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Sob o céu de Paris


Por que Paris chorou tanto no dia em que por lá cheguei? Seria a presença incomoda de alguns asiáticos, que enchem suas praças e monumentos com seus flash e objetivas de alta potencia? Não creio. Me parece que foi apenas uma chance de mostrar que a cidade também é bela sob forte temporal.

E foi assim que vi Paris pela segunda vez. Uma torrencial chuva caia sob a “Cidade Luz” mas não suficiente para deixar o grupo de brasileiros pensando em permanecer em hotel ou em um bar para fugir dos pingos que caiam fortemente sobre toda França.

Repeti o mesmo city tour de 2008, porém, tem sempre um porém, de tão lindo o visual que mesmo repetido parece nos apresentar diferente. E o foi, da primeira vez, em sol de início de outono, a luz natural brilhava e não ofuscava a beleza da Torre Eiffel, que desta vez foi vista, fotografada e filmada sob chuva e, como uma “deusa” lá estava ela imponente e bela. 

A grande surpresa ficou para o final da noite, no Hotel Ibis Bastille, quando dois casais, sentados ao nosso lado no jantar, perguntou:

- Conheço você de algum lugar. De onde vocês são?

- Sou de Campos, interior do Rio. E vocês?

- Por isto que disse que o conhecia, vejo sempre sua foto no Diário. Eu e minha esposa Andréia somos de lá e meu irmão Álvaro e esposa Kely são de Vitória, disse Roberto, proprietário da loja Taco, em Campos.

Foi a senha para que daí surgisse a terceira dupla do grupo e alguns bons programas foram realizados nos três dias de permanência em Paris. Nova visita ao Louvre, passeios a pé pela cidade e, seguindo mapa e placas, na manhã bonita e ensolarada de sexta-feira chegamos até a Catedral Notre-Dame, construída a partir de 1163 em homenagem a Maria, Mãe de Jesus, daí o nome Notre-Dame (Nossa Senhora).

Aos poucos, durante os passeios guiados pela espanhola Beatriz, íamos conhecendo o grupo e nos enturmando com os “habitantes” do ônibus conduzido pelo também espanhol Paco. 

As apresentações eram informais e sem títulos antes do nome, como por exemplo Carlos Ivan, que é médico ou Fabio, que é Juiz de Direito, nada de vaidade pessoal e sim muita confraternização durante todo trajeto, que ali se iniciava, e só terminaria dez dias depois na Alemanha.

Formamos um grupo homogêneo e pontual, o que ajudou bastante nas visitas programadas ou nos passeios extras, que o frio de sete graus em média não interrompeu ou dificultou, muito pelo contrário, era uma atração a mais para os brasileiros amantes de viagens e de novas aventuras que formavam o grupo da Condor, uma operadora européia, baseada em Madrid, contratada pela CVC para nos acompanhar.

Repeti alguns passeios de 2008, mas criei coragem para subir a Torre Eiffel, ver Paris pelo alto e sentei-me em um dos cafés da cidade para curtir o que os intelectuais europeus mais apreciam, o Café de Paris sentado à mesa com um bom livro a ler ou um jornal para se informar sobre o que acontece no mundo atual.

Você pensa que a chuva nos acompanhou? Foram três dias claros e houve até momentos em que me lembrei da música de Edith Piaff, “Sob o Céu de Paris”, que diz, em um de seus versos: “Sob o céu de Paris caminham os apaixonados”.

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