Dona Bilu, a minha mais nova, e, quase, centenária amiga, me liga alvoroçada e com uma voz de quem está “pregada” da maratona carnavalesca vivida em Guarapari na última semana. “Olá, meu amigo, estou chegando ao Maracanã”, diz ela via celular, “cheguei ontem, ainda bem cansada, mas hoje pedi ao meu neto que me trouxesse ao palco da decisão da Taça Guanabara para ver meu Botafogo”.
Recebi a ligação com lágrimas nos olhos, eu já disse prá vocês o prazer de conhecer a nossa quase centenária Bilu, uma carioca/capixaba, alvinegra de boa cepa, e amiga de Heleno de Freitas, o antigo artilheiro do Botafogo na década de 40. Passamos quatro dias falando de bola, de veteranos craques e de carnaval, e, no domingo, a senhorinha já estava animada para ver a decisão contra o Vasco.
“Vamos nos vingar, meu amigo, o Vasco não irá travar a sorte do Joelzinho”. Tomara, dizia eu na ocasião. Ao chegar para um almoço, no Restaurante Bolinhas, na principal avenida de Guarapari, onde o garçom Luiz Carlos, vascaíno fanático, dizia justamente o contrário: “Joel só conhece bem o Flamengo e acredito que Mancini vai dar um nó tático no Natalino”, garantia o mineiro de Visconde do Rio Branco e ex-jogador do América carioca.
Após um bom prato de bacalhau à Gomes de Sá, saí com Marina pela calçada esperando o tempo passar e um médico capixaba, que trabalha como voluntário em clubes como Vilavelhense, Desportiva e Serra, perdão por não ter anotado o nome do meu companheiro de prosa que trajava a camisa nova do goleiro Fernando Prass, me parou para um dedo de conversa. “Eu ouvi você falar com o garçom que é jornalista esportivo e este sempre foi o meu sonho, escrever ou falar sobre futebol e suas belas histórias”.
Não precisa, meu caro doutor, você já faz o suficiente para deixar o futebol mais sério e o seu trabalho, pelo pouco que me contou, tem tanta importância quanto o meu, aqui nas páginas do Diário e nas linhas do Blog do Penacho. Ele queria arrancar meu palpite e, de cima do muro eu disse: Vai dar empate e nos pênaltis vai vencer quem tiver mais sorte.
Eu vou lá torcer contra a Dona Bilu? Vou torcer contra o garçom simpático e inteligente como o Luiz Carlos? Será que o doutor, com sua empatia e simplicidade, merecia ouvir que eu gostaria de ver uma vitória do Fogão, em homenagem ao meu cunhado Arthur e o sobrinho Rafael, para que ambos vivessem momentos mais felizes do que aqueles passados após a goleada da fase classificatória? Neca de pitibiriba, eu torci mesmo por um empate, com muitos gols, para que eu pudesse ter muito assunto aqui neste papo de terça-feira.
Intervalo de jogo lá no Maracanã e o celular volta a vibrar na mesa. “Alô, meu amigo Dutra?” Era Dona Bilu novamente em ação. “Você viu o pênalti que o danado do Marcelo Henrique não marcou no meu amado e louco gringo Abreu?”. Vi e creio que o Marcelo Henrique mais uma vez errou contra o seu Fogão, minha cara amiga, mas cá prá nós, eita joguinho ruim, hem? Parece até que o pessoal teve medo de vencer e fazia de tudo para ir para a penalidade máxima, não é mesmo?
Isto foi no primeiro tempo, pois na etapa final a proposta de jogo tanto de Joel como de Mancini dava a impressão de que iria mudar. “Pior não pode ficar”, dizia dona Bilu.
E não ficou mesmo. O segundo tempo do Botafogo, porque não dizer do jogo, foi excelente e o alvinegro fez jus a grande vitória. O Vasco se perdeu após o gol e Nilton fez a grande besteira de agredir o garoto Caio e daí prá frente só deu Fogão. Um pênalti, bem marcado, definiu a partida e deu mais um título da Taça GB, o segundo consecutivo, ao Glorioso de General Severiano.
No final o telefone tocou e a voz rouca chegava bem leve: “Você é pé quente, meu novo amigo. Te segura aí que agora vou encher o saco todos os jogos, afinal ser Botafogo é ter superstição”, era Dona Bilu que se despedia feliz da vida com mais um título em sua coleção quase centenária.
Canal do Dutra: Uma conversa de bola, viagens e do cotidiano. Aqui posto vídeos, crônicas e converso com vocês.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
A CENTENÁRIA DONA BILU
O tempo não passou para dona Bilú, uma senhorinha que beira aos cem anos e cuja atividade me impressionou. Bilu, me perdoe a intimidade minha cara centenária, vai a praia e não deixa ninguém lhe pegar a cadeira ou barraca, ela mesma as carrega e ai de quem insistir a prestar este favor.
Ontem eu conheci, mais de perto, esta mulher incrível e fiquei ainda mais surpreso quando descobri sua paixão pelo futebol. O seu conhecimento é vasto e sua memória prodigiosa me fez lembrar o jovem Yves, mas cá prá nós, ter dezessete anos e um computador à frente é fácil, não é?
Claro. Dona Bilu não tem memória impulsionada pelo Google e nem mesmo usa seu laptop para estas consultas, isto mesmo, a senhorinha tem um computador de mão que ela denominou com computador de bordo: “Carrego esta coisa prá onde vou e escrevo tudo o que quero por aqui”, disse Bilu.
Mais um ponto em comum entre mim e a centenária senhora, ela é apaixonada pelo futebol e, aqui a gente diverge, torce pelo Botafogo. Bilu fala de Heleno de Freitas com lágrimas nos olhos. “Homem bonito, craque e louco, não soube dosar sua vida e se foi cedo demais”. Sobre Garrincha ela conta histórias abrindo seu computador de bordo para mostrar crônicas que escreveu sobre o craque das pernas tortas.
Zagalo é um dos assuntos favoritos de Bilu, grande fã do ex-treinador. “Gostaria de ter a sua sorte, não para ganhar títulos, mas para acertar na loteria e fugir daquele inferno chamado Rio de Janeiro.”
O tempo passava depressa demais e algo incomodava a minha companheira de prosa.
- E aí, vai patrocinar uma cervejinha ou vai deixar esta velha aposentada pagar a conta?
Mais uma surpresa. Dona Bilu gosta de uma cerveja, da “Boa”, e detesta ter que beber latinha.
