco, na lama da grande área do Estádio Municipal, e me vinguei da entrada dura, sem maldade, do goleirão, que me arrancou a unha do dedão direito. Ganhamos por 1x0 e o Esportivo só não goleou graças a bela atuação de Genésio.

E para lembrar mais uma grande parceria entre mim e o goleiro esquecido, obrigado Amauri Cabeção e Mário do Carmo Costa por terem lembrado de alguns momentos marcantes, e para encerrar o papo sobre Genésio Nunes, recordo com carinho dos títulos dos torneios e campeonatos de futebol socayte de Miracema onde, eu  e ele, jogávamos juntos no Banerj, que aliás merece uma crônica especial, aquele time era bom demais e fez histórias por aí.

Esqueci também do Fernando, o tintureiro, que foi goleiro do Operário e jogou comigo no Esportivo. Era um goleiro instável, dias ótimos e tardes esquecíveis, mas o Macete, que jogou com ele no tricolor, diz que foi um dos bons da cidade. Se o Macete falou, tá falado e ponto final.

E do Beretinha, o que falar? Bom goleiro, que andou substituindo o Genésio no gol do time do Banerj, não com tanto brilho assim, mas era um ótimo parceiro e debaixo dos paus não fazia feio. Nas peladas do Campestre andou até sendo considerado um dos melhores por lá, tem testemunhas Amauri?

Falei dos irmãos Eduardo e Lucho, e me esqueci do mais novo, o Jeovazinho, hoje em Volta Redonda, que era um baita goleiro e também teve seus bons momentos no gol do Esportivo e do Tupã, mas confesso que o esquecimento não foi proposital, apenas não me passou pela cabeça na hora em que escrevia o texto pedido pelo Dois Estados, as pressas. 

Ainda é tempo de lembrar do Júlio Barros, não o craque do meio campo, que era Júlio Fernando, mas o Júlio César, que ensaiava boas defesas nos tempos de Rink, do Ginásio e até chegou a buscar uma vaga no Vasquinho e na Associação. 

E quem mais foi esquecido? Estou fazendo a segunda parte e deve ter uns outros cinco ou seis goleiros, bons e ruins, do nosso futebol que eu passei batido por aqui e vou ser cobrado novamente. Bom isto, afinal eu preciso que alguém me cobre alguma coisa para motivar mais papos de bola e mais comentários nas mesas dos bares da cidade quando por aí chego.

Estou fazendo um tremendo exercício de memória e não encontro outros goleiros que conquistaram fama na terrinha e merecem estar por aqui, neste Papo de Bola agora quase semanal, mas ainda estou disponível para as cobranças, mas não me venham com a turma pós 1985 que eu não vou me lembrar nem a pau.

E, é bom falar, que os goleiros improvisados, aqueles que cobriam a falta de um especialista da posição, como eu no futebol de salão, como o Clóvis Utrine, no Paraíso, o Edil, no Flores, o Evandro, no time da Usina Santa Rosa, ou o frangueiros históricos como uns e outros, que se fantasiavam de goleiros nas peladas, como o Di Breu, e só faziam feio, não terão destaques por aqui, para ganhar notoriedade no  Papo de Bola tem que ser dos bons, tipo Bizuca, Rubinho e outros por aqui citados.

terça-feira, 4 de junho de 2013

O papo é sobre craques peladeiros

Sempre quando leio, ouço ou vejo na telinha da tevê crônicas de Nélson Rodrigues, Armando Nogueira, Mário Filho, Sandro Moreyra ou outros monstros do jornalismo brasileiro eu viajo pelo mundo da bola e me encontro nos campos de pelada do Ginásio Miracemense ou na quadra do Rink, ali no Jardim de Miracema.

Já me peguei plagiando Nélson Rodrigues ou Armando Nogueira, me vi espiando textos de Mário Filho ou Sandro Moreyra para eu buscar inspiração para alguns textos para o Dois Estados ou para os meus blogs, e garanto que sempre sai algo de bom, pelo menos eu acho assim e tem gente que aprova sem restrições.

