sábado, 17 de setembro de 2011

UM FINAL DE SEMANA NA TERRINHA

Fui até a terrinha encontrar meu velho amigo e guru José Maria de Aquino e, de quebra, pegar carona na confraternização dos amigos de Amaro Cordeiro, convidado que fui pelo anfitrião, através de seu “mosqueteiro” Monteirinho. Vivi um final de semana intenso, que me fez voltar ao passado, mais uma vez, e participar intensamente do presente de uma cidade. 


Varei a madrugada, ao lado do Zé Maria e do Ademir Tadeu, contando e ouvindo causos do nosso mundo jornalístico; virei a madrugada cantando com Fernando Nascimento, Paulinho Miracema e Elcio; virei a manhã de sábado proseando com Jobinha, Zé Carlos Rabelo, Cícero, Maurício, Ronaldo, Gustavo El-Kik e outros que por nossa mesa, na Kiskina, passavam para um abraço ou um alô. 

Futebol, bailes no Aero-Clube ou no Ferreira da Luz, orquestras famosas que por aqui passaram e até política atual e passada foram os assuntos das mesas por onde passei. Marcos da Magali, hoje atendendo pelo apelido de Faraó, foi um presente do final da noite de sexta-feira, no Snob’s, quando recordou os carnavais e os blocos liderados pelo Claudinho, Zé Faca, Mané Badeco e tantos outros carnavalescos que deixaram um trabalho jamais copiado pelos seus sucessores. 


Uma semana antes, quando o Ralph, meu filho mais velho, firmou compromisso de noivado com a Viviane, filha do velho amigo Ademir Lomba, além da alegria da data e do encontro das famílias, tive o prazer de rever Octavio Golvêa, o Otavinho da Casa Nova, um baita jogador e um emérito chutador, que já foi até inspiração para uma de minhas colunas aqui no Dois Estados. 


Você sabe que gosto de um dedo de prosa sobre o nosso futebol, mas com Otavinho o papo fluiu normalmente e rendeu não só um dedo, mas um braço inteiro de conversa animada e sem interrupções impertinentes, afinal já passava da meia noite e o assunto sobre o Miracema FC, Esportivo, Tupã ou Vasquinho não chegava ao fim. 


Como diria o jornalista Rodrigo Bueno, da Espn: “Só quem conversa sobre o futebol de Miracema sabe o que é o futebol de Miracema”. Falamos dos craques, falamos dos butinudos, das peladas do Rink, só não falamos do futuro, pois isto a Deus pertence. 


Prá fechar esta coluna, que escrevo correndo para atender o pedido do Nélson Barros, nosso diretor, recordo uma conversa de tive com o João Carlos Duarte, por telefone, quando ele me prometia uma apresentação do KK Melo, cronista, que segundo ele, tem muito a ver com minhas ideias e um papo de alto nível. Bingo! 


No lançamento do livro do Wilson Saad, o Issote, lá no Mustique, naquela festa que falo no primeiro parágrafo deste papo, conheci KK Melo e recebi das mãos do Maurício Monteiro o livro de crônicas citados pelo J.Carlos e percebi que temos muito em comum. Prometo passar um dia inteiro aí na terrinha proseando com o contador de causos recém conhecido. Que bela e doce figura este KK Melo. 


Foram dois finais de semanas incríveis e muito bem aproveitados por este escriba. Miracema é assim para comigo, tem finais de semana que chego por aí e nada encontro e em outros me perco completamente nos abraços e nos papos com amigos veteranos ou recentemente adquiridos. 


Voltei prá casa no domingo, logo pela manhã, depois de passar pelo açougue do Lenilson e comprar uma ótima linguiça de porco e um bom pedaço de pernil, também suíno, para matar o desejo de comer uma carne de primeira e de qualidade segura. 