- Gosto mesmo é de sentar em um barzinho e pedir uma garrafa, diz já levantando para dar um pulinho até a água para se refrescar, e sem ajuda de ninguém, deixamos bem claro.
- Ei, rapaz, vamos até aquele bar com nome de time português, tem uma cerveja bem gelada por lá e podemos continuar nossa conversa.
Convite aceito e lá fomos nós para o Benfica, bar tradicional do centro de Guarapari, para satisfazer os desejos de Dona Bilu e saber realmente quem era aquela magnífica senhora que conheci, por acaso, nas areias pretas deste lugar espetacular que é Guarapari, onde tudo acontece.
Eu tentei falar, pelo celular, com meu amigo Zé Luis, o Categoria. Fiz duas ou três tentativas e desisti. Gostaria que o Zé compartilhasse conosco o papo super interessante, inteligente e descontraído que esta centenária senhora me proporcionava.
Enquanto eu tentava contato com o amigo ela pedia um tira gosto, bolinhos de bacalhau, para acompanhar a cerveja, em garrafa, que já estava servida e sorvida com prazer por Dona Bilu.
O nome do bar inspirou a companheira de mesa, seus vastos conhecimentos esportivos a levaram aos anos 60 e a decisão do Mundial de Clubes entre Santos e Benfica. “Foi o máximo, o tal de Pelé acabou com o jogo e vi tudo de pertinho, da geral do Maracanã”, narra com brilho nos olhos.
Claro que o assunto chegou ao presente e seleção brasileira não poderia estar de fora deste papo sensacional. Dona Bilu fez uma ressalva, eis aí mais um ponto em comum entre mim e ela: “Não falo de Dunga, é teimoso como a mula lá do sítio em Araras e ignorante igual ao porteiro do meu edifício aqui em Guarapari”.
Aí o assunto não se desenvolveu, falar de seleção e não criticar Dunga, recebendo em troca alguma explicação, como sempre faz o Zé Luiz, defendendo o treinador, não tem graça mesmo, não dá para reclamar da ausência de Ronaldinho Gaúcho e Hernandes ou agüentar Júlio Baptista, Kléberson, Josué e outros menos votados, como Felipe Melo, por exemplo.
Depois de meia dúzia de garrafas,escondidas sob a mesa por Dona Bilu, terminamos a prosa felizes e certos de que ali estava nascendo uma boa amizade:
- Até o ano que vem, meu caro Eusébio .
- Até lá, dona Bilu, mas Eusébio era meu pai, eu sou Adilson.
- Eu sei disto, meu filho, mas Eusébio foi um grande jogador e, como estamos aqui no Benfica bar, tudo me leva a Portugal.
- Um abraço e até o ano que vem, dona Bilu.
Ontem eu conheci, mais de perto, esta mulher incrível e fiquei ainda mais surpreso quando descobri sua paixão pelo futebol. O seu conhecimento é vasto e sua memória prodigiosa me fez lembrar o jovem Yves, mas cá prá nós, ter dezessete anos e um computador à frente é fácil, não é?
Claro. Dona Bilu não tem memória impulsionada pelo Google e nem mesmo usa seu laptop para estas consultas, isto mesmo, a senhorinha tem um computador de mão que ela denominou com computador de bordo: “Carrego esta coisa prá onde vou e escrevo tudo o que quero por aqui”, disse Bilu.
Mais um ponto em comum entre mim e a centenária senhora, ela é apaixonada pelo futebol e, aqui a gente diverge, torce pelo Botafogo. Bilu fala de Heleno de Freitas com lágrimas nos olhos. “Homem bonito, craque e louco, não soube dosar sua vida e se foi cedo demais”. Sobre Garrincha ela conta histórias abrindo seu computador de bordo para mostrar crônicas que escreveu sobre o craque das pernas tortas.
Zagalo é um dos assuntos favoritos de Bilu, grande fã do ex-treinador. “Gostaria de ter a sua sorte, não para ganhar títulos, mas para acertar na loteria e fugir daquele inferno chamado Rio de Janeiro.”
O tempo passava depressa demais e algo incomodava a minha companheira de prosa.
- E aí, vai patrocinar uma cervejinha ou vai deixar esta velha aposentada pagar a conta?
Mais uma surpresa. Dona Bilu gosta de uma cerveja, da “Boa”, e detesta ter que beber latinha.
- Gosto mesmo é de sentar em um barzinho e pedir uma garrafa, diz já levantando para dar um pulinho até a água para se refrescar, e sem ajuda de ninguém, deixamos bem claro.
- Ei, rapaz, vamos até aquele bar com nome de time português, tem uma cerveja bem gelada por lá e podemos continuar nossa conversa.
Convite aceito e lá fomos nós para o Benfica, bar tradicional do centro de Guarapari, para satisfazer os desejos de Dona Bilu e saber realmente quem era aquela magnífica senhora que conheci, por acaso, nas areias pretas deste lugar espetacular que é Guarapari, onde tudo acontece.
Eu tentei falar, pelo celular, com meu amigo Zé Luis, o Categoria. Fiz duas ou três tentativas e desisti. Gostaria que o Zé compartilhasse conosco o papo super interessante, inteligente e descontraído que esta centenária senhora me proporcionava.
Enquanto eu tentava contato com o amigo ela pedia um tira gosto, bolinhos de bacalhau, para acompanhar a cerveja, em garrafa, que já estava servida e sorvida com prazer por Dona Bilu.
O nome do bar inspirou a companheira de mesa, seus vastos conhecimentos esportivos a levaram aos anos 60 e a decisão do Mundial de Clubes entre Santos e Benfica. “Foi o máximo, o tal de Pelé acabou com o jogo e vi tudo de pertinho, da geral do Maracanã”, narra com brilho nos olhos.
Claro que o assunto chegou ao presente e seleção brasileira não poderia estar de fora deste papo sensacional. Dona Bilu fez uma ressalva, eis aí mais um ponto em comum entre mim e ela: “Não falo de Dunga, é teimoso como a mula lá do sítio em Araras e ignorante igual ao porteiro do meu edifício aqui em Guarapari”.
Aí o assunto não se desenvolveu, falar de seleção e não criticar Dunga, recebendo em troca alguma explicação, como sempre faz o Zé Luiz, defendendo o treinador, não tem graça mesmo, não dá para reclamar da ausência de Ronaldinho Gaúcho e Hernandes ou agüentar Júlio Baptista, Kléberson, Josué e outros menos votados, como Felipe Melo, por exemplo.
