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Festa na "terrinha" e o que vamos comemorar?

Chegando mais um aniversário de Miracema, no próximo dia 3 de maio a cidade completa 82 anos de vida e,  com todo respeito, com uma cara de 164 anos. Explico: Deixaram a cidade precisar de geriatras, ela, que parecia pulsar nos anos 30/40 e até a última década dos anos 1970, está vazia, carente e precisando urgentemente de uma repaginada e uma restauração. 

O esporte, que sempre foi meu carro chefe, se não está agonizando está pedindo socorro já faz um tempão, a educação, orgulho do município por anos a fio, já soltou o pedido de SOS há anos e se mostra cansada e precisando de um novo caminho. A saúde é melhor nem comentar, está praticamente acéfala e se não fosse os grandes médicos, abnegados e humanitários, a situação estaria bem pior do que estamos vendo na cidade. 

Não moro mais na nossa "terrinha" e quando me perguntam se volto eu já nem respondo mais, antes até dava um prazo para meu retorno, porém, tem sempre um porém, com o passar dos anos e necessitando sempre de um atendimento médico mais completo, desisto de pensar no tão sonhado retorno a terra amada e idolatrada, que pede um salve... salve quase todos os dias. 

Já fiz várias crônicas enaltecendo o que tínhamos e o que perdemos, em uma delas faço um relato sobre o desaparecimento de 99.9% do comércio e indústria da nossa principal rua, a Marechal Floriano, a famosa Rua Direita, e desde lá da esquina, onde havia o Café Moka, passando pela Fábrica de Tecidos, Hotel Assis e entrando na Rua Direita, propriamente dita, há um vazio total, se não me falha a memória apenas o Rei dos Barateiros ainda está em funcionamento e e a Farmácia Tostes, agora em vários pontos da cidade. 

Do Esportivo, Tupã, Miracema FC, Operário, Bandeirantes, Vasquinho, Sereno, Flamenguinho e tantos outros que um dia fizeram o povo lotar o Estádio Plínio Bastos de Barros, na Rua da Laje, o que temos hoje? Respondam vocês, que ainda moram na Terrinha, porque eu, cá de longe, sei que Tupã e Esportivo se fundiram e nasceu a Associação Atlética Miracema, que já deixou de existir, que o Miracema, pós falecimento do seu líder, Jair Polaca, não deu mais as caras no mundo da bola, Vasquinho, Sereno e Flamenguinho já não existem mais e não tenho notícias do Bandeirantes e do Operário, como estão? ´

A Sociedade Musical XV de Novembro ainda está de pé, felizmente, mas a sua Banda de Música já não existe mais, apenas o Clube XV está vivo e ainda em plena atividade, já na Sociedade Musical 7 de Setembro se dá o inverso, o clube fechou mas a Banda continua ativa e em plena forma, claro que carente de recursos e fadada ao esquecimento em breve. 

Mais um aniversário chegando e o que há para comemorar? Vou até aí para festejar a data e ajudar meus amigos do grupo "Em Miracema ou no cinema..." a chorar de saudade e reviver tudo aquilo que não temos mais e que não caberia aqui na coluna. 

Comentários

kvari disse…
Sábias palavras. Mas não concordo com a rua Direita estar abandonada e que 99% do comércio fechado. Assim parece que é uma cidade fantasma. Oa comércios de outrora foram substituídos por outros. Não existe mais o agito dos bares, Kiskina, Sol de Verão. Mas os que estão lá vão não muito bem, talvez, devido às crise, mas bem obrigado. Com expansões até, como o citado Ao Rei dos Barateiros que abrirá loja nova nos próximos dias. Entre trancos e barrancos, vamos que vamos. Bom dia e obrigado.
Adilson Dutra disse…
Atente para o texto meu amigo, eu disse que 90% do patrimônio antigo está abandonado ou fechado, vide Samaritana etc e tal. Valeu.
kvari disse…
"Já fiz várias crônicas enaltecendo o que tínhamos e o que perdemos, em uma delas faço um relato sobre o desaparecimento de 99.9% do comércio e indústria da nossa principal rua, a Marechal Floriano, a famosa Rua Direita, e desde lá da esquina, onde havia o Café Moka, passando pela Fábrica de Tecidos, Hotel Assis e entrando na Rua Direita, propriamente dita, há um vazio total, se não me falha a memória apenas o Rei dos Barateiros ainda está em funcionamento e e a Farmácia Tostes, agora em vários pontos da cidade." Caro amigo, não mencionou patrimônio e sim o comércio em si. Mas é por aí mesmo. E mesmo assim, muito do patrimônio está "cuidado", não como deveria ou como queríamos, mas está. Mas merecia mais.

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