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TODAS AS COPAS DE MINHA VIDA - PARTE I

A Copa do Mundo de Futebol começou a ser disputada em 1930, quando a América do Sul teve a honra de ser o continente anfitrião e o Uruguai o país sede, que deixou a Taça Jules Rimet em sua já rica sala de troféus. Seguiu para a Europa, em 1934, e se alojou na França, já vivendo sob um clima tenso de pré-guerra e a Itália, dos fascistas, conquistaram o título e bisaram em 1938, em seu território, com as bênçãos de Mussolini e Hitler.

Bem até aí tudo bem, a minha geração só encontra alguma coisa sobre estas Copas em livros ou, agora com mais facilidade, na Internet, o verdadeiro balcão de procura para quem tem sede de informação. A Copa do Mundo, para este escriba, também não começou em 1950, a primeira realizada por aqui, já que neste ano a Dona Lili estava amamentando o bebê que nascera em janeiro daquele ano e por isto não sei o que dizer dos jogos realizados no Brasil.

Meu pai, Zebinho Dutra, sabia contar muito sobre a Copa de 1950, ele viu dois jogos e contava com orgulho detalhes do que viu contra a Espanha e Uruguai. Este, o jogo final, quando os brasileiros foram vice-campeões do mundo. Viu só que eu não disse “os brasileiros foram derrotados?” Isto mesmo, meu saudoso pai jamais admitiu que o Brasil perdera a Copa do Mundo e sim que o Uruguai ganhou a Copa. Legal.

Também foi por ouvi dizer que fiquei por dentro da Copa de 1954, disputada novamente na Europa, o revezamento já valia naquela época, e devido aos problemas pós guerra o país escolhido foi a Suíça, de características neutras e, portanto todos os convidados foram jogar a competição. Ainda era guri e não ouvi nada sobre este campeonato mundial, vencido pelos alemães de forma surpreendente. Segundo os analistas daquele tempo, a Hungria jogava o melhor futebol do planeta.

Em 1958 eu já tinha um ouvido acostumado as narrações e, mesmo sem entender muito sobre Copa do Mundo, ouvi trechos de jogos da Copa da Suécia e participei ativamente da festa realizada no bar do meu avô, Vicente Dutra, após a goleada sobre a Suécia, na final espetacular de Estocolmo.

Em 1962 já foi diferente. Já crescido e batendo a minha bolinha nos gramados do jardim e nas quadras do Rink, percebia a hora de parar com a bola e ficar ligado no rádio do bar para ouvir as histórias sobre a contusão de Pelé, a ascensão de Amarildo, o filho de Amaro Silveira, que um dia jogou pelo Miracema FC, onde deixou uma legião de fãs. Brasil bi-campeão e novamente a festa no bar do meu avô Vicente.

A Copa do Mundo voltou para a Europa e os ingleses, tidos como criadores do esporte mais famoso do mundo, sediaram os jogos e este escriba já corria atrás da bola, no Estádio Municipal, buscando seu espaço no time juvenil do Tupã, que naquele 1966 era o melhor time da cidade. Os jogos eram ouvidos na porta do estádio ou no rádio do seu João Custódio, dono de uma venda em frente ao grupo escolar Prudente de Moraes.

O Brasil foi derrotado e voltou humilhado de Londres e Pelé, contundido, não brilhou e Mané Garrincha e outros da geração vencedora se despediram dos gramados assistindo a Inglaterra vencer pela primeira vez e guardar a Jules Rimet por quatro anos.

Sim. A Inglaterra guardou por quatro anos o troféu, que seria entregue novamente aos brasileiros, desta vez definitivamente, no México, em 1970, quando vimos pela primeira vez os jogos via Embratel. Era a realização de um sonho, ver o Brasil campeão pela TV e o garoto, nascido junto com o Maracanã, já estava moço, rodado e viu parte dos jogos do Brasil em Miraí, Minas Gerais, onde um timaço de futebol de salão, lá da terrinha, disputava um torneio interestadual.

Continua na próxima coluna.

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