Depois de meia dúzia de garrafas,escondidas sob a mesa por Dona Bilu, terminamos a prosa felizes e certos de que ali estava nascendo uma boa amizade:
- Até o ano que vem, meu caro Eusébio .
- Até lá, dona Bilu, mas Eusébio era meu pai, eu sou Adilson.
- Eu sei disto, meu filho, mas Eusébio foi um grande jogador e, como estamos aqui no Benfica bar, tudo me leva a Portugal.
- Um abraço e até o ano que vem, dona Bilu.
DEU TIJUCA NA SAPUCAÍ E BOTAFOGO NO MARACA
Hoje, quase uma semana pós Cinzas e um clima de satisfação toma conta do escriba. Uma semana depois de um dos melhores carnavais que vivi nos últimos anos. As marchinhas, os sambas, as marchas-rancho e outras maravilhas dos anos 60/70 vieram a mim através dos vários blocos que desfilaram, nos quatro dias de Momo, no centro de Guarapari.
No Rio, apesar da leve paixão pela Mangueira, eu torci intensamente por uma vitória da Império da Tijuca, não porque ter visto a melhor escola no sambódromo, juro que não vi o desfile domingo ou segunda-feira, mas para ter algo diferente para comentar no dia seguinte da folia ou na minha primeira crônica após o regresso do belo passeio pelo litoral capixaba.
Se desse Beija-Flor o assunto não teria tanto entusiasmo nas mesas dos bares na orla da Areia Preta ou pelas praias de Grussaí, Farol ou Atafona, onde amigos curtiram o velho e bom carnaval. Será que com a mesma intensidade do que curtiu este velho escriba? Duvido.
Assisti a apuração ao lado do amigo Capistrano Arenari, já contei aqui neste Papo de Bola que este foi o meu parceiro nestes dias de reciclagem, na bela Guarapari. Ao ver crescer a pontuação da Unidos da Tijuca, que conquistaria o seu primeiro título após longos anos, desbancando outra vez a Beija-Flor, como já fizera o Salgueiro, em 2009
Naquele momento imaginei como o torcedor do São Paulo FC sentiu a pressão das outras torcidas após o terceiro título consecutivo e o sexto em sua história.
E no domingo esta mesma Globo iria falar de Vasco x Botafogo, quando as torcidas de cores idênticas, ambas em preto e branco, teriam o mesmo nervosismo que o pessoal da Beija-Flor mostrou na Sapucaí. Era preciso mudar algo para que o resultado saia da mesmice e o Estadual volte a ser competitivo e interessante também para as outras cores além do vermelho e preto.
Esta decisão, de primeiro turno, dá um toque especial ao Cariocão, onde todos querem ver o Flamengo alijado da final geral. Se o rubro-negro levar outro título para a Gávea, que seria o quarto consecutivo, alguém irá dizer que foi “marmelada” e que tudo estava armado para ele, como era nos tempos em que a escola de Nilópolis não tinha adversário no Sambódromo e o tricolor paulista nos gramados.
Quando o resultado, cantado pelo Jorge Perlingeiro, foi sacramentado no Sambódromo, minha mente voltou para o futuro e fui até a África do Sul em segundos. Imaginei como será a pressão contra o Brasil, que irá buscar os sexto título mundial. A diferença entre a Unidos da Tijuca para o Brasil é que o último título da escola tijucana, no samba, foi em 1936 e o Brasil, todos sabem, ganhou em 2002 com Felipão.
O país agora entra em ritmo normal de trabalho -será?- e dentro de três meses, no final de maio, com uma pausa para a Semana Santa, as atenções estarão voltadas para a Copa do Mundo de Futebol e, mais uma vez, o Brasil para e os fanáticos por Copa do Mundo entram em cena e os papos de botequim ganham o foco futebolístico.
Fiquei desligado do mundo da bola por algum tempo, exatos doze dias, e garanto que não senti muita diferença, o futebol, que deveria ter dado este descanso ao torcedor, não foi assim tão insinuante ou decisivo neste período e, exceto o jogão Milan x Manchester United, quando Ronaldinho Gaúcho resolveu colocar, definitivamente, uma pulga na orelha de Dunga.
E é bom lembrar, antes de encerrar esta conversa de retorno com os amigos, entre estes o médico Paulo Machado, ex-presidente do Rio Branco, que o Botafogo botou, literalmente, fogo no Cariocão ao vencer, com méritos o seu grande rival do momento no clássico do domingão. Valeu....
No Rio, apesar da leve paixão pela Mangueira, eu torci intensamente por uma vitória da Império da Tijuca, não porque ter visto a melhor escola no sambódromo, juro que não vi o desfile domingo ou segunda-feira, mas para ter algo diferente para comentar no dia seguinte da folia ou na minha primeira crônica após o regresso do belo passeio pelo litoral capixaba.
Se desse Beija-Flor o assunto não teria tanto entusiasmo nas mesas dos bares na orla da Areia Preta ou pelas praias de Grussaí, Farol ou Atafona, onde amigos curtiram o velho e bom carnaval. Será que com a mesma intensidade do que curtiu este velho escriba? Duvido.
Assisti a apuração ao lado do amigo Capistrano Arenari, já contei aqui neste Papo de Bola que este foi o meu parceiro nestes dias de reciclagem, na bela Guarapari. Ao ver crescer a pontuação da Unidos da Tijuca, que conquistaria o seu primeiro título após longos anos, desbancando outra vez a Beija-Flor, como já fizera o Salgueiro, em 2009
Naquele momento imaginei como o torcedor do São Paulo FC sentiu a pressão das outras torcidas após o terceiro título consecutivo e o sexto em sua história.
E no domingo esta mesma Globo iria falar de Vasco x Botafogo, quando as torcidas de cores idênticas, ambas em preto e branco, teriam o mesmo nervosismo que o pessoal da Beija-Flor mostrou na Sapucaí. Era preciso mudar algo para que o resultado saia da mesmice e o Estadual volte a ser competitivo e interessante também para as outras cores além do vermelho e preto.
Esta decisão, de primeiro turno, dá um toque especial ao Cariocão, onde todos querem ver o Flamengo alijado da final geral. Se o rubro-negro levar outro título para a Gávea, que seria o quarto consecutivo, alguém irá dizer que foi “marmelada” e que tudo estava armado para ele, como era nos tempos em que a escola de Nilópolis não tinha adversário no Sambódromo e o tricolor paulista nos gramados.
