quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Prá onde você vai? Quer saber o amigo "Cumprido".

Eu tenho um amigo, bota amigo nisto, que sempre que viajo para Miracema, em finais de semana ou feriados, me faz a mesma pergunta. E isto já é rotina há quase trinta anos, desde o tempo em que trabalhávamos no Banerj e aumentou quando compramos um apartamento no mesmo bloco do nosso condomínio. 

- Onde você vai? Sempre pergunta quando estou arrumando o carro na garagem. Não me diz que vai novamente para Miracema, continua ele, e o que é que você tanto gosta deste lugar? O que tem de bom por lá para fazer você ficar tão excitado quando viaja pra lá? Arremata. 

Eu, com muita calma e categoria, sempre respondo com um sorriso e educadamente o questionamento do amigo e com a mesma resposta para a mesma pergunta. O que é que você faz em Atafona? Porque tanta ansiedade para chegar o feriado? O que tem em Atafona tão especial para que você fique louco e só fale neste lugar? 

As respostas dele também são as mesmas e sempre com uma sonora gargalhada, vocês precisam ouvir a gargalhada do "Cumprido", é daquelas que nos enchem de felicidade, e suas colocações são como as perguntas, as mesmas de quase trinta anos atrás quando começou a investigação sobre o meu destino preferido.

Vou para Atafona porque lá é o melhor lugar do mundo, diz ele, e eu respondo que vou para Miracema pelo mesmo motivo. Fico ansioso porque sempre é um motivo de festa quando chego por lá, diz "Cumprido", e respondo que é tal como eu me sinto quando chega a hora de ir para Terrinha. Lá tem amigos, tem parentes, tem botecos e bares que me fazem feliz e me deixam ao lado de quem sempre gostei de papear, diz ele e a minha resposta é sempre igual.

Viram só, você, que não frequenta Atafona e não viaja para Miracema, também pode copiar e colar trocando os nomes pelos seus locais preferidos porque, como dizia minha mãe, só muda o endereço e a identidade, somos todos iguais quando queremos algo que gostamos de fazer e por isto eu e "Cumprido" nos entendemos há mais de trinta anos e vivemos em paz, em fraternidade e nossas famílias aprenderam conosco a arte de viver em harmonia. 

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Padres holandeses na terrinha

Certa vez, lá pelos anos 1970, me vi envolvido em uma baita saudade, principalmente quando chegou dezembro e com ele veio o Natal, festa da cristandade e que me faz lembrar do tempo em que os Padres Holandeses fizeram morada em nossa Paróquia de Santo Antônio e trouxeram um punhado de novidades para os católicos da cidade, claro, novidades aqui é no sentido exato da palavra, vimos mudanças na forma de rezar a missa, uma nova maneira de ensinar o catecismo, e uma mudança radical no jeito de olhar, conversar e convencer os fieis da nossa igreja.

As festas de Natal já não eram as mesmas dos anos anteriores, claro que me lembro muito bem de um presépio montado no altar mor, claro que me lembro dos cânticos, totalmente novos, que vieram com eles, Alberto, Luiz e Antônio, os padres holandeses que, no meu ponto de vista, revolucionaram a paróquia e deram uma movimentação mais jovem nos corredores da igreja.

Mais tarde um pouco chegou o mais jovem da turma holandesa, Padre André, um cara do bem, alegre, amigo da garotada e logo formou um coro, não confunda com um coral, era apenas um coro de garotos e garotas que cantavam alegremente todas as tardes nas escadarias da igreja.

Hoje a música de Padre André é cantada pela turma da Galinha Pintadinha, e há algum tempo eu não a ouvia, mas quando Luna cantou e Felipe hoje também a canta, eu me sinto criança novamente ouvindo os versos da “Loja do Mestre André”, que mantem a jovialidade daquele longínquo qualquer ano daquele 1970.

Foi na loja do mestre André, aliás, foi na aula do Padre André que aprendi a tocar um tambor, foi na aula do Padre André que aprendi a gostar de música, foi na aula do Padre André que comecei a aprender a ler uma partitura, pouco tempo depois o Maestro Zeca Garcia completou meu conhecimento, com sabedoria e paciência, e me tornei um músico, mas jamais esquecerei o primeiro incentivador, o Padre André.

Padre Antônio, que paixão este homem tinha por minha avó Maria, a chamava de "Lua", que lhe convidava sempre para um almoço, com comida brasileira, e ele, recém chegado de sua Holanda, mal conhecia os quitutes nacionais e se apaixonou pelo bolinho de aipim e ficou alucinado pelo pastel da vovó, quando comia carne seca com abóbora Padre Antônio “lambia os beiços”, no sentido literal da palavra.

Padre Alberto, o mais velho do quarteto holandês, era mais severo, menos sorridente e o melhor orador dos quatro, seus sermões eram fantásticos, porém, tem sempre um porém, seu português era simplesmente horrível e arrancava risos dos fiéis e isto o deixava nervoso e irritado e Padre Luiz, o bonachão e mais popular, ria a vontade já que tinha o melhor português de todos por ter mais tempo de Brasil.

Muito gostoso lembrar destes padres holandeses neste período de Natal, homens maravilhosos que deixaram seus nomes gravados em nossa paróquia e que são, pelo menos por mim e minha família, lembrados eternamente. 

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...