terça-feira, 27 de abril de 2010

Porque vou a Expo Mira 2010

Não precisam pedir um, dois, três ou dez motivos para ir a Miracema na próxima sexta-feira. Não precisam argumentos para me convencer visitar Miracema na próxima Exposição Agropecuária e Industrial do Município. Não é preciso convites oficiais ou de amigos para me levar até o recinto da Expo-2010 ou até as barracas montadas pela turma da Maçonaria, comerciantes individuais ou empresas especializadas.

Tenho a programação pronta, chego na sexta-feira a tempo de participar da entrega de comendas e títulos de cidadania, honra ao mérito ou personalidades do ano. Gosto de ouvir o que os conterrâneos têm a dizer. Gosto de ouvir a Banda Sete tocar nosso hino, e de quando em vez chego às lágrimas. Gosto de ver os meus contemporâneos de terno e gravata, eu não agüento cinco minutos neste traje de luxo, mas admiro os que ficam elegantes dentro desta roupa.

Gosto de me sentar próximo àqueles mais antigos, como meu eterno guru Jofre Geraldo Salim, de ver o trabalho da Cremilda Azevedo Tostes, sempre dinâmica na assessoria dos edis e na coordenação das festividades. Gosto de um pouco de tudo o que vejo e ouço nestas solenidades. Tem gente que abomina estes eventos, às vezes chatos e arrastados, mas os de Miracema têm um quê especial e eu gosto de estar por lá e nem ligo para o que fala a turma do contra.

Sentar à mesa da Kiskina, de cara prá rua, a espera de um transeunte conhecido e distante é bom demais. Passam por ali aquelas figuras maravilhosas e amigas, como o Dodote Neiva, que sempre aparece por lá, o Luis do Eudoxio, o famoso Naipe, o João Batista Oliveira Alves, que na intimidade chamados de João do Ulisses. Aliás, ele responde com orgulho, é muito fácil ter orgulho de ser filho do professor Ulisses Alves, cuja saudade bate no peito como aquela que sinto de Dona Mariza Lima, minha professora de matemática.

É bonito, e porque não dizer magnificamente lindo ver o desfile cívico militar do dia 3 de maio, quando me desabo definitivamente ao ver o Prudente de Moraes, o Nossa Senhora das Graças e o Colégio Miracemense passarem garbosamente pela Marechal Floriano. Só isto me bastaria para ir a Miracema durante o aniversário de sua emancipação política e administrativa.

Quem quer mais um motivo para eu, ou você, visitarmos Miracema neste período? Enumero um punhado e até mesmo decifro enigmas para convencer você, amigo velho ou velho amigo, a dar um pulinho até a Princesinha do Norte neste dias de festa.

Não vou falar que deve levar seu filho, ou neto, estamos mais para o segundo na atual realidade, ao Parque de Diversões que será armado ali perto do Colégio Estadual, mas pela manhã aconselho você a dar uma chegada ao jardim e curtir aqueles velhos e bons momentos que vivemos no parquinho construído naquele mais belo cartão postal da cidade. É ou não um ótimo convite?

Então amigo, se te convenci a não ir ao carnaval, quando tudo seria repetitivo e sem o glamour dos carnavais antigos, creio que hoje te passei um pouco do que sinto com relação a nossa quase cinqüentenária Exposição Agropecuária de Miracema, afinal somos movidos pela saudade e pelo amor a terra em que nascemos. Não há dias melhores que estes para rever os grandes amigos e os ilustres desconhecidos que sempre nos visitam neste período.

Tá certo, vamos receber um punhado de candidatos ou pré candidatos aos cargos eletivos de outubro, que farão de tudo, inclusive as antigas promessas, e baterão às suas costas como grandes amigos. Esqueça e passe batido e faça disto uma diversão a parte. Fuja dos apertos de mãos inconvenientes e fora de propósito, mas não fuja do compromisso de me dar um abraço lá na Barraca do Dadinho ou na Barraca do Bode ou até mesmo na Kiskina ou no Bar do Amaury, onde estarei sempre disponível.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

TODAS AS COPAS DE MINHA VIDA - PARTE I

A Copa do Mundo de Futebol começou a ser disputada em 1930, quando a América do Sul teve a honra de ser o continente anfitrião e o Uruguai o país sede, que deixou a Taça Jules Rimet em sua já rica sala de troféus. Seguiu para a Europa, em 1934, e se alojou na França, já vivendo sob um clima tenso de pré-guerra e a Itália, dos fascistas, conquistaram o título e bisaram em 1938, em seu território, com as bênçãos de Mussolini e Hitler.