Quando o resultado, cantado pelo Jorge Perlingeiro, foi sacramentado no Sambódromo, minha mente voltou para o futuro e fui até a África do Sul em segundos. Imaginei como será a pressão contra o Brasil, que irá buscar os sexto título mundial. A diferença entre a Unidos da Tijuca para o Brasil é que o último título da escola tijucana, no samba, foi em 1936 e o Brasil, todos sabem, ganhou em 2002 com Felipão.
O país agora entra em ritmo normal de trabalho -será?- e dentro de três meses, no final de maio, com uma pausa para a Semana Santa, as atenções estarão voltadas para a Copa do Mundo de Futebol e, mais uma vez, o Brasil para e os fanáticos por Copa do Mundo entram em cena e os papos de botequim ganham o foco futebolístico.
Fiquei desligado do mundo da bola por algum tempo, exatos doze dias, e garanto que não senti muita diferença, o futebol, que deveria ter dado este descanso ao torcedor, não foi assim tão insinuante ou decisivo neste período e, exceto o jogão Milan x Manchester United, quando Ronaldinho Gaúcho resolveu colocar, definitivamente, uma pulga na orelha de Dunga.
E é bom lembrar, antes de encerrar esta conversa de retorno com os amigos, entre estes o médico Paulo Machado, ex-presidente do Rio Branco, que o Botafogo botou, literalmente, fogo no Cariocão ao vencer, com méritos o seu grande rival do momento no clássico do domingão. Valeu....
UMA NOVELA CHAMADA FUTEBOL
Neste período de carnaval, quando as famílias fogem da rotina e se refugiam em praias, casas de campo ou cidades pequenas, onde o frenético ritmo do dia a dia é atenuado pela vida simples do povo interiorano, é possível ouvir diálogos incríveis, principalmente quando estes veem do mundo da bola misturado com o mundo televisivo.
A Copa do Mundo se aproxima e o interesse feminino pelo futebol cresce espetacularmente, isto graças a globalização da tevê, que mostra jogos internacionais aos borbotões e fazem dos estaduais um pré-brasileiro de ótimo nível. A Globo, detentora dos direitos de transmissão de todos os campeonatos estaduais, faz, no horário nobre -aquele da novela das nove- chamadas para os jogos do domingo e isto aguça a curiosidade feminina, que está com o foco ligado na Copa da África.
Ontem, sentado à beira da praia, ouvi um casal proseando sobre uma possível diferença entre o futebol e as novelas. - Como se elas existissem, me diz Capistrano Arenari, meu parceiro neste retiro carnavalesco em Guarapari. Será que elas existem? Penso eu, imediatamente repassando a você aí do outro lado da telinha ou do jornal.
Então tá, tentarei, abaixo, explicar o que ouvi na areia da Praia dos Namorados:
- Você assiste novela todos os dias e não vê que todas são iguais e cada capitulo da novela de hoje se parece com a novela de dois ou três anos atrás, diz o maridão, já com algumas latinhas, da Boa, na cabeça.
- E você, seu teimoso, não acha que eu também já vi aqueles gols e aquelas jogadas no início de nosso casamento, quando eu, bobinha, fazia companhia a você com pena de te proibir ir aos bares ver os jogos com amigos? São as mesmas jogadas e só trocam os jogadores e as camisas dos times, o resto é a mesma coisa.
Estava a um passo de concordar com a senhorinha do lado quando o camarada resolveu dar o cheque mate na prosa. Tá certo, eu concordo contigo, mas o José Mayer deu “amassos” em cinco ou seis atrizes, por sinal todas com o personagem chamado de Helena, e o enredo é o mesmo de sempre, aqui, no meu mundo da bola, as jogadas podem até ser repetidas, um dia é o Ronaldinho Gaúcho, no outro é o Adriano, no ano passado foi o Ronaldo, dez anos atrás foi o Romário, o Bebeto...
O enredo pode ser o mesmo, mas os autores são diversificados e não ficam restritos ao temas de Gilberto Braga ou Manoel Carlos.
Aí a senhorinha pegou o chapéu de palha, jogou a toalha de lado, retocou a maquiagem e disse, com carinho: - Amor, eu vou até ali botar a conversa em dia com as meninas, vá até o quiosque tomar uma cerveja com seus amigos, tá?
É sempre assim, futebol e novela sempre serão empolgantes e jamais teremos capítulos repetidos, mas cá prá nós, que elas não nos ouçam, o capitulo das novelas a gente já conhece no início da semana e as revistas de fofocas sempre trazem o final.
E na bola, a gente sabe qual será o minuto chave do jogo? A gente sabe qual será o craque que beijará a bola no final da partida? Jamais, o futebol é mesmo uma caixinha de surpresas e as novelas serão sempre... Bem, deixa prá lá, quero continuar sendo lido por estas senhorinhas maravilhosas.
A Copa do Mundo se aproxima e o interesse feminino pelo futebol cresce espetacularmente, isto graças a globalização da tevê, que mostra jogos internacionais aos borbotões e fazem dos estaduais um pré-brasileiro de ótimo nível. A Globo, detentora dos direitos de transmissão de todos os campeonatos estaduais, faz, no horário nobre -aquele da novela das nove- chamadas para os jogos do domingo e isto aguça a curiosidade feminina, que está com o foco ligado na Copa da África.
Ontem, sentado à beira da praia, ouvi um casal proseando sobre uma possível diferença entre o futebol e as novelas. - Como se elas existissem, me diz Capistrano Arenari, meu parceiro neste retiro carnavalesco em Guarapari. Será que elas existem? Penso eu, imediatamente repassando a você aí do outro lado da telinha ou do jornal.
Então tá, tentarei, abaixo, explicar o que ouvi na areia da Praia dos Namorados:
- Você assiste novela todos os dias e não vê que todas são iguais e cada capitulo da novela de hoje se parece com a novela de dois ou três anos atrás, diz o maridão, já com algumas latinhas, da Boa, na cabeça.
- E você, seu teimoso, não acha que eu também já vi aqueles gols e aquelas jogadas no início de nosso casamento, quando eu, bobinha, fazia companhia a você com pena de te proibir ir aos bares ver os jogos com amigos? São as mesmas jogadas e só trocam os jogadores e as camisas dos times, o resto é a mesma coisa.
