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O Trem da Valle

 

Um trem para Minas

Na locomotiva que seguia de Vitória a Governador Valadares, “Seu” Albino, mineiro de 94 anos, falava com a energia de um rapaz. Lúcido, opinativo e cheio de histórias, lembrava sua vida no Exército e a passagem pela Segunda Guerra. Entre goles de café e comentários sobre política, confessava: “Já não encontro alegria em torcer pelo Flamengo ou pelo América. Assim como na vida, às vezes é preciso mudar de rumo”.

No mesmo vagão, Carlos Augusto ironizava nossa paixão pelo futebol: “Conheço Garrincha, Pelé, Maradona… mas não entendo como vocês gastam tanto tempo com essas discussões”. França, ao contrário, trazia o futebol como memória viva. Aos 75 anos, emocionou-se ao recordar Miracema: os craques locais, os bailes do Aeroclube, o Colégio Miracemense. Cada lembrança reacendia nele a chama da juventude.

A viagem pelo Rio Doce tornou-se mais que deslocamento: foi encontro de gerações, de opiniões e de saudades. Entre causos, risadas e confidências, o trem transformou-se em palco de histórias que não se apagam. Para Albino, Carlos Augusto e França, e também para nós, foi uma travessia que misturou passado e presente — e que ficará guardada como uma das mais belas jornadas por Minas Gerais.

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