segunda-feira, 22 de maio de 2017

Revendo o Carnaval de Miracema

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Dia de baile na terrinha: Traje passeio e grandes orquestras

Na última vez em que fui a Miracema, claro que na Expo/2017, almoçando no Tio Nilo's, o famoso bar/restaurante do Cabeção, o papo foi sobre bailes e grandes conjuntos que passaram pela terrinha nos anos 60/70, quando o Aero Clube fervilhava e o Grupo Escolar Ferreira da Luz era a opção para os grandes bailes, no período em que o Clube entrou em reforma no piso e na estrutura. 

Lembramos dos grandes dançarinos, que eu admirava de perto, como os dois Maurício, o Siqueira e o do Bruno de Martino, das grandes confusões no bar e dos trajes passeio completo, era um tal de jogar gravata da sacada para o amigo passar pela portaria sem problemas. Gente bonita, gente bem vestida e música,sempre, de alto nível com os grandes músicos deste pais no palco principal. 

Claro que me lembrei do baile com o famoso Lafayete e Seu Conjunto, no Aero Clube. Claro que me lembro do grande baile, no Ferreira da Luz, com Waldir Calmon e seu conjunto, neste eu ainda era um moleque, devia ter meus quinze anos, e meu par constante foi a Eliane, não a minha irmã mas a Eliane Tostes Cardoso,  na época apenas Eliane do Altair, um pouco maior do que eu, mas formávamos um par dançante que chamava a atenção dos adultos. 

Conversa vai... Conversa vem... Papo de botequim sempre algumas lembranças são destacadas, e. alguém lembrou de um músico excepcional, mas cujo nome ele não lembrava, mas tinha certeza que era pai de uma cantora famosa. E lembrar de grandes músicos é um privilégio meu e na hora matei a charada: - Booker Pitman? Pai da Eliana Pitman? Sabe porque me lembrei dele imediatamente? Meu saudoso amigo Ignácio Pires da Silveira me chamava assim quando me via "diz aí Booker Pitman". 

- Este mesmo, disse o amigo. Que baile espetacular, dancei muito e ficava longos minutos apreciando o grande artista e ouvindo a voz maravilhosa de sua filha. Sensacional, foi lá no Ferreira, tenho certeza. 

E foi mesmo um grande baile, como muitos daquele tempo espetacular, os conjuntos que por ali passaram, como um de Resende, que veio em alguns bailes de debutantes, Windsor, marcou bastante meu tempo de dançarino do Aero Clube. Windor tinha um músico, acordionista, naquele tempo o teclado ainda engatinhava, e este moço me chamava a atenção com sua qualidade musical.

E foram tantos que ficaram na lembrança que dá para contar em várias colunas, mas quando o Clube XV foi inaugurado, a nova sede,  claro, e o Aero Clube interditado devido a possível possibilidade de ruir, ainda está em pé até hoje, os bailes passaram para o clube da Av Brasil, agora Av Luis Fernando Linhares, e por lá tocaram Cry Babys, fantástico grupo paulista, Los Gringos, de Além Paraíba como o Sexteto Rex, que também brilhou no Aero Clube, e as orquestras o Severino Araújo e a espetacular Cassino de Sevilha, que todos os anos rodavam pelo Norte Fluminense alegrando salões da região. 

Alguém pediu um Cuba Libre e o Amauri foi franco: - A esta hora? Pelo amor de Deus, deixe para logo mais, na Exposição. E eu emendei, que tal sair também um Gim Tônica? E o outro, mas abusado, "me sai aí um Samba em Berlim". O quê? Isto, Samba em Berlim, que é o famoso drink de pobre, cachaça com Coca Cola. 

E o papo acabou quando chegou o famoso salpicão e a salada francesa do Cabeção e ficamos de voltar no dia seguinte para um novo "recurdo" dos bons tempos do Grêmio Estudantil Alberto de Oliveira, mas o dia seguinte era segunda-feira e o bar estava fechado. 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

E nas varandas tinha... Futebol de Botão

Meu time tinha Delém, tinha Zagalo, naquela época com um L só, Pampolini, achava bonito este nome e havia o conhecido na Tijuca, e um zagueiro lateral direito, Cacá, que tinha lugar no meu escrete porque era casado com uma miracemense.