Bem até aí tudo bem, a minha geração só encontra alguma coisa sobre estas Copas em livros ou, agora com mais facilidade, na Internet, o verdadeiro balcão de procura para quem tem sede de informação. A Copa do Mundo, para este escriba, também não começou em 1950, a primeira realizada por aqui, já que neste ano a Dona Lili estava amamentando o bebê que nascera em janeiro daquele ano e por isto não sei o que dizer dos jogos realizados no Brasil.

Meu pai, Zebinho Dutra, sabia contar muito sobre a Copa de 1950, ele viu dois jogos e contava com orgulho detalhes do que viu contra a Espanha e Uruguai. Este, o jogo final, quando os brasileiros foram vice-campeões do mundo. Viu só que eu não disse “os brasileiros foram derrotados?” Isto mesmo, meu saudoso pai jamais admitiu que o Brasil perdera a Copa do Mundo e sim que o Uruguai ganhou a Copa. Legal.

Também foi por ouvi dizer que fiquei por dentro da Copa de 1954, disputada novamente na Europa, o revezamento já valia naquela época, e devido aos problemas pós guerra o país escolhido foi a Suíça, de características neutras e, portanto todos os convidados foram jogar a competição. Ainda era guri e não ouvi nada sobre este campeonato mundial, vencido pelos alemães de forma surpreendente. Segundo os analistas daquele tempo, a Hungria jogava o melhor futebol do planeta.

Em 1958 eu já tinha um ouvido acostumado as narrações e, mesmo sem entender muito sobre Copa do Mundo, ouvi trechos de jogos da Copa da Suécia e participei ativamente da festa realizada no bar do meu avô, Vicente Dutra, após a goleada sobre a Suécia, na final espetacular de Estocolmo.

Em 1962 já foi diferente. Já crescido e batendo a minha bolinha nos gramados do jardim e nas quadras do Rink, percebia a hora de parar com a bola e ficar ligado no rádio do bar para ouvir as histórias sobre a contusão de Pelé, a ascensão de Amarildo, o filho de Amaro Silveira, que um dia jogou pelo Miracema FC, onde deixou uma legião de fãs. Brasil bi-campeão e novamente a festa no bar do meu avô Vicente.

A Copa do Mundo voltou para a Europa e os ingleses, tidos como criadores do esporte mais famoso do mundo, sediaram os jogos e este escriba já corria atrás da bola, no Estádio Municipal, buscando seu espaço no time juvenil do Tupã, que naquele 1966 era o melhor time da cidade. Os jogos eram ouvidos na porta do estádio ou no rádio do seu João Custódio, dono de uma venda em frente ao grupo escolar Prudente de Moraes.

O Brasil foi derrotado e voltou humilhado de Londres e Pelé, contundido, não brilhou e Mané Garrincha e outros da geração vencedora se despediram dos gramados assistindo a Inglaterra vencer pela primeira vez e guardar a Jules Rimet por quatro anos.

Sim. A Inglaterra guardou por quatro anos o troféu, que seria entregue novamente aos brasileiros, desta vez definitivamente, no México, em 1970, quando vimos pela primeira vez os jogos via Embratel. Era a realização de um sonho, ver o Brasil campeão pela TV e o garoto, nascido junto com o Maracanã, já estava moço, rodado e viu parte dos jogos do Brasil em Miraí, Minas Gerais, onde um timaço de futebol de salão, lá da terrinha, disputava um torneio interestadual.

