domingo, 19 de fevereiro de 2017

A missa dos domingos

Marina me acorda e diz: - Levanta que está na hora da missa. Eu, que sonhava com minha mãe, me assustei, levantei rapidamente e fui procurar a roupa branca para ficar no altar, ao lado do Padre Alberto, como "coroinha" da Santa Missa. - Onde está a .... Nem terminei de falar e Marina chegou e perguntou: - O que você está procurando?

Caí na real e acordei de verdade. - Você estava falando sozinho ou eu entendi que estava sonhando mesmo acordado? As duas coisas, respondi meio envergonhado. - Eu estava sonhando de verdade, pensava em minha mãe e nos padres holandeses que fizeram história em Miracema e até hoje moram em meu coração. 

E, podem ter certeza, nenhum de nós, que viveu estes dias e frequentou o catecismo com as professoras Climene Moreira e Áurea Bruno, jamais tirará do coração a lembrança destas doces criaturas, "senhoras de Deus", divinas mestras que, ao lado dos padres Alberto, Luiz, Antônio e André, fizeram minha vida religiosa ser o meu porto seguro e a minha lição de família e amizade. 

Claro que faltei muitas missas para descer de "casca de palmeira" pelo morro da igreja. Claro que faltei muitos catecismos para ir para o Rink jogar aquele "racha" com os amigos, mas tenham certeza de que os ensinamentos dos padres e das catequistas estão guardados e até hoje, juro, ainda não consigo responder as perguntas da missa na nova nomenclatura, está tão incutida na minha mente que não dá para esquecer nem mesmo do "dominos vobis com". 

Como esquecer das missas da Semana Santa? Como esquecer das matracas batidas nas procissões e das giradas do turíbulo, que é o utensílio que carrega a brasa e as três colheres de incenso para serem espalhadas pelo altar e abençoar toda a igreja e os fieis? Como esquecer das lições de religiosidade, que na minha opinião era também uma lição de vida, ministrada pelos padres holandeses? 

Sim, deixa uma saudade incrível no peito e na mente mas me deixa também feliz e cheio de esperança que um dia eu verei novamente uma igreja lotada e com fieis apenas voltados para a celebração e não para ostentação de jóias e celulares modernos, além claro, de hoje ser um grande desfile de modas. 

Missa das Crianças, as nove da manhã, era uma festa da garotada, como hoje, e ninguém queria ficar nos bancos do meio da igreja, a preferência eram os laterais, perto das portas de saída, para que o movimento do entorno da Igreja de Santo Antônio não fosse perdido e em qualquer movimento dos amigos a escapulida era mais rápida e a reunião na portas era o que havia de melhor, principalmente na hora do sermão do Padre Alberto. 

Sem gargalhadas, por favor, relembre estas passagens de sua vida em silêncio e com orações para Ele, os padres holandeses, e para nossas mestras queridas e saudosas Climene Moreira e Áurea Bruno e que Deus abençoe a todos vocês neste domingo de missa na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, aqui na minha Campos dos Goytacazes. 

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Viagens, causos e o pânico do Biro

Uma das minhas prosas favoritas tem o tema viagens como destaque, no momento atual do futebol brasileiro eu até prefiro "viajar" por aí do que sentar e falar sobre bola, "craques" ou sobre meu time ou discutir quem está melhor. Falar de futebol, no estágio que estão as redes sociais e as mesas de bares, onde ninguém tem mais paciência para te ler ou te ouvir, está até perigoso.

Certo dia cheguei à terrinha e encontrei um velho amigo, viajandão e cheio de ideias sobre roteiros e programas para o futuro, meu baita irmão/amigo Geneci, e nas prosas bem sacadas fomos andando pelo mundo, caminhando sobre ondas, sobre nuvens e pelos trilhos da vida que nos levam a bons lugares e a ótimos passeios.

Geneci viveu o mundo, nos navios que o leva para singras os oceanos, é conhecido como "o dono do mundo" e falamos de tudo, turbulências, medo de avião, comidas que nos dão prazer, vinhos que nos abrem conversas, cervejas que nos trazem prazer em beber, relembramos dicas incríveis que ele me deu no início de minhas aventuras pelo Brasil e pelo mundo e sufocos vividos em hoteis e pelas ruas das grandes cidades da Europa.

Enquanto conversávamos a tevê estava ligada no futebol, nosso Flamengo jogava e nos trazia pouco interesse no futebol e mais interesse em olhar fotos em nosso celulares, relembrar dos lugares que passamos e sonhar poder voltar a voar doze horas, atravessando o Oceano Atlântico em rumo de outros caminhos desconhecidos até agora. Falar de Guerrero, Arão ou Márcio Araújo não estava no nosso programa, mas se fossemos falar do nosso Tupã, do nosso Esportivo ou da Associação, fusão destes dois gigantes de Miracema, até que daria liga, mas...

