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JOVENS TARDES DE DOMINGO

A bola parou de rolar, na telinha da TV e o que era prá ser uma tarde de domingo esportiva, alguns bons jogos na, repetido, telinha da TV, e umas cervejinhas esperando no freezer da cozinha. Dei uma zapeada pelos canais da minha Sky e encontrei, na Globo News, o ótimo Chico Pinheiro e seu excelente Sarau, um programa que já faz parte de minha rotina e está sempre no ponto de gravação caso perca um dos capítulos.

Bem, e daí? Perguntaria o amigo. Sim, e daí encontrei Wanderléia e José Renato, aquele cara super inteligente do grupo Boca Livre, que faz um trabalho extraordinário em discos solo, como os que ele fez com músicas de Silvio Caldas, em Serestas, de Zé Kéti, com Sambas, e da Jovem Guarda, com o cd que levou o mesmo nome. Uma brasa, mora.

E daí, meu caro amigo, eu ouvi Roberto Carlos cantando “Jovens Tardes de Domingo”, que tem um refrão que marca o saudosista e quem vivenciou os belos dias e o velho tempo do tempo que não volta mais. “Velho tempos, belos dias”, não é mesmo? Então, será que o domingo do colunista foi o mesmo daqueles cantados em prosa e verso pela dupla Erasmo/Roberto? Claro que não.

“Hoje os meus domingos doces recordações. Daquelas tardes de guitarras, sonhos e emoções, o que foi felicidade me mata agora de saudade. Velhos tempos. Belos dias.”

Eu tentei, juro que tentei me conter e conter o choro. Sou realmente um “Zé bobão” e me derreto todo quando ouço as canções, não as que você fez prá mim, mas as que mercaram meus velhos tempos e meus belos dias.

Eu me lembro com saudade o tempo que passou. Do Grêmio, do Aero Clube, da Boate XV, que naquele tempo a chamávamos de Cabana.

O tempo passa tão depressa que não dá nem prá sentir saudades, mas deixou em mim um certo ar de quero mais, porém, tem sempre um porém, querer neste caso não é poder. Estes velhos tempos e estes belos dias deixaram em mim tantas alegrias e me lembro, você também deve se lembrar, de como as canções usavam forma simples prá falar de amor.

Erasmo e Roberto diziam “Carrões e gente numa festa de sorriso e cor”. Tudo bem, amigo, gente, sorriso e cor podia ser, mas carrões? Nem mesmo aqueles amigos mais abastados poderiam exibir nas jovens tardes de domingo lá na Santa Terrinha, não que fosse proibido, até que nem tanto, mas cadê os carrões?

Hoje os meus domingos são doces recordações, continuam os compositores de Jovens Tardes de Domingo, e não há nem mesmo uma alternativa de voltar a ter tudo aquilo em uma tarde só. Sonhos e emoções não são possíveis com Faustão comandando a festa, que saudade do Chacrinha, com o futebol dominando os finais de tarde e a obrigatoriedade do sucesso imediato faz com que os funks, os axés da Bahia e o falsificado forró nordestino ganhem espaço em todas as programações dos velhos domingos atuais.

O que um dia foi felicidade, diz Roberto Carlos na canção, me mata agora de saudade. Eu assinaria esta letra com o maior prazer. E você?

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