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Um final de semana de música, amigos e cerveja

Chego a Campos, após três dias na minha Miracema, ainda no feriado de 7 de setembro, a tempo de ganhar de presente uma bela chuva e, consequentemente, esperança de dias melhores para nossas captoras de águas fluviais, e com tempo para uma parada no Armazém para um dedo de prosa com os velhos e bons amigos da mesa 7 do nosso ponto de encontro. 
- Onde estava, Dutra? Pergunta Fernandinho, tricolor apaixonado, que arremata: Foi ao Maracanã ver a vitória "roubada" de seu time? 

- Nada disto, amigo. respondi, estou chegando da minha terrinha onde tudo acontece e me sinto feliz pela presença de vários amigos, como fico quando estou aqui com vocês. 

E do balcão, Motta, velho companheiro do Banerj, diz de lá: - Não sei como você aguenta tantas idas e vidas a Miracema, o que é que você faz tanto por lá? E antes de dizer para ele, que como ele gosta de Atafona, de seus velhos amigos feitos nestes quase cinquenta anos de praia, eu gosto de ir a minha Miracema para rever amigos e fazer algo diferente, eu comentei o que fiz por lá neste belo final de semana. 

- E o que tem lá de tão bom assim? Insiste Motta. 

Comecei contando que ganhei de presente, logo no sábado, uma hora ou mais de papo com o craque da camisa 10, Dequinha, e, para alegria e surpresa do Ralph, o meu filho mais velho, trocamos figurinha sobre o futebol do nosso tempo, o dele e o meu, anos diferente, craques diferentes mas com a mesma qualidade de futebol, ou seja, bola de alto nível, como o papo que teve ainda do dono do pedaço, o amigo Amauri Fontoura, artilheiro conhecido nas peladas do Campestre onde fez sucesso, certo Cabeção?

E continuei, claro que falando sobre o aniversário do Ademir Lomba, um bom churrasco no seu sítio com a presença do mano, dele, Almir, o Zé Encrenca, o Marquino e a família, que aproveitou para curtir a presença do meu neto Felipe, que veio de Volta Redonda para abraçar o outro avô, Ademir, que aniversariava. 

Motta começou a arregalar o olho e perguntou: Deu tempo para isto tudo? Claro, e à noite ainda teve um arremate, apesar da chuva, no BDF, onde fui recepcionado pelo irmão Sebastião, dono do lugar, e dividi uma mesa e papo sobre futebol e viagem como Cacá LIma e o Gustavo El-kik, regado a uma Boa cerveja para fechar o dia. 

- Haja cerveja, Dutra, esta sua terra me parece ser das boas, cervejeira de primeira. E a música Não teve música desta vez? Insiste nas perguntas meu vizinho amigo e companheiro de longas jornadas. 
E aí o cara endoidou e nem terminei de contar sobre a seresta matinal, nas mesas de um bar no Mercado Municipal, Monteirinho e Carlos Ivan Guedes resolveram improvisar uma boa roda de seresta e o nível ficou altíssimo com a presença dos artistas da terra, Elcio e Fernando Nascimento, e estremeceu meu novo amigo, Omar Mansur.

Quando Monteirinho apresentou a nós seu velho conhecido de Conservatória, que chegou a pouco a Miracema e por lá ficou, Reis, completou o quinteto de cantantes e o trio de violonistas, que não foram espantados nem com o som esquisito que chegava de um carro, estacionado dois ou três quiosques além de onde estávamos, e a música fluiu com naturalidade dos amantes da bela canção brasileira. 

- Seresta de manhã? Esta só mesmo em Miracema, se você não estiver aumentando ou mentindo para mim eu quero ir na próxima vez que você for, isto não é um passeio, é uma maratona de bom gosto e cheia de fortes emoções. Vamos abrir uma Boa para comemorar esta história, venha cá? Vibrou Motta.f

- Nada disto, o fígado está pedindo clemência e agora é hora de repouso e de ver um futebol, ontem (domingo) não deu nem mesmo para ficar ligado no clássico do Maracanã, aniversário do meu sobrinho Rafael e o couro comeu até a entrada da madrugada. Completei e me despedi, não antes de ouvir do Fernandinho;

- Meu Deus! Como é que este cara ainda está inteiro? Vou mudar para Miracema, lá pelo menos eu posso cantar e soltar a voz, até o Dutra canta imagine quem sabe cantar, como eu? 

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