Estava a um passo de concordar com a senhorinha do lado quando o camarada resolveu dar o cheque mate na prosa. Tá certo, eu concordo contigo, mas o José Mayer deu “amassos” em cinco ou seis atrizes, por sinal todas com o personagem chamado de Helena, e o enredo é o mesmo de sempre, aqui, no meu mundo da bola, as jogadas podem até ser repetidas, um dia é o Ronaldinho Gaúcho, no outro é o Adriano, no ano passado foi o Ronaldo, dez anos atrás foi o Romário, o Bebeto...
O enredo pode ser o mesmo, mas os autores são diversificados e não ficam restritos ao temas de Gilberto Braga ou Manoel Carlos.
Aí a senhorinha pegou o chapéu de palha, jogou a toalha de lado, retocou a maquiagem e disse, com carinho: - Amor, eu vou até ali botar a conversa em dia com as meninas, vá até o quiosque tomar uma cerveja com seus amigos, tá?
É sempre assim, futebol e novela sempre serão empolgantes e jamais teremos capítulos repetidos, mas cá prá nós, que elas não nos ouçam, o capitulo das novelas a gente já conhece no início da semana e as revistas de fofocas sempre trazem o final.
E na bola, a gente sabe qual será o minuto chave do jogo? A gente sabe qual será o craque que beijará a bola no final da partida? Jamais, o futebol é mesmo uma caixinha de surpresas e as novelas serão sempre... Bem, deixa prá lá, quero continuar sendo lido por estas senhorinhas maravilhosas.
MUITO PRAZER: "EU SOU O CARNAVAL"
Passaram os dias e o carnaval de Guarapari ainda está na minha cabeça e meu pensamento está voltado para tudo o que vi naquela praia capixaba. O interessante é que, anos atrás, falei com os nossos governantes, através de seus assessores, que por aí, na nossa terrinha, poderíamos fazer o mesmo e “comprar a briga” por dias de folias bem mais interessantes aquela vista por aqui este ano.
Todos que me acompanham, nas páginas do jornal Dois Estados, sabem que não estive em Miracema nos dias de folia e fugi para Guarapari para ganhar uns dez dias de paz e sossego. Não sei o que se passou na Marechal Floriano e arredores nos dias de Momo, mas tenho certeza de que poderia ser melhor se houvesse um pouco mais de coragem para mudar, ou melhor, de voltar ao passado.
Há tempos eu falo de um plano para revigorar a Rua Direita e levar para os clubes tudo aquilo que vimos nas décadas de 50,60 ou 70, quando vimos a alegria do carnaval ser trocada pela música baiana, pelos pagodes sem nexo, pelo funk e rap. Era preciso fazer coisas diferentes daquilo que foi imposto, tipo chuveirada, inferninho e bailes movidos a axé e pagode, e nada foi feito. A justificativa era: “não dá mais certo” e que eu, pobre e saudoso folião, estava ficando “gagá.
Foi preciso quase vinte anos para que minha proposta fosse discutida, não pelos mandantes ou seus assessores, mas pelos amigos e conterrâneos, que encontrei por Guarapari. Eles assistiram o mesmo carnaval que vi por lá. “Cara, que coisa maravilhosa, nem mesmo confusão a gente está vendo”, era um comentário ouvido nas calçadas lotadas de onde o turista assistia os blocos de embalo, que passavam cantando marchinhas dos tempos de João Roberto Kelly e Zé Kéti.
Palhaços, mascarados, foliões fantasiados e crianças de odalisca, Barbie, marinheiro e outras inusitadas combinações. Não vi os blocos de sujos, aqueles que saiam pelas ruas, enfrentando o sol das duas horas, não vi bloquinhos como àqueles que freqüentavam as matinês do Aero Clube ou do Clube XV, mas vi grupos fantasiados na Turma do Funil, no bloco da Cachorra Louca e tantos outros grupos que desfilaram sábado, domingo, segunda e terça-feira.
Vi apenas uma escola de samba, sem financiamento da prefeitura, mas com apoio do comércio da cidade e lotada de gente da terra, que saudava o turista a cada metro que andava. O som valorizou a música carnavalesca, funk, axé, rap e pagode não foram ouvidos por este “chato de galocha” nos quatro dias de festa. O serviço de som funcionou perfeitamente e aqueles - os verdadeiros chatos - veículos de gente bacana, com som ligado nas grimpas, não circularam pelo centro da cidade.
Os bares estavam ornamentados com o tema da festa, tal qual os clubes nossos daqueles dias, serpentinas, confete e molhadores tradicionais - lança água- se faziam presente em toda avenida principal de Guarapari. Turistas mineiros, fluminenses, paulistas ou de outras praças brasileira, se misturavam com alguns grupos estrangeiros, como uma turma animada chegada recentemente da Itália para trabalhar em uma empresa de petróleo, que caiu na farra cantando em um português arrastado “´É com este que eu vou”, “Mamãe eu quero”, “Turma do Funil”, “Maria Sapatão, “Cabeleira do Zezé”, entre outras.
Não sei como foi por ai, o Renato Mercante me mandou algumas fotos da folia e até que gostei, não acompanhei pelo youtube, conforme o link que me mandaram, mas confesso que não me arrependi de ter trocado a folia daí por aquela de Guarapari.
Quem sabe que, no ano que vem, o José Souto e o próprio Renato, me convençam que estou completamente errado e volte a conviver com os amigos e conterrâneos também no carnaval?
Eu não sei se você pode dizer que conheceu o verdadeiro carnaval, mas por lá, em Guarapari, ele chegou prá mim e disse: “Muito prazer, eu sou o carnaval”.
Todos que me acompanham, nas páginas do jornal Dois Estados, sabem que não estive em Miracema nos dias de folia e fugi para Guarapari para ganhar uns dez dias de paz e sossego. Não sei o que se passou na Marechal Floriano e arredores nos dias de Momo, mas tenho certeza de que poderia ser melhor se houvesse um pouco mais de coragem para mudar, ou melhor, de voltar ao passado.
Há tempos eu falo de um plano para revigorar a Rua Direita e levar para os clubes tudo aquilo que vimos nas décadas de 50,60 ou 70, quando vimos a alegria do carnaval ser trocada pela música baiana, pelos pagodes sem nexo, pelo funk e rap. Era preciso fazer coisas diferentes daquilo que foi imposto, tipo chuveirada, inferninho e bailes movidos a axé e pagode, e nada foi feito. A justificativa era: “não dá mais certo” e que eu, pobre e saudoso folião, estava ficando “gagá.
