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O Jardim de Miracema


Andar pelo jardim de Miracema é dar uma volta ao passado. Sentar em um daqueles bancos, patrocinados por empresas que desapareceram e que algum dia fizeram o progresso chegar à cidade, é a certeza de lágrimas nos olhos. 


Ver o Rink, mesmo vazio e sem as crianças para iluminarem o ambiente, é como se ali estivéssemos eu, Júlio e Gutinho, correndo atrás de  uma bola de borracha a espera dos amigos para um racha, rápido, antes que um de nossos pais viessem correndo nos chamar para estudar ou coisa parecida.


Ver minha neta, Luna, brincando no Parque Infantil é recordar do seu Waldemar, zeloso guardador do local e que com sua simpatia e paciência, nos enchia de alegria e energia para correr um a um daqueles brinquedos instalados naquele espaço que leva o nome do seu Marcílio Poly.


Naquele coreto, que hoje está refeito e praticamente igual ao original, ainda não subi ou entrei para ver como é que ficou. Não tive coragem, minhas pernas tremeram nas duas oportunidades que tive para visitar a clonagem feita pelo prefeito Carlos Roberto, confesso que em ambas temi por minha pressão, pensei em encontrar por ali o Neca Solão ou ouvir a voz do Mocinho ou os acordes da Banda Sete, com a regência do Maestro Zeca Garcia.


No Jardim de Infância eu passo e já não sinto mais calafrios ou arrepios, vejo as crianças e suas professoras, agora chamadas de “tias” e revejo os dias em que por ali fiquei, brincando de aprender e fazendo arruaças e arrumando “casamento” com minha inesquecível e adorada amiga Marista Felix, e, olhando a foto do evento eu fico com uma vergonha danada, Marista tinha quase dez centímetros a mais que este seu “marido”.


Ah! Lá vem eu falando de saudades e de coisas agradáveis que vem a minha mente. Ah! Lá vem o escriba te dar motivos para sentar, pensar e refletir sobre sua vida maravilhosamente vivida nos anos em que o Jardim de Miracema era praticamente o quintal de sua casa.






Certo dia, ao ver uma antiga foto da Fonte Luminosa, tive a impressão de que o vulto do Capitão Altivo Linhares estivesse pelo outro lado da fonte, impressão apenas ou o velho caudilho estava mesmo a me observar, como se quisesse agradecer por levar para a posteridade aquele lugar bonito que ele criou?


Aquela velha piada do “ignorinho” já correu o mundo, a levei para diversos lugares, mas juro que foi apenas para ter um motivo para falar que na minha Miracema tem um viveiro espetacular e que já concentrou grande quantidade de aves exóticas ou nativas e que José de Carvalho foi um grande prefeito para a comunidade carente da cidade e deixou marcas positivas neste que vos fala neste momento.


Hoje, passando pelo Jardim de Miracema, encontro logo na entrada, quando venho da rua Direita, o Tarcisio Pipoqueiro, que já entrou no folclore da praça e já faz parte do inventário do lugar. É sempre bom ter um dedo de prosa com o Tarcísio, totalmente de bem com a vida e com um sorriso largo no rosto demonstrando que é um cara feliz e de bem com a vida e com a família.


Um dos meus programas preferidos na cidade é sentar em um banco, de preferência sob alguma árvore, que um dia tirei uma folha para fazer um assobio, para ler o jornal do dia ou, como prefiro hoje, digitar alguma coisa no twitter ou Facebook, programas de rede social oferecidos em meu celular.






Se o Jardim de Miracema não é mais como antigamente? Sei não, pergunte as crianças que por lá estão se o lugar trazem ou não felicidade? Daqui a quinze ou vinte anos mude a pergunta: O Jardim de Miracema marcou a sua vida? Garanto que todos me acompanharão nesta resposta. Que felicidade foi ter um jardim como este na minha vida. 

Comentários

Postador disse…
Vou obter a chave e na proxima turnê q fizermos em Miracema vc subirá no coreto.E mais, com um trombone nas mãos!
Valeu, muito legal o texto!
abcs
José Souto
Anônimo disse…
Olá!
Qual não foi minha surpresa em encontrar este blog!
Nasci em uma geração que não se incomoda em manter viva a memória histórica da própria terra e que com isso, perde grandes histórias e se perde também. Hoje, a tão bem comentada Praça Dona Ermelinda ou simplesmente "Jardim" como carinhosamente chamamos, já não é a mesma. Mal guardada e com uma iluminação péssima, a nossa pracinha tornou-se um lugar perigoso, onde jovens de má índole encontram-se para aprontar das suas.
Tenho 23 anos e sinto uma vontade imensa de ter nascido em tempos melhores para Miracema, pois o que vejo atualmente me deixa desgostosa de morar em uma cidade de belas histórias porém tomada de maus elementos.
Adilson Dutra disse…
Zé, acho que não sei nem como pegar o instrumento, mas vamos lá. Ane obrigado, sou um cara que tem saudade

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