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Era um tempo bom - presente de Gilberto Maluf

Este texto, enviado pelo paulista Gilberto Maluf, um dos notáveis do nosso blog,  retrata fielmente o tempo mais romântico do rádio e do futebol do Rio de Janeiro e me faz voltar ao tempo e entrar novamente no antigo Maior do Mundo, com um radinho colado no ouvido e me postar na geral ou nas arquibancadas com pose de quem estava assistindo ao maior espetáculo da terra. 

Delicia de texto, leve, saudável e impregnado de saudade do princípio ao fim. Obrigado Gilberto Maluf por dividir conosco a sua arte literária. 

Era um tempo bom 
Crônica de Gilberto Maluf

Indo ao estádio com um radinho de pilha Spica ou Telefunken. Saudades do Rio em que os jogos no Maracanã tinham, com freqüência, mais de 100 mil espectadores e não havia violência.

Onde ainda era possível as crianças, orgulhosas, irem ao estádio carregando suas bandeiras, ao lado 
pai.

Era o tempo do radinho de pilha Spica ou Telefunken, carregado sem temor pelo pai, do Conga e do “short” do menino.

Era o tempo do bom futebol, de Garrincha, Didi, Newton Santos (depois virou Nilton), Quarentinha, Zagalo, Sabará, Pinga, Almir, Delém, Paulinho, Belini, Valdo, Telê, Maurinho, Castilho, Pinheiro, Joel, Dida, Dequinha, Indio, Babá, Evaristo, Zózimo, Calazans, Alarcon, Canário e tantos outros.

Era o tempo em que os árbitros ainda eram “juízes”, tais como Mario Vianna, Gama Malcher, Eunápio de Queirós (o “Larápio de Queirós”), Amilcar Ferreira, Frederico Lopes.

Era o tempo em que a Suderj era a Adeg (Administração dos Estádios da Guanabara), em que o alto-falante a toda hora anunciava “a Adeg informa, no Pacaembu, gol do Santos (e após um pausa) …Pelé”, em que o cachorro-quente e o Chica-Bon faziam a alegria de todos.

Era o tempo de pegar o lotação Lins-Lagoa ou os ônibus Grajaú-Leblon ou Barão de Drumond-Leblon, de sonhar com a vitória do seu time, de ver quem ganharia o moto-rádio ou seria escalado na “seleção da rodada” (para ganhar um relógio Mondaine), de ler a coluna “Penalty” do Otelo Caçador.

Era o tempo da Charanga do Jaime, do talo de mamona do Ramalho, de ver a Dulce Rosalina comandar a torcida do Vasco e o Tarzan a do Botafogo, de espirrar com o pó-de-arroz lançado pelos tricolores.

Era o tempo de milhares de vagalumes na arquibancada (quando os fósforos eram riscados para acender os cigarros), da bola G-18 marron, do “garoto do placar”, da arquibancada de concreto áspero.

Era o tempo de ouvir o Valdir Amaral, o Doalcei Camargo, o Oduvaldo Cozzi, o Jorge Curi, o Orlando Batista, o Clóvis Filho.
Era um tempo bom.Fonte: Fotolog Saudades do Rio

Comentários

No "meu tempo bom", dos nomes citados só vi Pelé e Garrincha no Maracanã jogando, dos "juízes" só o Amilcar Ferreira, mas sem muita certeza, sendo que Mario Vianna com dois "enes" e o Malcher eram comentaristas nas Rádios Globo e Tupi, dos locutores era fã do Cury, do Valdir e do Doalcei, o Orlando me parecia ser muito vascaíno, o Oduvaldo Cozzi foi pra TV (certo?), e dos chefes de torcidas lembro de todos, inclusive a Charanga do Jaime era "escutador" assíduo pois minhas primeiras idas ao Maracanã era ali que eu ficava, depois passei pro lado oposto, próximo a Flamante onde quase sempre assistia os jogos do Flamengo acompanhado do miracemense Choppinho com 2 "pês". Meus ídolos já eram outros, exemplo: Silva "o Batuta", Doval, Dionísio, Arilson, Carlinhos, Liminha, Nelsinho, Luis Carlos "Tatu", Marcial, Marco Aurélio, Reys, e os grandes nomes de nossa seleção brasileira, como Pelé, Tostão, Gerson, Rivelino, Clodoaldo, Ademir da Guia, C.Alberto, Jairzinho, e um sem fim de nomes. Muitas saudades daquele Maracanã.
Adilson Dutra disse…
As memóras, do Gilberto e do Sefinho, estão afloradas e muitas saudades em jogo. O tempo do Sefinho é, mais ou menos, a minha, só tive a sorte de ver um pouco mais dos craques como Dida, Pinga, Zagalo, Carlos Alberto Torres e até os caras dos times pequenos, como o Cané, ,que saiu do Olaria para brilhar na Itália. E por aí vai... Quanto ao pessoal do rádio convivi com todos eles nas esquinas do Maracanã, São januário, Caio Martins, Godofredo Cruz e Arisão, etc e tal

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