Foi preciso quase vinte anos para que minha proposta fosse discutida, não pelos mandantes ou seus assessores, mas pelos amigos e conterrâneos, que encontrei por Guarapari. Eles assistiram o mesmo carnaval que vi por lá. “Cara, que coisa maravilhosa, nem mesmo confusão a gente está vendo”, era um comentário ouvido nas calçadas lotadas de onde o turista assistia os blocos de embalo, que passavam cantando marchinhas dos tempos de João Roberto Kelly e Zé Kéti.
Palhaços, mascarados, foliões fantasiados e crianças de odalisca, Barbie, marinheiro e outras inusitadas combinações. Não vi os blocos de sujos, aqueles que saiam pelas ruas, enfrentando o sol das duas horas, não vi bloquinhos como àqueles que freqüentavam as matinês do Aero Clube ou do Clube XV, mas vi grupos fantasiados na Turma do Funil, no bloco da Cachorra Louca e tantos outros grupos que desfilaram sábado, domingo, segunda e terça-feira.
Vi apenas uma escola de samba, sem financiamento da prefeitura, mas com apoio do comércio da cidade e lotada de gente da terra, que saudava o turista a cada metro que andava. O som valorizou a música carnavalesca, funk, axé, rap e pagode não foram ouvidos por este “chato de galocha” nos quatro dias de festa. O serviço de som funcionou perfeitamente e aqueles - os verdadeiros chatos - veículos de gente bacana, com som ligado nas grimpas, não circularam pelo centro da cidade.
Os bares estavam ornamentados com o tema da festa, tal qual os clubes nossos daqueles dias, serpentinas, confete e molhadores tradicionais - lança água- se faziam presente em toda avenida principal de Guarapari. Turistas mineiros, fluminenses, paulistas ou de outras praças brasileira, se misturavam com alguns grupos estrangeiros, como uma turma animada chegada recentemente da Itália para trabalhar em uma empresa de petróleo, que caiu na farra cantando em um português arrastado “´É com este que eu vou”, “Mamãe eu quero”, “Turma do Funil”, “Maria Sapatão, “Cabeleira do Zezé”, entre outras.
Não sei como foi por ai, o Renato Mercante me mandou algumas fotos da folia e até que gostei, não acompanhei pelo youtube, conforme o link que me mandaram, mas confesso que não me arrependi de ter trocado a folia daí por aquela de Guarapari.
Quem sabe que, no ano que vem, o José Souto e o próprio Renato, me convençam que estou completamente errado e volte a conviver com os amigos e conterrâneos também no carnaval?
Eu não sei se você pode dizer que conheceu o verdadeiro carnaval, mas por lá, em Guarapari, ele chegou prá mim e disse: “Muito prazer, eu sou o carnaval”.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
DOMINGO DE CARNAVAL
Quanto riso, oh! Quanta alegria. Mais de mil palhaços nas arquibancadas. Perdão, eu queria cantar o hino do carnaval e misturei bola com folia e lamentavelmente chego a conclusão que os dois estão com os dias contados. O carnaval vai muito bem, obrigado, nas cidades em que as autoridades resolveram valorizar o “velho” e proibiram a entrada do “novo”, como Ouro Preto, por exemplo, que vetou funk, axé ou pagode “mela cueca” em suas tradicionais ruas ou avenidas.
O futebol está trocando o “novo” pelo “velho” e o exemplo mais explícito disto aí são os retornos daqueles que um dia saíram daqui pensando em ser estrela internacional, caso recente de Cicinho e Robinho, e mais um pouquinho antes de Adriano, Vagner Love e Fred. São jogadores ainda jovens, com idade de se fazerem respeitar, mas que chegaram lá fora e sentiram falta do carnaval, das noites e das baladas do Brasil, onde deixaram o futebol adormecido por um tempo.
Hoje é dia de algum saudosista vestir uma fantasia, colocar a máscara e sair às ruas a procura de algo diferente daquilo vivido nos outros 365 dias do ano. Hoje é dia de esquecer as contas a pagar, as dívidas com agiotas ou bancos e correr atrás de uma falas felicidade. Hoje é dia de carnaval, dia de Momo e momento para se esquecer de tudo.
Este ano não vai ser igual aquele que passou! Isto é frase da virada do ano, mas foi consagrada pelo povo, nos anos 70, como um dos ícones dos carnavais inesquecíveis daquela década. Um beijo, um abraço e uma saidinha rápida para um “amasso” e pronto, o amor de carnaval estava na saudade já na quarta-feira de cinzas.
Hoje é domingo de carnaval e para muitos um dia decisivo. As Escolas de Samba do Rio de Janeiro vão para o Sambódromo mostrar aquilo que prepararam, como se fosse um treino de um time de futebol, durante doze meses seguidos. Hoje começa a disputa pelo título do samba, que tem o mesmo valor, para Portela, Mangueira, Salgueiro, Beija-Flor, Mocidade etc e tal, de um Estadual de futebol para Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense. Hoje começa a decisão, que termina apenas na abertura das papeletas dos jurados, na quarta-feira. Até lá é adrenalina pura.
Aliás ontem teve futebol, coisa horrível este calendário, que mistura samba com bola e deixa o torcedor maluco de vez. E, na quarta-feira as cinzas da bola não irão baixar e à noite, no Maracanã, mais um clássico decisivo. Ufa! Esta turma da bola não dá sossego nenhum ao folião.
Ah! Estão voltando as flores. É parece que descobriram a mina e o Rio bota o bloco na rua e faz a festa da população carente de amor e de festa. Os blocos de rua estão desfilando por toda orla marítima e os foliões estão em êxtase. Vê! Como é bonita a vida. Vê! Há esperança ainda. Sim, espero que dentro de alguns anos meus netos estejam cantando pelas ruas sem violência e sem nenhum canastrão para impedir o seu canto.
Na última semana eu escrevi, para o jornal Dois Estados, lá da minha Miracema, explicando o motivo que me tira de lá no período de Momo. Eu não acredito mais em dias melhores no carnaval. Não há mais desfile de mascarados pelas ruas, o calor e falta de criatividade da turma fizeram este tipo de divertimento fosse quase banido das ruas da cidade, ainda há algum apaixonado ou uma criança, motivada pelos pais, que ainda enfrentam o sol forte e os gritos de “mascarado pé de pato, comedor de carrapato”. Legal, mas insuficiente para que eu volte. Até daqui a dez dias, quando volto a conversar com vocês. Feliz carnaval, amigos do esporte.
