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Os Padres Holandeses 1

 

Os Padres Holandeses

Certa vez, lá pelos anos 1970, me vi tomado por uma saudade imensa. Era dezembro. Chegara o Natal — festa da cristandade — e com ele vieram lembranças do tempo em que os padres holandeses fizeram morada na Paróquia de Santo Antônio.

Trouxeram novidades. E quando digo novidades, é no sentido exato da palavra.

Mudaram a forma de rezar a missa.
Renovaram o ensino do catecismo.
Alteraram o jeito de olhar, conversar e convencer os fiéis.

As festas de Natal já não eram as mesmas dos anos anteriores.

Lembro-me do presépio montado no altar-mor. Lembro-me dos cânticos — totalmente novos — que chegaram com eles: Alberto, Luiz e Antônio. No meu ponto de vista, revolucionaram a paróquia e trouxeram uma movimentação mais jovem aos corredores da igreja.

Algum tempo depois chegou o mais jovem da turma: Padre André.

Um homem do bem. Alegre. Amigo da garotada.

Logo formou um coro — não confunda com coral — apenas um grupo de meninos e meninas que cantava alegremente todas as tardes nas escadarias da igreja.

Hoje a música de Padre André é cantada pela turma da Galinha Pintadinha. Eu mesmo não a ouvia havia muito tempo. Mas quando Luna começou a cantar e, agora, Felipe também entoa os versos da “Loja do Mestre André”, volto instantaneamente àquele distante 1970.

Foi na aula do Padre André que aprendi a tocar tambor.
Foi com ele que aprendi a gostar de música.
Foi com ele que comecei a entender uma partitura.

Mais tarde, o Maestro Zeca Garcia completou minha formação com sabedoria e paciência. Tornei-me músico. Mas jamais esquecerei meu primeiro incentivador: Padre André.

Padre Antônio era outro personagem inesquecível. Tinha verdadeira paixão por minha avó Maria, a quem chamava carinhosamente de “Lua”. Sempre aceitava seus convites para almoçar. Recém-chegado da Holanda, mal conhecia os quitutes brasileiros, mas se apaixonou pelo bolinho de aipim e enlouqueceu pelo pastel da vovó. Quando comia carne seca com abóbora, lambia os beiços — no sentido literal da expressão.

Padre Alberto, o mais velho do quarteto, era mais severo e menos sorridente. Também era o melhor orador. Seus sermões eram profundos e marcantes. Mas havia um detalhe: seu português era sofrível, arrancava risos involuntários dos fiéis — o que o deixava visivelmente irritado.

Já Padre Luiz, o bonachão e mais popular do grupo, ria à vontade. Tinha o melhor português, fruto de mais tempo em terras brasileiras.

É delicioso lembrar desses padres holandeses neste período natalino.

Homens maravilhosos que deixaram suas marcas na Paróquia de Santo Antônio. Seus nomes permanecem gravados na memória da cidade — e, pelo menos para mim e minha família, serão lembrados eternamente.



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