Continua na próxima coluna.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

FIGURINHAS DA COPA

Estávamos na beira do meio fio, descalços, sem camisa e com o corpo suado de tanto correr atrás da bola no Rink da Praça Dona Ermelinda. Eu, Júlio e Gutinho iniciávamos um bafo-bafo para disputar as últimas figurinhas disponíveis no embornal das repetidas, aquelas que sobraram e que ninguém mais queria, pois eram figurinhas fáceis e sem nenhum atrativo.

A primeira a entrar no tapa - bafo é tapa ou muito jeito para virar de cara prá cima - repito, a primeira a entrar no tapa foi uma do goleiro mexicano Carbajal, já veterano naquela época, mas sem nenhum apelo comercial nos álbuns comprados nas padarias, que vendiam as balas recheadas com figurinhas.

Cada página completada valia um brinde. Um relógio, um rádio, uma panela e até um fogão a gás, novidade naquele longínquo ano de 1962. Ninguém no Brasil, muito menos os idealizadores da coleção de figurinha, antecipou uma possível classificação da Tchecoslováquia para uma final contra o Brasil e por isto seus melhores jogadores eram figurinhas não carimbadas e Masopust, Pluskal ou o goleiro Schiroif eram encontrados facilmente nos embornais de figurinhas repetidas.

Era uma febre e aí eu viciei em colecionar alguns de figurinhas. Até pouco tempo atrás, antes da última e definitiva mudança, ainda guardava em algum lugar da casa da Pereira Nunes, no Bairro Pelinca, algumas figurinhas tipo card, do chiclete famoso, da metade dos anos 70. Aqueles da bala famosa eu repassei para o Gustavo Rabelo e creio que deve estar em algum lugar de sua residência.

O bom de colecionar os alguns de figurinhas era aprender o sentido exato de uma Copa do Mundo, do país sede e a história do período em que ela se realiza. No Chile, por exemplo, a gente lia, nas páginas completadas, que ficava na Cordilheira dos Andes e que o país era o mais europeizado da América do Sul. Santiago, a capital, era linda e foi colonizada por europeus e por isto a turma do velho continente gostou de jogar por lá.

Trocar um Canhoteiro por um Garricha era impossível. E Gilmar por Djalma Santos já era mais viável, o goleiro era o titular e o lateral era reserva do jogador De Sordi, do São Paulo e era um dos carimbados. Nilton Santos era outro que recebia o carimbo de difícil, mas Vavá não tinha fama de figurinha difícil.

O incrível é que Pelé não tinha carimbo e Canhoteiro, que citei acima, nem mesmo chegou a Copa e era uma das figurinhas mais difíceis de se encontrar. O ponta paulista se rivalizava com Garrincha e era ídolo por lá, mas cá no interior de nosso Rio de Janeiro poucos o conheciam, só os mais fanáticos, aqueles que ouviam transmissões da Rádio Record ou Pan-Americana, que pegavam bem melhor do que hoje, nos diais dos rádios de nossos avós.

As calçadas no entorno da Igreja Matriz ficavam tomadas de guris e a correria para se completar uma das páginas era intensa. A padaria do Garibaldi já não tinha como atender a garotada e ao descobrirmos que lá na Rua da Laje, na venda em frente ao Prudente de Moraes, tinha um novo lote de balas com figurinhas diferentes.

Acabou o sossego do armazém e a molecada invadiu os balcões e em menos de dez minutos as balas já estavam todas detonadas e o bafo-bafo se transferiu da Praça da Matriz para a Rua da Laje, bem em frente ao grupo escolar. Uma festa diferente para a turma lá de cima.

Depois vieram outros álbuns, mais sofisticados, como aqueles das Copas de 70 e 74, bem mais elaborados do que o primeiro que vi, da Copa de 1958, e já com certo ar de modernismo e bem ao estilo italiano de fazer a cabeça do colecionador de figurinhas.

Ah! Em tempo: Ninguém jamais ficou sabendo se algum dos colecionadores ganhou o tal fogão a gás oferecido pela editora do álbum. Relógios e canetas eu até ganhei, mas o fogão...

40 anos se passaram

  Guarânia, 40 anos e outras           armadilhas do tempo Cuiabá, virada dos anos 70 para 80. Calor, gente suando elegância e promessas de ...