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DOMINGO DE CARNAVAL

Quanto riso, oh! Quanta alegria. Mais de mil palhaços nas arquibancadas. Perdão, eu queria cantar o hino do carnaval e misturei bola com folia e lamentavelmente chego a conclusão que os dois estão com os dias contados. O carnaval vai muito bem, obrigado, nas cidades em que as autoridades resolveram valorizar o “velho” e proibiram a entrada do “novo”, como Ouro Preto, por exemplo, que vetou funk, axé ou pagode “mela cueca” em suas tradicionais ruas ou avenidas.

O futebol está trocando o “novo” pelo “velho” e o exemplo mais explícito disto aí são os retornos daqueles que um dia saíram daqui pensando em ser estrela internacional, caso recente de Cicinho e Robinho, e mais um pouquinho antes de Adriano, Vagner Love e Fred. São jogadores ainda jovens, com idade de se fazerem respeitar, mas que chegaram lá fora e sentiram falta do carnaval, das noites e das baladas do Brasil, onde deixaram o futebol adormecido por um tempo.

Hoje é dia de algum saudosista vestir uma fantasia, colocar a máscara e sair às ruas a procura de algo diferente daquilo vivido nos outros 365 dias do ano. Hoje é dia de esquecer as contas a pagar, as dívidas com agiotas ou bancos e correr atrás de uma falas felicidade. Hoje é dia de carnaval, dia de Momo e momento para se esquecer de tudo.

Este ano não vai ser igual aquele que passou! Isto é frase da virada do ano, mas foi consagrada pelo povo, nos anos 70, como um dos ícones dos carnavais inesquecíveis daquela década. Um beijo, um abraço e uma saidinha rápida para um “amasso” e pronto, o amor de carnaval estava na saudade já na quarta-feira de cinzas.

Hoje é domingo de carnaval e para muitos um dia decisivo. As Escolas de Samba do Rio de Janeiro vão para o Sambódromo mostrar aquilo que prepararam, como se fosse um treino de um time de futebol, durante doze meses seguidos. Hoje começa a disputa pelo título do samba, que tem o mesmo valor, para Portela, Mangueira, Salgueiro, Beija-Flor, Mocidade etc e tal, de um Estadual de futebol para Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense. Hoje começa a decisão, que termina apenas na abertura das papeletas dos jurados, na quarta-feira. Até lá é adrenalina pura.

Aliás ontem teve futebol, coisa horrível este calendário, que mistura samba com bola e deixa o torcedor maluco de vez. E, na quarta-feira as cinzas da bola não irão baixar e à noite, no Maracanã, mais um clássico decisivo. Ufa! Esta turma da bola não dá sossego nenhum ao folião.

Ah! Estão voltando as flores. É parece que descobriram a mina e o Rio bota o bloco na rua e faz a festa da população carente de amor e de festa. Os blocos de rua estão desfilando por toda orla marítima e os foliões estão em êxtase. Vê! Como é bonita a vida. Vê! Há esperança ainda. Sim, espero que dentro de alguns anos meus netos estejam cantando pelas ruas sem violência e sem nenhum canastrão para impedir o seu canto.

Na última semana eu escrevi, para o jornal Dois Estados, lá da minha Miracema, explicando o motivo que me tira de lá no período de Momo. Eu não acredito mais em dias melhores no carnaval. Não há mais desfile de mascarados pelas ruas, o calor e falta de criatividade da turma fizeram este tipo de divertimento fosse quase banido das ruas da cidade, ainda há algum apaixonado ou uma criança, motivada pelos pais, que ainda enfrentam o sol forte e os gritos de “mascarado pé de pato, comedor de carrapato”. Legal, mas insuficiente para que eu volte. Até daqui a dez dias, quando volto a conversar com vocês. Feliz carnaval, amigos do esporte.

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