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Recordando - Copas do Mundo - de 1958 a 2018

 Conversando esta semana, com meu amigo José Roberto Lux, para quem não o conhece pelo nome de batismo eu digo que é o Zé Boquinha, hoje comentarista da Espn, falamos justamente o que o Sefinho disse no seu comentário na postagem anterior, os panoramas das Copas desde 1958, ano do primeiro título, até 2018 nosso último fiasco nestas competições. 


Analisamos desde a organização e a surpresa que foi na Suécia, o time era forte e, mesmo sem poder fazer alterações durante o jogo, um elenco poderoso com dois excelentes jogadores, craques, para cada posição tanto que Vicente Feola, o técnico, usou o "banco" e trocou seis peças e o time não sentiu e chegou ao título. 

Lembram que a história conta que a linha de ataque era Joel, Mazola, Dida e Zagalo e o meio campo Dino Sani e Didi e o titular da lateral direita era De Sorte e vocês se lembram também que o time terminou com Djalma Santos na lateral, Zito ao lado de Didi e um novo trio atacante, Garrincha, Vavá e Pelé mantendo apenas Zagalo do quarteto original. 

Em 1962 o grupo foi praticamente mantido, poucas mudanças, e uma delas resolveu o problema, Amarildo entrou no lugar de Pelé, contundido e já o maior do mundo, e ao

lado de Garrincha deu conta do recado. Fácil? Não. Complicado e até houve um apito amigo contra a Espanha e ação de bastidores para o jogo final. 

E aí veio 1966, na Inglaterra, e a soberba e a bagunça generalizada começou. Quarenta e quatro convocados, festa em Minas Gerais, vários dias em Caxambu, Poços de Caldas e Servilho, titular em todos os jogos treinos, foi um dos cortados às vésperas da ida para Europa e veteranos, como Garrincha, totalmente fora de forma, foram mantidos e o fiasco todo mundo já sabe. 

O fiasco de 1966 acendeu o sinal de alerta e o país, que vivia um regime militar, precisava de motivação para que o povo se sentisse vitorioso e aí foi formada uma comissão técnica novata, muitos nomes surgiram desta Copa, Zagalo foi colocado no lugar de Saldanha e houve trabalho sério, organização e muito treino especial para a altitude e o resultado foi o terceiro título brasileiro. 

Zagalo foi mantido para 1974 e se sentiu o máximo e quando perguntado se estudara os adversários europeus, que chegavam com novas propostas, principalmente Holanda e Polônia, o maior vencedor das copas foi claro: "Eles que precisam estudar o nosso futebol". Resultado, a empáfia do treinador foi derrotada pela Laranja Mecânica e voltou para casa com um quarto lugar derrotado que foi pela Polônia, na briga pelo terceiro lugar. 

Em 1978 um dos caras fortes da Copa de 70, na época preparador físico, Capitão Cláudio Coutinho, já era um treinador vitorioso e comandou um bom time, cometeu a injustiça de não levar Falcão, já craque naquele tempo, e levou Chicão com a justificativa que precisava de um macho para enfrentar a Argentina, e, segundo Zé Boquinha, se não fossem os gols perdidos por Jorge Mendonça e Roberto Dinamite a seleção chegaria a final, mas fez uma boa copa e ficou em terceiro. 

Na Espanha, em 1982, mais teimosia e desta vez com Telê Santana e perdemos um título por falta de humildade do treinador em não segurar um empate contra a Itália, praticamente derrotada e sentindo o jogo, e esperou o Brasil lá na defesa e Telê, que abriu o meio campo, sofreu a sua pior derrota na carreira. Choro coletivo no Brasil e volta para casa por pura teimosia do treinador.

No México mais problemas com Telê, mais teimosia e mais insistência nos bastidores, levaram Zico sem qualquer condição de jogo, o colocaram para cobrar uma penalidade, contra a França, e hoje ele carrega a pecha de ser o "pé frio", mas todos sabem que Telê foi novamente teimoso e o Brasil voltou para casa com uma nova eliminação precoce. 

Era melhor nem falar de 1990, na Itália, bagunça total e uma Copa para ser esquecida, com Lazarone mais preocupado em ser garoto propaganda, lembra alguém deste ano? E deu no que deu. 

Em 1994 surgia um outro treinador oriundo daquela comissão técnica de 70, no México, Carlos Alberto Parreira. Trabalho sério, convocações acertadas e seriedade. Claro, veio então o quarto título. 

E a empáfia de Zagalo voltou em 1998 e o treinador, que não quis Romário no time dizendo que o craque estava contundido, foi a final e sentiu que se o Baixinho estivesse por ali já estaria em forma e não lamentaria o incidente com Ronaldo e o hoje Senador Romário resolveria o seu problema, mas não, somos os melhores e faremos o que há de melhor. Perdeu a final para a França. 

Felipão surgiu e levou seu ar de "coronel" para o Japão e Coreia e deu resultado, bom

time, bons jogadores, organização e seriedade. Campeão pela quinta vez. 

E aí, lembra de 2006? Zorra total e a delegação de estrelas premiadas na Europa se perdeu completamente naquela pré-temporada na Suíça e nem mesmo Felipão, que já se sentia o "Rei da Cocada Preta" pode resolver. Fiasco total. 

Com Dunga o esquema bagunçado continuou na África do Sul e veio mais uma eliminação fora de hora. Fiasco que proporcionou uma volta de Felipão, em 2014, como "Salvador da Pátria" e seus protegidos e apadrinhados fizeram o maior vexame de todos os tempos, nem preciso lembrar que foi o tal de 1x7 contra a Alemanha, em Belo Horizonte. 

Proteção e apadrinhamento que voltou este ano (2018) e Tite repetiu Zagalo e não estudou os europeus e o espanhol Martinez, técnico da Bélgica, estudou seu time e tirou o professor da Copa nas quartas e mandou seus apadrinhados de volta para casa antes do tempo. 

E aí, semelhança ou mera coincidência? Seriedade leva a título, empáfia, soberba e desorganização leva ao fracasso. 

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