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JAIR POILACA: UMA LENDA DO FUTEBOL

Jair do Nascimento é um personagem folclórico de nossa cidade, não fosse ele um ex-jogador raçudo e com um chute forte, segundo seus amigos um “coice de mula”, e um destruidor de mangueiras. Quem melhor narra as peripécias de Polaca é o conterrâneo e amigo, José Maria de Aquino, que tem no Polaca um de seus ídolos do futebol.

Reza a lenda que Jair “matou” todas as mangueiras do grupo escolar com seus chutes fortes, que jamais acertavam as redes adversárias e sempre vazavam o muro do pequeno campo de treino explodindo nas árvores do colégio, onde ficava o gramado do time da cidade.

Após encerrar a carreira, já bem “velhinho”, Jair resolveu experimentar o outro lado, como seu ídolo Elba de Pádua Lima, o Tim, e foi ser treinador do seu Miracema FC, onde, além das funções de orientador, exercia a de roupeiro, massagista, presidente, etc e tal.. Suas histórias são incríveis, a cada viagem que faço pelas bandas da “terrinha” ouço, com atenção, as aventuras do Polaca, o ícone do futebol miracemense. “Ele era incrível, não sabia muito de bola, mas carregava um otimismo que encantava a turma e fazia o time jogar com força e vontade”, diz Vadeco, volante clássico, marcador, lançador e fã do treinador.

- Certa vez, relata Lula, um vigoroso lateral, o Miracema não tinha centro avante e o Jair foi buscar o Genuíno, filho do dono da padaria, em casa. O pai do garoto não queria que ele jogasse, teria que ajuda-lo na venda de pães naquele domingo. Mas Jair era simpático e sabia convencer a todos, e Genuíno foi liberado momentos antes da partida começar. Minha grande surpresa, revela Lula, foi quando o treinador me deu a camisa 11 e me fez jogar no ataque. Tudo bem, eu batia as minhas peladas como atacante e fui lá, obedecendo a ordem do nosso treinador.

Eu fiquei espantado com a conversa e perguntei ao zagueirão: Legal, mas o que tem de estranho nesta escalação sua como atacante? – Você não sabe o que aconteceu? Vou contar. “O jogo corria solto e nós perdíamos por 1x0 e eu não acertava uma. O Genuíno resolveu tirar as chuteiras e voltar para a padaria. Foi então que o Jair percebeu que o garoto estava por ali e mandou que ele entrasse no jogo. Sabe quem saiu? O goleiro. O Chico Besouro foi para o gol e o Genú entrou e decidiu a partida”.

Ainda não entendi nada, meu zagueirão: “O nosso goleiro tinha apenas um metro e meio e estava quebrando o galho do Jair, já que era bom no futebol de salão e, como não tínhamos goleiro a improvisação deu certo. Coisas do Polaca”.

Ouvindo um daqui, outro dali, fui anotando as peripécias do folclórico treinador, que um dia, imprensado pela torcida, que reclamava da falta de qualidade do time e exigia substituições, Polaca foi ao cara que levantava as placas, não tem este negócio de quarto árbitro por lá, e pediu calmamente. “Amigo, tire duas placas e levante as duas, por favor”. O cara não entendeu e perguntou: “Por que faria isto, seu Jair? Se vai fazer alteração me avise quem vai sair”. No que ele arrematou: “Eu mudaria todo mundo, mas só posso tirar dois (naquele tempo eram permitidas duas alterações) e, portanto vai na sorte, as placas que saírem indicarão quem eu vou tirar”. E assim foi feito.

No jogo da festa, quando o lugar estava apinhado de visitantes, Jair gostava de jogar e se escalava sempre. Naquele ano haveria uma solenidade antes do jogo e os ex-jogadores seriam homenageados pela diretoria do time. Jair ficou sabendo que muitos iriam jogar e ele, como treinador oficial, escalaria o time para enfrentar os veteranos do Goytacaz. Antes do jogo, no vestiário, uma conversa franca com os jogadores, que conheciam os métodos esquisitos do comandante, um impasse: Quem jogaria? Ninguém queria o banco de reservas naquele jogo festivo.

O tempo estava passando e o alvianil campista já estava em campo esperando o time local, que não dava sinais de vida. “Achei a solução para o caso”, bradou Jair para os companheiros enquanto vestia a camisa sete, que o consagrara em seus tempos de boleiro. “Vou jogar as camisas para o alto e quem pegar joga. Tá legal?” Ninguém gostou, mas o jeito foi correr atrás de uma, qualquer que fosse o número, para garantir o lugar entre os onze titulares, já que apenas a sete, pega pelo Jair, e a um, entregue ao Rubinho Camelo, tinham donos absolutos.

Jair do Nascimento é um personagem do nosso futebol, sua vida foi dedicada ao nobre esporte bretão e suas histórias correm a região como verdadeiras lendas, assim como ele, lenda viva do nosso alegra futebol.

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