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DEU TIJUCA NA SAPUCAÍ E BOTAFOGO NO MARACA

Hoje, quase uma semana pós Cinzas e um clima de satisfação toma conta do escriba. Uma semana depois de um dos melhores carnavais que vivi nos últimos anos. As marchinhas, os sambas, as marchas-rancho e outras maravilhas dos anos 60/70 vieram a mim através dos vários blocos que desfilaram, nos quatro dias de Momo, no centro de Guarapari.

No Rio, apesar da leve paixão pela Mangueira, eu torci intensamente por uma vitória da Império da Tijuca, não porque ter visto a melhor escola no sambódromo, juro que não vi o desfile domingo ou segunda-feira, mas para ter algo diferente para comentar no dia seguinte da folia ou na minha primeira crônica após o regresso do belo passeio pelo litoral capixaba.

Se desse Beija-Flor o assunto não teria tanto entusiasmo nas mesas dos bares na orla da Areia Preta ou pelas praias de Grussaí, Farol ou Atafona, onde amigos curtiram o velho e bom carnaval. Será que com a mesma intensidade do que curtiu este velho escriba? Duvido.

Assisti a apuração ao lado do amigo Capistrano Arenari, já contei aqui neste Papo de Bola que este foi o meu parceiro nestes dias de reciclagem, na bela Guarapari. Ao ver crescer a pontuação da Unidos da Tijuca, que conquistaria o seu primeiro título após longos anos, desbancando outra vez a Beija-Flor, como já fizera o Salgueiro, em 2009

Naquele momento imaginei como o torcedor do São Paulo FC sentiu a pressão das outras torcidas após o terceiro título consecutivo e o sexto em sua história.

E no domingo esta mesma Globo iria falar de Vasco x Botafogo, quando as torcidas de cores idênticas, ambas em preto e branco, teriam o mesmo nervosismo que o pessoal da Beija-Flor mostrou na Sapucaí. Era preciso mudar algo para que o resultado saia da mesmice e o Estadual volte a ser competitivo e interessante também para as outras cores além do vermelho e preto.

Esta decisão, de primeiro turno, dá um toque especial ao Cariocão, onde todos querem ver o Flamengo alijado da final geral. Se o rubro-negro levar outro título para a Gávea, que seria o quarto consecutivo, alguém irá dizer que foi “marmelada” e que tudo estava armado para ele, como era nos tempos em que a escola de Nilópolis não tinha adversário no Sambódromo e o tricolor paulista nos gramados.

Quando o resultado, cantado pelo Jorge Perlingeiro, foi sacramentado no Sambódromo, minha mente voltou para o futuro e fui até a África do Sul em segundos. Imaginei como será a pressão contra o Brasil, que irá buscar os sexto título mundial. A diferença entre a Unidos da Tijuca para o Brasil é que o último título da escola tijucana, no samba, foi em 1936 e o Brasil, todos sabem, ganhou em 2002 com Felipão.

O país agora entra em ritmo normal de trabalho -será?- e dentro de três meses, no final de maio, com uma pausa para a Semana Santa, as atenções estarão voltadas para a Copa do Mundo de Futebol e, mais uma vez, o Brasil para e os fanáticos por Copa do Mundo entram em cena e os papos de botequim ganham o foco futebolístico.

Fiquei desligado do mundo da bola por algum tempo, exatos doze dias, e garanto que não senti muita diferença, o futebol, que deveria ter dado este descanso ao torcedor, não foi assim tão insinuante ou decisivo neste período e, exceto o jogão Milan x Manchester United, quando Ronaldinho Gaúcho resolveu colocar, definitivamente, uma pulga na orelha de Dunga.

E é bom lembrar, antes de encerrar esta conversa de retorno com os amigos, entre estes o médico Paulo Machado, ex-presidente do Rio Branco, que o Botafogo botou, literalmente, fogo no Cariocão ao vencer, com méritos o seu grande rival do momento no clássico do domingão. Valeu....

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