Hoje, por exemplo, olhando aquelas matérias de O Globo, dos sábados, escritas pelo jornalista Sérgio Pugliese, vou longe e meu pensamento viaja pelo tempo até subir o morro e aterrissar no Campo de Aviação e dali descer até o Buraco da Égua, onde o Alvorada, liderado pelo Fernando Nascimento, ou o Internacional, comandado pelo Osvaldo de Aquino, o Dibreu, reuniam os peladeiros para o “racha” da madrugada.

Eu e meu cunhado Arthur trocamos alguns dedos de prosa sobre estas peladas, no último sábado, lá na minha Miracema, demos giros incríveis no tempo e “jogamos’ peladas virtuais nos campos de soçayte da terrinha. João Moreno, João Leitão e Gutemberg Damasceno emprestavam seus “estádios’ para os ex-boleiros correrem atrás da bola, ora maltratando a pelota, ora agradando e acertando pé em uma jogada de efeito.

Adalberto, meu genro, até tentou ensaiar algumas lembranças de seus tempos de São João Del Rei ou Niterói, mas ficou só na lembrança, não conseguiu achar sequer uma jogada que pudesse dizer que ficou marcada por sua passagem pelos campos de bola. “Esta realmente não era a minha praia, prefiro ouvir vocês”, comentou o mineiro ruim de bola e bom de papo.

Ali, no Armazém do João Rihg, onde se reúnem caçadores, pescadores, peladeiros e outros mentirosos, não é raro um papo que tenha como tema as peladas nestes locais sagrados da terrinha já citados nos parágrafos acima. Arthur, que foi um peladeiro de alto nível, mas quando as pernas não obedeciam era melhor ficar longe dele, conta causos que um dia botarei aqui, Zé Pestana tem os seus momentos de sucesso e Celso, o filho do Maninho, também gasta seu tempo em prosas sensacionais ali naquele pedaço do Bairro do Hospital.

O duro é você olhar para o balcão e ver dois filhos de grandes peladeiros, que um dia foram astros do Miracema FC, Nenenzinho e Déia, ambos, infelizmente, já morando no Oriente Eterno, ouvindo nossas conversas e servindo de inspiração para nossas lembranças. Duro é você não ter o Dibreu para te ajudar nas lembranças de seu Internacional, time por ele criado e que antes do jogo, na beirada do gramado, ele tirava a camisa 11 e dizia: “Esta é a minha, vamos ver quem são os outros dez”. 

Mas a famosa mesmo, aquela que todos nós temos histórias ou causos, é a Pelada do Ginásio, onde craques não vingavam, exceto o Genuíno, e os caneludos e butinudos faziam sucesso. Os irmãos Linhares, César, que também está em outro oriente, Marquinhos e Mamaca são personagens constantes e cada um com seu cada um, quem não se lembra dos cruzamentos perfeitos do César, das homéricas matadas no peito do Marquinhos, ou das atitudes do Mamaca quando perdia um lugar no time ou a partida?

Craques como Miguel, Júlio, Arani, bons jogadores como Ivan, Luizinho, Ginado, e goleiros incríveis como Zé Bolão, Luxo ou Eduardo, eram os primeiros a serem chamados no par ou impar e o resto, como Hamiltão  ou seu irmão João, ambos Damasceno, ganhavam vaga no grito e na marra.

Sobre as peladas do Rink, ali no Jardim de Miracema, eu já contei e recontei neste espaço por estes longos anos de crônica no jornal Dois Estados e pelo meu blog, mas ainda tem um belo repertório para ser revisto e escrito e por isto preciso de mais viagens à terrinha e alguns copos de cervejas para meus entrevistados. 