Voltei cedo, sem deixar de dar um pulinho no jardim, papear com o Marquinhos, ex-BB, e ler alguns trechos do ótimo livro “Enigma de Um Crime”, do Wilson Saad, o Issote, irmão do desembargador José Geraldo Antonio, que lá aí terrinha é simplesmente o Lalado, bom amigo e amante das coisas da cidade.

sábado, 3 de setembro de 2011

Causos e histórias de Pinheiro

Esta semana tivemos a notícia do falecimento do ex-zagueiro e treinador Pinheiro, cria do Americano e ídolo da torcida do Fluminense durante longos anos. João Batista Carlos Pinheiro morreu no Rio de Janeiro, aos 79 anos, vítima de um câncer de próstata que o derrotou sem trégua. Porém, tem sempre um porém, seus amigos e companheiros lembram de algumas histórias do craque.

Pinheiro era um cara espetacular, diz o radialista Sérgio Tinoco, humano, profissional exemplar e um currículo de fazer inveja a muitos jogadores que hoje tentam carregar a fama conquistada através de assessores de imprensa.

Ele, prossegue Sérgio Tinoco, era um bom amigo de meu irmão, Geraldo, e sempre que havia clássico envolvendo o Fluminense, no Maracanã, nós saíamos de Campos e chegávamos cedo na concentração do Fluminense, na rua Paissandu, e por lá ficávamos, na varanda, proseando com Pinheiro, Telê e outros jogadores do tricolor antes de seguirmos para o Maracanã.

Certa vez, lembra Tinoco, em São José do Rio Preto/SP, o Americano chegava ao estádio para enfrentar o América e, na entrada, um moleque na porta esperava pelo time alvinegro e, ao ver o treinador gritou: “Olha só o nariz do homem, vai faltar ar no campo esta tarde”. Pinheiro olhou de cara feia para o guri e disparou um punhado de palavrões, como era de se esperar.

Uma outra passagem, agora pelo Goytacaz, também na chegada para um jogo, o ônibus recém comprado pelo dirigente Amaro Gimenez, apelidado de Trovão Alvianil, todo pintado de forma extravagante, chegava à cidade recepcionado de forma hostil pela torcida adversária. Alguém, de dentro do veículo, tentou revidar e Pinheiro, com seu vozeirão bem conhecido, mandou de lá: “Calma, minha gente, estamos entrando em território inimigo e a estratégia no momento é silêncio total”.

Prá fechar o papo com Sérgio Tinoco ele nos lembra da decisão do Campeonato Carioca de 1960, contra o América, que sagrou-se campeão naquele ano, mas Pinheiro deixou sua marca e uma passagem interessante, que mostra seu profissionalismo.

O pai dele faleceu na madrugada do domingo, dia da decisão, e mesmo assim Pinheiro foi para o jogo e manteve a tradição de impor respeito na zaga e cobrar faltas com perigo e pênalti com precisão. Lá na metade do primeiro tempo houve uma penalidade máxima contra o América e lá foi o zagueiro para a cobrança.

Ary, goleiro do América, sabendo o falecimento do pai do cobrador oficial, foi até na marca da cal e falou um monte para Pinheiro, enervando o zagueiro. Apito do árbitro e Pinheiro, irado com o goleiro, mandou uma “bicuda” que explodiu no peito do goleiro, mas no rebote e ele marcou o gol tricolor, que não foi suficiente para a conquista do título, mas mostrou o lado profissional do jogador.

Foi Pinheiro que lançou Célio Silva nos profissionais do Americano, em 1987. O elenco ficou sem três zagueiros, contundidos, e Célio já treinava, a pedido do treinador, entre os profissionais. Na primeira vez que fui treinar nos profissionais o professor me perguntou onde eu jogava, conta Célio Silva, e disse que em qualquer lugar.

O tempo passou e não entrei no treino, continua o ex-zagueiro, e perguntei a ele o que acontecera. Ele respondeu: “A gente não joga em qualquer lugar, temos que escolher o que queremos e trabalhar nos erros e aprimorar os acertos, quando você se decidir onde quer jogar volte aqui para treinar”.

