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Copa 78 – A FORÇA DOS MILITARES

Copa 78 – A força dos militares dá título aos argentinos

A situação na Argentina era muito ruim. A linha-dura e a censura impostas pela ditadura tornaram a organização da Copa um trunfo para os militares. Houve muitos protestos, boicotes e pedidos para que a Fifa mudasse a sede, mas o presidente da entidade, o brasileiro João Havelange, foi irredutível. Aqui, no Brasil, os protestos eram contra o treinador Cláudio Coutinho, falecido precocemente em uma prática de seu esporte favorito, caça submarina. A grita da imprensa e dos apaixonados por copa, era contra as improvisações do treinador, que fez sucesso no Flamengo e que começou, em 70, como um dos preparadores físicos de Zagallo, no México.

Foi necessária uma trégua entre o militares e a guerrilha de oposição (que prometeram solenemente não praticar atos terroristas durante a disputa da Copa) para que o campeonato mundial de 1978 fosse confirmado no país.

Lá, na Santa Terrinha o guru Ermenegildo Solon já havia partido para vôos mais altos na capital, mas foi dele que ouvi as histórias que repasso na nossa reminiscência das copas. “Dutra, já saímos daqui naquela de improvisar. Como um bom brasileiro o Capitão Coutinho inventou Toninho Baiano na ponta direita, Edinho na lateral esquerda e deixou, acredite, no Brasil o já cracaço Falcão, então um jovem jogador do Internacional de Porto Alegre. Vi este garoto jogar e não acreditei quando o nosso treinador escalou Chicão, o botinudo, como volante titular”, comenta nosso conterrâneo, que investiu seus primeiros dólares economizados durante dois anos de trabalho duro para ver a Copa da Argentina.
Raras vezes o campeão de uma Copa do Mundo da FIFA gerou tantas polêmicas como as que surgiram na décima primeira edição do campeonato, sediado na Argentina. Na verdade, o futebol em si ficou em segundo plano, pois as autoridades debateram se o torneio seria ou não boicotado em protesto ao regime totalitário do General Videla e de suas violações aos direitos humanos. Finalmente, no entanto, apesar de uma grande campanha contra, todas as nações futebolísticas do mundo viajaram para a Argentina. Todas, exceto aquelas que não se classificaram, como a Inglaterra (pela segunda vez consecutiva), a Iugoslávia e a União Soviética. Outros países com menos tradição no esporte, como o Irã e a Tunísia, estrearam e a França voltou à competição depois de doze anos de ausência.
Meu guru, Ermenegildo Solon, diz que naquela bulha envolvendo o escandaloso jogo entre Peru e Argentina, a culpa toda foi do nosso time. “Entramos em campo, em Rosário, para não perder dos anfitriões. Foi o medo de perder que nos tirou o título, éramos melhores do que eles e não fizemos por merecer. Realmente o estádio era um chiqueiro, não dava para jogar futebol, mas com Chicão de volante foi muito pior, era botinada prá cá e nenhuma jogada criada para o ataque brasileiro, que medrou diante das porradas dos argentinos. O resto foi conseqüência deste resultado e pela teimosia em parar de atacar contra a Polônia”.
Enquanto isso, fora de campo, os argentinos foram arrumando a casa e fazendo com que os resultados chegassem a qualquer custo. Os anfitriões precisavam vencer o Peru, no último jogo, por uma diferença mínima de quatro gols; os brasileiros, por sua vez, pareciam ter o passe garantido para a final. Contrariando todas as expectativas, Passarella e seus companheiros marcaram nada menos que seis gols nos peruanos, dois deles de Mario Kempes.
Essa avalanche de gols deixou de boca aberta até mesmo os torcedores mais despreocupados. Na final, no entanto, os homens de César Luis Menotti mereceram a vitória (3 a 1 na prorrogação) sobre a Holanda que novamente estava carente de recursos. Diante disso, a Argentina correspondeu às expectativas dos seus torcedores e conquistou seu primeiro título mundial, desbancando a Holanda na grande decisão. O Brasil terminou a competição invicto e o técnico Cláudio Coutinho disse que a seleção brasileira era a "campeã moral" da Copa de 78.

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