O futebol está trocando o “novo” pelo “velho” e o exemplo mais explícito disto aí são os retornos daqueles que um dia saíram daqui pensando em ser estrela internacional, caso recente de Cicinho e Robinho, e mais um pouquinho antes de Adriano, Vagner Love e Fred. São jogadores ainda jovens, com idade de se fazerem respeitar, mas que chegaram lá fora e sentiram falta do carnaval, das noites e das baladas do Brasil, onde deixaram o futebol adormecido por um tempo.
Hoje é dia de algum saudosista vestir uma fantasia, colocar a máscara e sair às ruas a procura de algo diferente daquilo vivido nos outros 365 dias do ano. Hoje é dia de esquecer as contas a pagar, as dívidas com agiotas ou bancos e correr atrás de uma falas felicidade. Hoje é dia de carnaval, dia de Momo e momento para se esquecer de tudo.
Este ano não vai ser igual aquele que passou! Isto é frase da virada do ano, mas foi consagrada pelo povo, nos anos 70, como um dos ícones dos carnavais inesquecíveis daquela década. Um beijo, um abraço e uma saidinha rápida para um “amasso” e pronto, o amor de carnaval estava na saudade já na quarta-feira de cinzas.
Hoje é domingo de carnaval e para muitos um dia decisivo. As Escolas de Samba do Rio de Janeiro vão para o Sambódromo mostrar aquilo que prepararam, como se fosse um treino de um time de futebol, durante doze meses seguidos. Hoje começa a disputa pelo título do samba, que tem o mesmo valor, para Portela, Mangueira, Salgueiro, Beija-Flor, Mocidade etc e tal, de um Estadual de futebol para Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense. Hoje começa a decisão, que termina apenas na abertura das papeletas dos jurados, na quarta-feira. Até lá é adrenalina pura.
Aliás ontem teve futebol, coisa horrível este calendário, que mistura samba com bola e deixa o torcedor maluco de vez. E, na quarta-feira as cinzas da bola não irão baixar e à noite, no Maracanã, mais um clássico decisivo. Ufa! Esta turma da bola não dá sossego nenhum ao folião.
Ah! Estão voltando as flores. É parece que descobriram a mina e o Rio bota o bloco na rua e faz a festa da população carente de amor e de festa. Os blocos de rua estão desfilando por toda orla marítima e os foliões estão em êxtase. Vê! Como é bonita a vida. Vê! Há esperança ainda. Sim, espero que dentro de alguns anos meus netos estejam cantando pelas ruas sem violência e sem nenhum canastrão para impedir o seu canto.
Na última semana eu escrevi, para o jornal Dois Estados, lá da minha Miracema, explicando o motivo que me tira de lá no período de Momo. Eu não acredito mais em dias melhores no carnaval. Não há mais desfile de mascarados pelas ruas, o calor e falta de criatividade da turma fizeram este tipo de divertimento fosse quase banido das ruas da cidade, ainda há algum apaixonado ou uma criança, motivada pelos pais, que ainda enfrentam o sol forte e os gritos de “mascarado pé de pato, comedor de carrapato”. Legal, mas insuficiente para que eu volte. Até daqui a dez dias, quando volto a conversar com vocês. Feliz carnaval, amigos do esporte.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Crônica de um Fla x Flu inesquecível
Domingo, dia internacional do futebol, e este escriba resolve atender a “patroa” e deixa o gravador no ponto, para gravar o Fla x Flu, e parte para Atafona para ver a maravilhosa Rita Lee. Duas medidas sensatas e decisivas para quem está evitando emoções. O show foi relaxante e, apesar da multidão, foi super agradável e sem problemas no entorno.
O jogo foi eletrizante e com doses de emoções não recomendadas a um safenado. Fiz a troca certa.
Deixei o jogo gravando no DVD e parti para São João da Barra, certo de que não conseguiria meu intento, de ver o vídeo, sem saber do que acontecera no Maracanã. As tevês por assinatura se proliferaram entre nós e em cada canto deste país há um televisor ligado nestes canais pagos, que transmitem o futebol pelo Brasil inteiro.
Final de show, no Balneário de Atafona, e final de primeiro tempo, no Maracanã.
O povo, saindo feliz da festa proporcionada por Rita Lee, tinha duas caras: Aqueles que envergavam a camisa tricolor, com orgulho, cantavam mais alto as músicas da musa do rock and roll. Por outro lado, os que vestiam, não tão animados assim, o manto rubro-negro, saíram de um jeito chororô do balneário. As feições da torcida mostravam uma possível derrota do Flamengo, na virada do primeiro para o segundo tempo.
Entramos no carro e o que não queria ouvir aconteceu: “O Fluminense está vencendo por 2x1”, me disse Lucinha, mãe de Karine, uma flamenguista apaixonada.
É pode ser, respondi, ouvi três gritos de gols ali no Quiosque Posto 4. Mas não havia certeza, poderia ser 3x0 para um dos dois ou até mesmo 2x1 para o Flamengo. Os gols saíram, mas qual seria o placar do primeiro tempo? Não procurei saber, o vídeo estava em casa, me esperando.
O transito estava infernal no caminho para casa. A estrada São João da Barra x Campos, com 35 km do centro até a minha casa, foi atravessada em exatos 55 minutos, tempo suficiente para que o jogo do Maracanã se encerrasse e ouvir, no engarrafamento, um grito de Nense e uma ou duas bandeiras tricolores tremulando nos tetos dos carros.
- Perdemos o jogo, Karine. O Fluminense venceu o clássico e lidera o Grupo A da Taça Guanabara, comentei ainda ali em Cajueiro, onde o engarrafamento era pior.
Chegamos a Campos e o jogo, na tevê e no Maraca, ainda tinha alguns minutos, a tevê, ligada ali nas imediações do Braseirinho, perto da Uenf, ainda reunia em seu entorno algumas dezenas de torcedores. Mais um pouco a frente a multidão começava a se espalhar e isto era sinal que o jogo terminara.
Aumentei o volume da música, no rádio do carro, para não captar as emoções dos torcedores, mas o que vi, nas proximidades da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, me deu a certeza de que o Flamengo virara a partida.
Olhei de soslaio e vi uma bandeira rubro-negra nas mãos de um torcedor, em uma bicicleta, e disse para a Marina:
- O Flamengo virou.
- Como você sabe disto? Indagou Marina.
- Simples, ninguém sai às ruas, após uma derrota em um jogo como este, tremulando uma bandeira.