Faltaram três zagueiros na mesma semana e no domingo estreei, em Itaperuna, com a camisa do Americano, contra o Porto Alegre e daí prá frente Pinheiro me abriu as portas e tudo deu certo, arrematou Célio Silva, que ficou bem abalado com a morte de seu amigo Pinheiro
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Pagando promessa: Homenagem a Juvenal Parente

Estou sempre prometendo contar alguns “causos” sobre meus jogos contra o Operário, o velho tricolor dos tempos do Garrinchinha, Zé Augusto e Sebastião, ambos Poeys, do Grilo, do Roberto Carlos, do Zil e fico sempre na promessa. Prometi também falar do bom e velho amigo Juvenal “Parente” Poeys, e nada. Fico sempre na promessa.

Este time marcou época na cidade e por lá surgiram alguns bons jogadores, como o Herança, batizado como Romário Tostes e que nos deixou já faz algum tempo. Sempre que busco na memória uma lista de nomes deste time o chip dá pane no momento de sentar, pensar e escrever algo bem legal sobre o time, seus dirigentes e os amigos que fiz por lá e carrego no peito até hoje.

Minha última promessa foi para o Luciano, neto do seu Juvenal. Porém, tem sempre um porém, a falha é do Vanewton Moreira, cujo dedo de prosa, por ele agendado, nunca foi cumprido.

Assim que o “Va” me ilustrar com seu vasto conhecimento sobre o Operário FC eu volto aqui, no computador, e dedico todo o espaço possível para o tricolor que incomodou meu Vasquinho, meu Esportivo e minha Associação durante toda nossa trajetória nos anos 60 e 70.

Antes de mudar de assunto, e falar da maratona que farei por Miracema neste mês de setembro, quero dedicar um capítulo especial ao já citado Juvenal “Parente” Poeys, pai do Jorge, que não citei acima, do Sebastião e do José Augusto, mas com diversos “filhos” espalhados por toda a cidade.

Não se assustem, família e amigos do Parente, não são filhos naturais ou bastardos, são “filhos “ da bola, garotos por ele lançados e que nutrem um carinho muito grande pelo velho Parente.

Recordo bem, ainda guri, lá no Estádio Municipal Plínio Bastos de Barros, o seu Parente, recém chegado de Laje do Muriaé (estou certo?) trazendo na bagagem, além dos filhos já citados, uma vontade louca de montar um time infantil e outro juvenil, para colocar seus garotos para correr atrás da bola.

Parente, ajudando nosso professor Alberto Cid de Carvalho, o genial Bitico, foi peça importante na formação de nossos times e foi um grande assessor para os dias de treinos do nosso treinador. Tenho boas lembranças daqueles bons momentos e por este motivo me cobro sempre pelo menos duas linhas em homenagem a este abnegado da bola.

E eu disse que mudaria de assunto, mas como? Começo a falar das pessoas importantes em meus bons momentos na terrinha e fico emocionado, e, quando a saudade bate, junto com a força do coração, meu refúgio é bater nas teclas do laptop a procura das letrinhas para contar para os amigos da “terrinha” como algo, ou alguém, foi importante para minha geração.

Aquele time do Bitico, que tinha o Juvenal Parente como grande colaborador, deu origem ao Vasquinho, do Edson Barros, Clarindo Chiapim e José Barros, e revelou para o nosso futebol craques autênticos como o Geraldinho, Júlio, Thiara, João Campeão, Ginado, Nenezinho, o goleirão Zé Navalha, e alguns bons jogadores como este locutor que vos fala.

Lá naquele Operário, citado no início da coluna, tinha um punhado de outros talentos, mas que vou esperar pelo Vanewton ou pela minha próxima visita a terrinha para então listar nomes e personagens para não fazer injustiça com ninguém, como estaria fazendo agora com o Ronaldo Linhares, advogado de renome na cidade e que um dia se meteu a diretor de futebol e foi um dos baluartes deste tricolor que hoje ilustra o nosso papo de bola aqui no Dois Estados.

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...