Pular para o conteúdo principal

DEIXEM O HOMEM EM PAZ

Na missa do domingo reencontro o velho amigo Ignácio, um apaixonado pelo futebol e assíduo frequentador da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, aqui no bairro onde moro.

Ignácio é aquele mesmo que provocou seu professor soltar a famosa pérola sobre o G mudo de seu nome. Não sabe? Então eu relembro: Na chamada da aula o professor lascou um IGnácio, dando ênfase ao G. No que o amigo respondeu: Professor, o g quando usado em nome próprio não tem som algum, é uma letra muda. E o mestre soltou a pérola: Eu "inorava", desculpe.

E depois de algumas gargalhadas, após lembrar o ocorrido de anos atrás, o amigo me perguntou o que me levava até a Igreja do Sagrado Coração.
-Venho sempre que posso e hoje, principalmente, venho agradecer a feliz viagem que fiz e renovar os pedidos de saúde e e paz para a família e os amigos, como você.
- Estou aqui para orar e pedir ao Homem lá de cima que dê um jeito na carreira de meu filho, que precisa de uma força Dele, e também para agradecer pela recuperação da saúde de meu irmão.

A conversa, antes da missa, passou pela política, pelo futebol e por outros assuntos do cotidiano, mas quando o Padre surgiu a pergunta foi rápida: Será para que time torce este Padre? Quis saber Ignácio, entendendo que por ser conterrâneo do cara eu tinha a obrigação de saber.

- O irmão dele é botafoguense, mas ele tem cara de Flamengo, está meio triste e hoje acordou com uma cara meio amarrada.

E você, Dutra, vai pedir alguma coisa a São Cosme e Damião ou a São Judas Tadeu, para tirar o Flamengo do buraco?

Nada disto, igreja é coisa séria e orações eu só faço para coisas sérias, não misturo as estações. Futebol é diversão, é um jogo e algo insignificante perante ao Homem lá de cima, eu não vou ocupar meu Pai com pedido para time ou para vitórias em futebol, Ele tem muita coisa para olhar prá mim e não vou usar minhas preces com estas baboseiras.

No que ouviu isto o amigo Ignácio soltou: Se oração para time de futebol valesse o meu Vasco não teria descido há dois anos atrás, você tá certo, tenho muito que pedir prá minha família e para os amigos. Deixe o Homem em paz.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O CENTRO HISTÓRICO DE MIRACEMA

O que é um centro histórico de uma cidade? É tudo aquilo que um dia foi história e, certamente, onde tudo começou. Correto. Então o centro histórico de Miracema seria na Praça Dona Ermelinda e seu entorno? Certo? Não. Pelo menos no ponto de vista de algumas pessoas da cidade o Centro Histórico é tão somente a Rua Direita, que anos atrás era o pulmão do município e hoje, infelizmente, o que resta são os poucos casarões que embelezam a atual Rua Marechal Floriano. Em coluna especial, no meio deste ano, sugeri que este nome, Marechal Floriano, fosse retirado e que a Rua Direita se dividisse em quatro partes, cada uma levando o nome de um dos heróis da emancipação, ou seja, “Os Quatro Diabos”. Uns gostaram e outros me criticaram, mas é apenas uma opinião de um miracemense ausente e você pode ter a sua que não contestarei em hipótese alguma. O centro histórico não tem mais os bazares, como a casa Cacheado, os armazéns, como o do Seu Pinheiro, as sorveteiras, como a do Abdo, os bares, como ...

AO SOM DE CARTOLA, ELIS E OUTROS

Revendo textos - Esta é de outubro de 2005    Quatro horas da tarde. Lá fora o sol forte, aqui dentro o ar refrigerado ligado no limite e na vitrola o disco de João Gilberto, em volume médio, toca para motivar este velho escriba a falar sobre música e artistas. Ligo para meu amigo Motta, que está na internet –sua nova companheira- e me recuso, no momento, a entrar na grande rede. O telefone toca. Penso em não atender. Marina chama: É prá você. É o Solon. Bingo. Era o que precisava para traduzir certas canções de Cartola. Pensava até em ligar para o Nascimento, lá em Miracema, mas Solon chegou na hora.  Fala aí, amigo velho. – Amigo velho, não. Velho amigo. Fica mais poético e mais saudável. – O que manda? – Acho que preciso de alguém para conversar, estou só e os dedos estão cansados demais para dedilhar nas teclas do computador. – Eu até gostei de sua ligação. Tava pensando em fazer umas colocações sobre a música de Cartola e só mesmo quem viveu estes momentos pode divid...

As badaladas da Ave Maria

São várias lembranças que me fazem buscar o computador e escrever, antes de que desapareça de meu pensamento, sobre o cair da noite, ou o cair da tarde na linguagem poética, principalmente de Augusto Calheiros em sua Ave Maria, datada de 1953, e que fez um punhado de senhorinhas, que sentavam à beira da calçada, suspirarem com a passagem do seu possível par romântico nos bailes da vida.  Pode ser também a angústia que me bate nestes períodos, lembrando dos dias solitários no Rio de Janeiro, quando pensava em Miracema e declamava os versos de Fernando Nascimento:  "Quando a lua desce aqui no Rio, eu sinto ânsia, sinto angústia, sinto frio. Quando a Lua nasce cor de prata eu relembro Miracema em serenata." E seria a lembrança de minha mãe, que nesta segunda-feira, 29 de julho, completaria o seu centenário, que não será comemorado em vida, mas a lembrança das velas acesas, para esperar as badaladas, que na verdade eram as seis badaladas da manhã repetidas à noite, e que também s...