Meus craques eram tratados com carinho, tinham luz própria, estavam sempre na caixa protegida por algodão, feltro, flanela e bastante talco, que era para não estragar o polimento dado todos os dias pela manhã e à tarde.

Quem, em sua infância ou juventude, não jogou botão? Até meus filhos, criados em época diferente, o Leandro ainda guarda até hoje o seu primeiro time, montado na Rua Pereira Nunes, pertinho da Av. Pelinca. 

Por falar neste time e na rua, por lá tinha o Andral, um militar que hoje deve estar aposentado, que incentivava a garotada a participar de campeonatos, por ele promovidos, e era bacana ver aqueles guris o acompanhando por todos os cantos levando as suas caixas com seus times de botões bem protegidos.

Por aqui, além do Andral, só vi o Fernando Antonio, o esperto repórter da Continental, falar sobre a paixão pelo Futebol de Botão, acho que é por isto que não continuei com esta mania, gostosa por sinal, de ficar horas e horas narrando um jogo entre os meus times preferidos, que nunca, diga-se de passagem, levaram a camisa rubro negra para dentro de um campo de jogo.

E por falar em campo de jogo, o meu preferido era mesmo o chão de cimento, as mesas sempre eram empenadas e um pouco desconfortável, no meu tempo era muito difícil ter uma mesa apropriada para este tipo de brincadeiras, sempre os pais improvisavam e nunca deu certo.

O Estádio Scilio Faver, uma varanda espetacular, com piso de cerâmica vermelha, era o que havia de melhor em Miracema, o nome homenageava o dono da casa, cujo filho, Scilinho, tinha um timaço, bem melhor do que o meu, mas sempre me convidava para os torneios porque eu narrava os jogos e ele fazia a ponta, coisa de radialistas mirins.

Naquele tempo, bota tempo nisto, tinham alguns craques do futebol de botão que nos faziam chorar, o Maurício Mercante, por exemplo, além de nos fazer raiva com o seu bom time de botão, nos intimidava quando a partida era realizada na varanda da Dona Lídia, ele se achava o tal e se ganhássemos era certo levar uns “coques” na moleira. 

O Moacir José, o Fumaça, neto do grande Dr. Moacir Junqueira, era um excelente parceiro. Seu pai, Neném Mercante, nos ajudava a escolher nossos “craques” e incentivava a turma que ia jogar na sua varanda.

A gente passava um bom tempo ajoelhado naqueles pisos encerados, foi ali que comecei a ter gosto pela narração esportiva e a ficar metido a repórter de campo. Meus botões davam entrevistas antes, durante e depois das partidas, o melhor em campo recebia premio, tal qual nas emissoras de rádio. 

Hoje, após quase trinta e cinco anos de microfone esportivo, tenho saudades daquele romântico jogo de botões, claro que também da nossa infância pura e cheia de atividades. Não me conformo com esta mesmice de agora, ver futebol na tevê, jogar sinuca, pião, botão e qualquer outra atividade, que outrora eram praticados na rua, na varanda ou até mesmo em uma mesa de bar, ser hoje desenvolvida na tela do computador.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Deixe-nos falar de Miracema - O que vi por lá eu conto aqui

Há muito tempo não vejo uma festa de maio tão apaixonante, creio que desde meus tempos de moleque, quanto soprava minha corneta na Banda Marcial do Colégio Miracemense, não me sentia  tão entusiasmado ao participar de um desfile comemorativo a Emancipação de nosso município, aliás eu e todo mundo que participou do evento. 

Vejo rostos tristes, não pelo fato de aqui estar, mas triste o atual momento da cidade. Vejo rostos alegres, não pelo atual momento da cidade, mas pelo simples fato de estar aqui, revendo amigos e participando de um reencontro que proporcionou maravilhosas recordações. 

Vejo lágrimas, não de tristeza, lágrimas de alegria, lágrimas de saudades, lágrimas puramente deliciosas, que marcaram o desfile e o encontro de gerações. Abraços, sorrisos, causos, recordações e esta era a razão do chamado da turma do grupo "Em Miracema e no Cinema", esta foi a única razão de muitos estarem aqui neste final de semana prolongado para homenagear não só a cidade mas a amizade e o amor pelos amigos que aqui deixaram ou que aqui estão de passagem. 