E ao chegar à casa, abrir uma geladinha e ligar a televisão, pude ver todo aquele espetáculo nas arquibancadas, no gramado e no vestiário, onde Andrade virou o jogo com duas alterações inteligentes e ousadas. Sacou Petkovic, que não jogou nada, e mudou o panorama da partida, e venceu, mesmo com um jogador a menos.
Isto é Fla x Flu, e, graças a Deus, o safenado ficou fora das emoções e foi colhendo informações extras para que o coração não sofresse um abalo durante os noventa minutos de um clássico extraordinário.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
JOVENS TARDES DE DOMINGO
A bola parou de rolar, na telinha da TV e o que era prá ser uma tarde de domingo esportiva, alguns bons jogos na, repetido, telinha da TV, e umas cervejinhas esperando no freezer da cozinha. Dei uma zapeada pelos canais da minha Sky e encontrei, na Globo News, o ótimo Chico Pinheiro e seu excelente Sarau, um programa que já faz parte de minha rotina e está sempre no ponto de gravação caso perca um dos capítulos.
Bem, e daí? Perguntaria o amigo. Sim, e daí encontrei Wanderléia e José Renato, aquele cara super inteligente do grupo Boca Livre, que faz um trabalho extraordinário em discos solo, como os que ele fez com músicas de Silvio Caldas, em Serestas, de Zé Kéti, com Sambas, e da Jovem Guarda, com o cd que levou o mesmo nome. Uma brasa, mora.
E daí, meu caro amigo, eu ouvi Roberto Carlos cantando “Jovens Tardes de Domingo”, que tem um refrão que marca o saudosista e quem vivenciou os belos dias e o velho tempo do tempo que não volta mais. “Velho tempos, belos dias”, não é mesmo? Então, será que o domingo do colunista foi o mesmo daqueles cantados em prosa e verso pela dupla Erasmo/Roberto? Claro que não.
“Hoje os meus domingos doces recordações. Daquelas tardes de guitarras, sonhos e emoções, o que foi felicidade me mata agora de saudade. Velhos tempos. Belos dias.”
Eu tentei, juro que tentei me conter e conter o choro. Sou realmente um “Zé bobão” e me derreto todo quando ouço as canções, não as que você fez prá mim, mas as que mercaram meus velhos tempos e meus belos dias.
Eu me lembro com saudade o tempo que passou. Do Grêmio, do Aero Clube, da Boate XV, que naquele tempo a chamávamos de Cabana.
O tempo passa tão depressa que não dá nem prá sentir saudades, mas deixou em mim um certo ar de quero mais, porém, tem sempre um porém, querer neste caso não é poder. Estes velhos tempos e estes belos dias deixaram em mim tantas alegrias e me lembro, você também deve se lembrar, de como as canções usavam forma simples prá falar de amor.
Erasmo e Roberto diziam “Carrões e gente numa festa de sorriso e cor”. Tudo bem, amigo, gente, sorriso e cor podia ser, mas carrões? Nem mesmo aqueles amigos mais abastados poderiam exibir nas jovens tardes de domingo lá na Santa Terrinha, não que fosse proibido, até que nem tanto, mas cadê os carrões?
Hoje os meus domingos são doces recordações, continuam os compositores de Jovens Tardes de Domingo, e não há nem mesmo uma alternativa de voltar a ter tudo aquilo em uma tarde só. Sonhos e emoções não são possíveis com Faustão comandando a festa, que saudade do Chacrinha, com o futebol dominando os finais de tarde e a obrigatoriedade do sucesso imediato faz com que os funks, os axés da Bahia e o falsificado forró nordestino ganhem espaço em todas as programações dos velhos domingos atuais.
O que um dia foi felicidade, diz Roberto Carlos na canção, me mata agora de saudade. Eu assinaria esta letra com o maior prazer. E você?
Bem, e daí? Perguntaria o amigo. Sim, e daí encontrei Wanderléia e José Renato, aquele cara super inteligente do grupo Boca Livre, que faz um trabalho extraordinário em discos solo, como os que ele fez com músicas de Silvio Caldas, em Serestas, de Zé Kéti, com Sambas, e da Jovem Guarda, com o cd que levou o mesmo nome. Uma brasa, mora.
E daí, meu caro amigo, eu ouvi Roberto Carlos cantando “Jovens Tardes de Domingo”, que tem um refrão que marca o saudosista e quem vivenciou os belos dias e o velho tempo do tempo que não volta mais. “Velho tempos, belos dias”, não é mesmo? Então, será que o domingo do colunista foi o mesmo daqueles cantados em prosa e verso pela dupla Erasmo/Roberto? Claro que não.
“Hoje os meus domingos doces recordações. Daquelas tardes de guitarras, sonhos e emoções, o que foi felicidade me mata agora de saudade. Velhos tempos. Belos dias.”
Eu tentei, juro que tentei me conter e conter o choro. Sou realmente um “Zé bobão” e me derreto todo quando ouço as canções, não as que você fez prá mim, mas as que mercaram meus velhos tempos e meus belos dias.
Eu me lembro com saudade o tempo que passou. Do Grêmio, do Aero Clube, da Boate XV, que naquele tempo a chamávamos de Cabana.
O tempo passa tão depressa que não dá nem prá sentir saudades, mas deixou em mim um certo ar de quero mais, porém, tem sempre um porém, querer neste caso não é poder. Estes velhos tempos e estes belos dias deixaram em mim tantas alegrias e me lembro, você também deve se lembrar, de como as canções usavam forma simples prá falar de amor.
Erasmo e Roberto diziam “Carrões e gente numa festa de sorriso e cor”. Tudo bem, amigo, gente, sorriso e cor podia ser, mas carrões? Nem mesmo aqueles amigos mais abastados poderiam exibir nas jovens tardes de domingo lá na Santa Terrinha, não que fosse proibido, até que nem tanto, mas cadê os carrões?
Hoje os meus domingos são doces recordações, continuam os compositores de Jovens Tardes de Domingo, e não há nem mesmo uma alternativa de voltar a ter tudo aquilo em uma tarde só. Sonhos e emoções não são possíveis com Faustão comandando a festa, que saudade do Chacrinha, com o futebol dominando os finais de tarde e a obrigatoriedade do sucesso imediato faz com que os funks, os axés da Bahia e o falsificado forró nordestino ganhem espaço em todas as programações dos velhos domingos atuais.
O que um dia foi felicidade, diz Roberto Carlos na canção, me mata agora de saudade. Eu assinaria esta letra com o maior prazer. E você?
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