No meio do papo alguns amigos chegaram e entraram no nosso ritmo, cada um contando suas peripécias e aventuras em viagens, aqui ou no exterior, os medos voltaram a ser narrados e as turbulências ou jogo de navio voltaram a tona e cada um relatou o seu momento de pavor. 

Falei sobre as várias passagens pelo Sul do Brasil, onde há sempre uma turbulência para quem vem do Uruguai ou Argentina passando por Porto Alegre, um tremor mais forte nas aeronaves que atravessam o Atlântico, saindo do Brasil pela rota de Recife/Paris, sempre um medo a mais após aquele terrível acidente com um avião da Air France, e dos sufocos vividos em navios que cortam os mares com tranquilidade, porém, tem sempre um porém, as vezes dá susto e enjoa.

E a conversa fluia legal e um da mesa, nosso amigo Biro, não desgrudava o ouvido do papo e, para poder interagir, usando a palavra da moda, prestou atenção e, na primeira oportunidade, botou o seu pitaco, muito interessante e que arrancou aplausos da mesa:
- Eu também passei um sufoco danado em uma das minhas viagens, turbulência brava, diz ele, muito sério. Saí da rodoviária Miracema, com destino a Pádua, e lá pelo trevo o ônibus estourou um dos pneus dianteiros e foi um sufoco danado, turbulência total e pânico em todo ônibus, ficamos com medo da tragédia de Teresópolis, com a 1001, se repetisse, falou Biro muito sério.

E a turma da mesa não riu, não zoou e respeitou a opinião, sincera e bem colocada do amigo Biro, mas o papo terminou por ali e veio a conta e o convite para novos encontros no Snob's ou em outro cantinho qualquer de nossa Miracema.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Papo de Botequim: As Redes Sociais são mesmo sociais?

Venho, aos poucos, sendo minado nas redes sociais, principalmente no já enjoado e sem graça Facebook. As pessoas perderam a noção do ridículo, perderam o senso de humor e perderam, principalmente, a tolerância e o respeito pelos iguais, as vezes um animal é mais valorizado do que o ser humano e isto tem me deixado um pouco afastado daquela que é considerada a ferramenta de aproximação das pessoas. 

Você diz:  -Que bela canção esta do grupo tal! E o seu seguidor retruca: - Meu Deus, quanta falta de gosto, isto quando ele é educado. E se você volta a comentar o tema lê mais um chega prá lá:  - Você não suporta ser contrariado e não sabe conviver com o contraditório. 

Isto para dizer somente as postagens educadas, porque no futebol, ou na política, a situação se complica ainda mais. Se você é torcedor e comenta algo positivo, ou negativo, é bombardeado imediatamente por aqueles contrários ao seu time ou defensor do imponderável e impossível. 

Cito um exemplo recente: Todos meus seguidores sabem que não sou fã do Márcio Araújo, o jogador e não o homem, e faço minhas críticas as atuações do volante do Flamengo. Isto me não me dá o direito de ofender o moço ou desejar a ele uma má sorte na carreira, mas o torcedor que o admira e torce por ele me agride com palavras porque não pode me agredir fisicamente via celular ou computador. 

No jogo contra o Nova Iguaçu, Márcio Araújo foi o melhor jogador do Flamengo, no primeiro tempo, e publiquei esta opinião. Choveram comentários jocosos, comentários de revoltados achando que eu estava zombando ou tentando menosprezar o volante. Coisas que realmente acontecem diariamente ns redes sociais, infelizmente. 

Se você não gosta de um grupo musical, destes de Funk, Axé, Pagode ou Forró, por favor guarde para sí e jamais coloque sua opinião nas redes ou você estará sujeito a pancadas de todos os lados. Se é admirador de uma grande personalidade brasileira, tipo Galvão Bueno ou Zico, não fale nada, os facebookianos que não gostam de brasileiros de sucesso irão te detonar imediatamente. 

Sua opinião sobre qualquer assunto deverá ser guardada para conversa particulares, com seus amigos, porque caso você leia um assunto que interessa e vá compartilhar na rede encontrará um mais "sabido", um mais "inteligente" um que "sabe tudo" que gosta de mostrar que "sabe" mais do que você, e este moço irá acabar com seu dia te desmentindo veementemente e publicamente mesmo que você apenas tenha emitido uma opinião. 

Complicado. Eu estou deixando aos poucos o Facebook e fico pensando o que fazer com meus 1.200 amigos e seguidores que sempre estão atentos a tudo que publico e conversam diariamente comigo através desta grande rede de amigos, mas entre estes estão uns chatos e convencidos que atrapalham a boa convivência. 

Palco e arquibancada

  Eduardo Afonso escreveu hoje, em sua coluna em O Globo, sobre um concerto precisando de conserto. E este colunista, que vos fala, acrescen...