- Você se lembra quando tentou pegar aquela laranja, no quintal do seu Lino, e o cachorro correu atrás de você? Disse um amigo ao outro que relembrou, na hora, os famosos tiros de sal nas pernas naquela mesma orla do Ribeirão Santo Antônio. 

- Você era muito bom no pião, mas no zep e no finco eu sempre ganhei de você, relembram outros dois amigos lá na Barraca do Bode. 

- As peladas do Rink estão na história de cem entre cem meninos de nossa idade, comentei com muitos amigos no domingo. Ninguém contestou, sinal que realmente é verdade, apenas um ou outro que retrucaram, concordando mas colocando que as peladas do Ginásio eram mais emocionantes. Quem concorda levanta o dedo!

As meninas lembram dos bailes dos Grêmios e outras, como minha irmã Eliane, choram quando falam das domingueiras do Aero Clube, mas todas são unânimes em falar que os passeios pela calçada da Rua Direita, após a seção do Cine XV, era tudo de bom e as paqueras e os namoros saíram daquele pedaço abençoado. 

- Não sei qual era o melhor, o bife do Angeludo ou o bife do Farid? Os da geração 40/50 ficarão com o Farid e os mais novos dirão que o bife do Angeludo era o melhor, fica a dúvida e um dos amigos matou a charada: A fome era negra e qualquer um descia como um manjar dos deuses. 

O coração só apertava quando as comparações vinham a tona, não dá realmente para faze-las, os tempos são outros, o momento vivido pelo país é completamente diferente e não dá para recordar sem saudade do que vivemos por aqui e quando olhamos para nossa Rua Direita e não vemos os bares Pracinha, Central, Mocambo, Líder e a Sorveteria do Abdo, dá um nó no peito danado, o que fazem os garotos e os rapazes de hoje na cidade? 

Não, não queremos saber. Deixem esta turma de velhos amigos se sentir nos anos 50/60/70 porque este é o objetivo, falar e reviver belos momentos, belas tardes de domingo, belas jornadas esportivas no Estádio Municipal, no Buraco da Égua, no Campo do América ou nas peladas, já citadas aqui acima, no Ginásio e no Rink.

Deixem-nos falar do Milton Cabeludo, do Braizinho, do Silvinho, do Genuíno, do Rink, do Vasquinho, do Miracema, do Tupã, do Esportivo e da Associação, do Operário, deixem-nos lembrar do Comércio, do DER e dos times dos distritos de Paraíso e Flores, que fizeram o futebol de Miracema ser lembrado até hoje por quem dele participou. 

Deixem-nos lembrar dos Maestros Zeca Garcia  e Antônio Galieta, dos professores Carmindo Feijó e Ernestino, mestres das músicas e das partituras, que formaram músicos maravilhosos para as Bandas Sete e Quinze, não me lembrem que já não fazem músicos como antigamente, hoje não é dia disto, vamos pensar que em breve teremos novamente uma banda para fazer companhia a nossa imortal Sete de Setembro, que está mais viva do que nunca. 

Deixem-nos falar de saudade, reviver o professor/poeta Osmar Barbosa, que diz em uma trova que "Saudade mata é verdade, mas desta morte me esquivo, como morrer de saudade, se é de saudade que vivo?" Então, vamos viver de saudade e viver intensamente este momento e guardar, para sempre, tudo isto em um coração machucado e cheio de amor para dar. 

Deixe-me falar de saudade, falar da Rádio Emissora de Miracema, de onde saíram artistas de alto nível, um deles foi Ary Leite, que brilhou na emissora global, e que aqui era apenas o Aristides Leite, companheiro da minha tia Marley e do amigo Clóvis Helsink na emissora que funcionava no Aero Clube, de onde vinha uma das mais belas vozes que já ouvi, a de José Hamilton Vaz. 

Deixe-me falar da Rádio Princesinha, a minha Princesinha, que me deu prestígio e que um dia teve 99% de audiência, estou mentindo meu caro Orlando Mercante, de onde você estiver, neste andar superior, me diga quantos rádios estavam ligados na cidade para ouvir a transmissão de Botafogo x Fluminense naquele ano de 1983? Tá lembrado disto, torcedor/ouvinte da Princesinha do Norte? 
Deixem-me silenciar, já falei demais e agora é hora de reencontrar a turma lá na Exposição. 

Vamos lá? Abraço deste miracemense, que como você, ama com fé e orgulho a terra em que nasceste. 

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...