Gente Humilde
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Minha Gente
Tem dias em que penso na minha gente.
Agora, então, penso demais.
Não dá para dizer como quando passo no subúrbio. Faz tempo que não ando por um lugar distante, nem por um subúrbio legal — nem daqui onde moro, nem das grandes cidades. Não dá para dizer que venho muito bem, vindo de trem de algum lugar.
Mas às vezes me dá inveja dessa gente que vai em frente sem nem ter com quem contar.
E isso é duro.
Não ter com quem contar é pesado demais.
Volto o olhar para Miracema — minha Terrinha.
Sentados à beira da rua, trocando prosas em família, entre vizinhos.
Não sei se na fachada estava escrito “aqui é um lar”, mas estava na varanda. Nas flores. Algumas tristes e baldias em certas casas. Na minha, pelo contrário, flores alegres e vivas como minha avó Maria e minha mãe Lili.
E então a tristeza volta.
Dói o coração ver tanta gente sofrendo injustamente nesta pandemia. Incertezas. Medo. Solidão.
Bate um despeito por não poder lutar de verdade contra tudo isso.
E eu, que digo que não creio — mas creio sim — peço a Deus por minha gente.
Gente humilde.
E dá vontade de chorar.
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