A memória da bola está viva

Falar de futebol é bem mais fácil do que traçar algumas linhas sobre política ou sobre a cidade. No futebol, da maneira que coloco por aqui, muitos me procuram para contar os causos, lembrar alguém ou perguntar por este ou aquele amigo que brilhou nos gramados da cidade. 

Comentar sobre política, principalmente em cidade como a nossa, pequenina  e esquentada, sempre nos leva a perda de um amigo, de uma conversa não terminada e até a inimizades ferrenhas.

No último feriado estive por aí e tentei argumentar que muitos ex-prefeitos ou líderes da cidade, não eram homenageados pelo povo da forma como deveriam e senti que praticamente todos, mas todos mesmos, sem nenhuma exceção, foram guardados no lugar mais fundo da gaveta da preservação e, pelo visto, jamais serão retirados de lá.

No primeiro papo sobre o tema eu ouvi: “Larga d”Ilson”, na segunda tentativa um “nem toca neste assunto, já era, deixa pra lá”. Na terceira: “continue falando de futebol, garanto que você não se aborrece”. Então desisti e minhas campanhas para revigorar a memória política de Miracema está encerrada e não se fala mais nisto. 

Ainda bem que nas conversas sobre futebol tem sempre alguém para contar uns causos do Jair Polaca, lembrar do Gerson Coimbra, do Clarindo Chiapin, do Jacy Moreira, dos irmãos Nilson e Dalton Moreira, do Altino Monteiro e tantos outros que foram heróis para o nosso futebol ao comandar times como o Esportivo, Tupã, Vasquinho e da Usina Santa Rosa, homens que deixavam de lado seus afazeres profissionais para dar aos amadores da bola condições de correr atrás dela pelos campos da região.

Felizmente podemos conversar sobre o futebol de um passado não muito distante e saber que o velho e bom amigo Toninho Garrinchinha, um dos bambas do Operário FC, ainda está entre nós e me devendo uma prosa para eu contar suas aventuras pelo tricolor de Miracema e falar como eram as coisas no seu time e no seu tempo.

Belo jogador era o Toninho Garrinchinha, um cara simples, do bem, que falava pouco e agia como um verdadeiro líder dentro do gramado, suas pernas tortas, que lhe renderam a herança do apelido do Garrincha famoso, não atrapalhou seus movimentos na infância e na juventude, apenas o tiraram do TG 217, que poderia ter seu reforço no time de sua geração.

Ainda bem que contam causos sobre jogadores que fizeram a magia de um futebol quando a televisão ainda não reinava absoluta e o amante do esporte podia lotar o Estádio Municipal Plínio Bastos de Barros para ver Milton Cabeludo, craque que dispensa comentários para os mais antigos e precisa de explicações para os mais novos, que não tem como saber quem foi Milton Cabeludo, afinal no nosso futebol também não tem a tal memória que cobro para nossos líderes.

Que sorte a minha poder contar por aqui que vi Braizinho jogar. Quem foi Braizinho?  Algum de vocês já viu os vídeo tapes das atuações de Tostão, o craque do Cruzeiro? Eu creio que um é a semelhança de outro e para mim ele, Braizinho, foi um ídolo e ainda está por aí para contar seus causos e vitórias para quem quiser ouvir. 

Na próxima visita a cidade eu gostaria de me sentar com Braizinho e o Toninho Garrinchinha, com um gravador ligado, para ouvir histórias fantásticas do Operário e do Rink e de como dois craques se sentem após tantos anos esquecidos por todos aqueles que um dia bateram palmas para suas jogadas espetaculares.

Pelo menos por aqui meus amigos e meus ídolos estão sempre em evidência e são reverenciados por todos os leitores do blog e do Dois Estados. Aqui tem memória com um chip de 500 giga bites. 

Saudade em onda média

  Mais uma para o baú. Esta semana, uma notícia que todos esperavam — inclusive eu — confirmou que a evolução da tecnologia chegou ao rádio ...