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Causos de Viagem = A primeira vez ninguém esquece

Ontem cheguei do Paraná, visitei Curitiba, subi e desci a serra até Morretes, passei por Antonina e voltei para a capital feliz da vida, cheio de histórias destas duas cidades mais do que centenárias, ambas remontam do século XVII, se minha memoria não me traiu, e ao chegar à casa agradeci a minha Protetora Nossa Senhora, minha mãe, e ao meu Santo Papa João Paulo II, meu protetor nas viagens que faço, por mais um destino e por mais um sonho de infância conquistado. 

E hoje, logo pela manhã, ao visitar a turma da fila do pão, JR queria saber quantas viagens e se ainda batia aquele medo na hora de embarcar do avião. - Quantos anos viajando, meu caro Dutra? Quis saber o amigo que descobriu meu blog e está "devorando" meus causos de viagem que venho narrando há algumas semanas. 

Antes que eu dissesse que meu primeiro, dos cinquenta voos completados neste último passeio, foi para Cuiabá, em dezembro de 1979, e felizmente o voo fazia duas escalas, o que foi legal para eu sentir o clima do sobe e desce e respirar um pouco em Congonhas, saímos do Galeão, e após nova decolagem mais um tempo e outra aterissagem, desta vez em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. 

Ele queria saber se houve algo interessante neste voo para eu contar e no mesmo momento, claro, inesquecível o voo por ser o primeiro e por ter, a meu lado, a partir de São Paulo, no Aeroporto de Congonhas, a companhia de uma modelo, já internacional, linda e despojada, que começava a trilhar um sucesso tremendo. - Quem? Quis saber o gerente Marcinho, da nossa padaria. 

Nem deu para o suspense, Edu, JR, Gastão e até a Olga, vizinha da Olvídio Manhães, não deixaram sequer eu respirar para dizer que a modelo era a Xuxa, ela mesma, linda e maravilhosamente livre, leve e solta em todos os sentidos, que me fizeram pregar os olhos na sua  beleza e, fingindo ler o jornal que me ofereceram, esqueci até de virar a página, para gargalhada de Marina no final da viagem. 

De lá para cá foram cinquenta voos e um punhado de histórias e gente famosa, como na segunda ida a Cuiabá, dois anos depois, quando tivemos a espetacular Bruna Lombardi no nosso voo da voadora, já fora dos céus brasileiros, Transbrasil, pena que foi até São Paulo e não pude desfrutar da companhia da pequenina e bela atriz brasileira,que naquele ano era sucesso na novela Aritana, na Bandeirantes.

Ah! Tudo bem, não vou contar mais por hoje, segundo JR só falei isto para tentar convence-lo de pegar um avião e realizar seu sonho impossível, não por falta de vontade ou de condições financeiras, simplesmente por medo ou, como ele diz, falta de coragem. porém, tem sempre um porém, JR tentou sair pela tangente: 

Se eu tivesse a certeza de que viajaria ao lado da Xuxa ou da Bruna Lombardi eu embarcava hoje mesmo, tomava umas dez doses de cachaça e subiria as escadas de algum avião, até da Panair do Brasil. 
Gargalhadas finais porque o pão saiu quentinho, e moreninho, e cada um foi para casa tentar realizar seus sonhos o mais breve possível. 

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