Pular para o conteúdo principal

40 ANOS DO ANO QUE NÃO COMEÇOU

Se 1968, segundo Zuenir Ventura, foi o ano que não terminou, o que dizer de 1969? O ano que não começou? Nada disto, 1969 foi um ano maravilhoso, em que pese os conflitos militares, o AI5 e outras barbáries da Ditadura Militar e do governo Médici.

1969 foi quando tudo começou e tudo floresceu. Foi o ano em que o homem desceu na lua, Pelé marcou o milésimo gol de sua gloriosa carreira, a música tomou conta dos jovens e o grito de paz e amor foi ouvido em todo o planeta terra.

Mas enquanto a comunicação por computador começava, o conjunto inglês, hoje chamam de banda, Beatles terminava, adeus Paul, adeus John, a última apresentação pública ocorreu no telhado da Apple Records, mas a polícia interrompeu a performance do conjunto inglês, McCartney se casou com Linda enquanto o Led Zeppelin lançava o melhor álbum da história do rock, coincidentemente no mesmo ano em que se realizou o maior festival de rock de todos os tempos, o Woodstock, que arrastou nada menos que 500 mil pessoas durante três dias de muita música realizado em uma fazenda gigantesca em uma cidade próxima a Nova York.

Isso com certeza não foi notícia no Jornal Nacional, pois o programa surgiu justamente há 40 anos atrás, em 1º de setembro de 1969, há tempo de poder fazer uma grande reportagem sobre um dos maiores feitos do melhor jogador de futebol de todos os tempo, Pelé marcava o seu gol número 1000 no dia 19 de novembro em uma partida no estádio do Maracanã, um dia histórico para o esporte que no mesmo ano via nascer pessoas que se tornariam célebres atletas, como Gabriel Batistuta, Steffi Graf, Paul Tergat e até Michael Schumacher, mas dava adeus a outros tão célebres quantos estes, casos de Rock Marciano e Arthur Friendenreich.

No dia 20 de julho de 1969, o apresentador Hilton Gomes narrou, direto do estúdio da TV Globo no Jardim Botânico, a chegada na lua da nave espacial americana Apolo II . Eram 23h56, horário de Brasília, quando o astronauta Neil Armstrong, comandante da missão, anunciou o pouso. A nitidez das imagens geradas do espaço via satélite era tanta que muitos telespectadores duvidaram da chegada do homem à lua.

Voltando a área musical, 1969 foi marcado pela volta de Elvis, ao vivo, após oito anos longe dos palcos. Os Mutantes, de Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, eram febre no Brasil e o Rei Roberto Carlos enlouquecia as fãs nas curvas da estrada de Santos.

Nos Esportes, o então imbatível Santos, sagra-se tri-campeão paulista. O Fluminense é o campeão carioca e o Palmeiras, o vencedor do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, competição que substituiu a Taça Brasil e antecedeu o atual Campeonato Brasileiro.

Jackie Stewart, da equipe Matra, mostra a sua superioridade nas pistas e deixa seus nome gravado no hall dos grandes campeões da Fórmula 1 e Emerson Fittipaldi já ensaiava as primeiras aceleradas em busca do primeiro título mundial para um piloto brasileiro.

Este escriba não pensa como Zuenir Ventura, que acredita que 1969 não tenha começado e sequer 1968 tenha terminado. Foi neste 1969 que vivi grandes momentos no futebol, nossa ida para o Vasco ao lado de Cacá e Geneci, a fase exuberante do GEAO (Grêmio Esportivo Alberto Oliveira), onde os jovens se encontravam no embalo da boa música internacional sem drogas, mas com muito rock and roll.

Foi a arrancada dos festivais de música em toda região e onde houvesse um palco disponível, lá estavam os compositores de ocasião e os cantores da minha geração. Um ano realmente incrível e que marcou bastante para uma geração que aprendeu a viver intensamente e sem medo de ser feliz, apesar do chumbo da ditadura e dos golpes na liberdade de ir e vir dos brasileiros.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Momentos inesquecíveis/Bola de Ouro

  Essa Bola de Ouro de 1987 não é apenas uma lembrança. É um pedaço da história do rádio esportivo brasileiro, e mru nome está lá, entre tantos gigantes da comunicação! Agora essa recordação ganhou a moldura que merece. E nosso baú de memórias continua crescendo. Ainda temos muita história para contar e muita emoção para reviver! ❤️🏆

O CENTRO HISTÓRICO DE MIRACEMA

O que é um centro histórico de uma cidade? É tudo aquilo que um dia foi história e, certamente, onde tudo começou. Correto. Então o centro histórico de Miracema seria na Praça Dona Ermelinda e seu entorno? Certo? Não. Pelo menos no ponto de vista de algumas pessoas da cidade o Centro Histórico é tão somente a Rua Direita, que anos atrás era o pulmão do município e hoje, infelizmente, o que resta são os poucos casarões que embelezam a atual Rua Marechal Floriano. Em coluna especial, no meio deste ano, sugeri que este nome, Marechal Floriano, fosse retirado e que a Rua Direita se dividisse em quatro partes, cada uma levando o nome de um dos heróis da emancipação, ou seja, “Os Quatro Diabos”. Uns gostaram e outros me criticaram, mas é apenas uma opinião de um miracemense ausente e você pode ter a sua que não contestarei em hipótese alguma. O centro histórico não tem mais os bazares, como a casa Cacheado, os armazéns, como o do Seu Pinheiro, as sorveteiras, como a do Abdo, os bares, como ...

A saideira que não aconteceu

  Hoje seria nossa despedida de Belém.  Seria. Fomos obrigados a abortar o passeio de dois dias à Ilha de Marajó, reflexo ainda da queda em que conheci, literalmente, o chão de Alter do Chão. Não me sinto seguro para me aventurar pelas águas amazônicas ou pelas terras de Marajó. Ficará para outra oportunidade. Mas Belém ainda tinha muito a nos mostrar. Hoje fomos ao Mercado Ver-o-Peso para saber o quanto pesaria, em nosso roteiro, aquele lugar tão famoso instalado às margens da Baía do Guajará. E minha impressão é de que realmente merece nota máxima, embora ainda precise de alguns retoques em seu ambiente. Foi uma manhã inteira girando por lá. Comprinhas de lembranças, observação de uma mistura interessante entre o antigo e o moderno, contato com o artesanato regional e, principalmente, a oportunidade de sentir de perto o calor humano do povo paraense. Eu e Marina vimos também a nossa primeira chuva da tarde em Belém. E foi de dentro de um táxi. Durante uns quinze minutos...