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Praça da Matriz: Um caso de amor não resolvido

A passagem por Miracema sempre é agradável e, principalmente, quando encontro alguém para reviver os bons tempos passados na terrinha a viagem é ainda muito mais deliciosa.O jardim e a Praça das Mães, meus points preferidos, tem sempre uma história nova, um causo novo ou um jeito diferente de contar ou ouvir as passagens dos amigos por ali, quando é sobre o Rink o coração bate mais forte e fica difícil segurar a emoção.

Desde o seu Ademar Barbosa, citado em coluna anterior, passando pelo Sabiá, jardineiro feliz e abençoado, pelo Nicanor, Mocinho e Jorge Ripada, os homens da sonorização e também já citados em colunas diversas, até o pipoqueiro Tarciso, ainda em pé e com um sorriso de felicidade no rosto, as histórias e os causos deste lugar sagrado fazem parte de meus contos, textos ou crônicas.

Já disse aqui que minha terra tem palmeiras, tudo bem os sabiás não cantam por ali, mas pertinho delas tem o jardineiro Sabiá, que não canta mas encanta, já narrei aqui as grandes peladas da quadra de esportes, que já foi desmontada e levantada por algumas vezes e continua até hoje sendo berço dos garotos que sonham em um dia ser um Fenômeno da vida futeboleira, mas já ouvi que ali estão nascendo alguns Freds, o porque eu não sei explicar.

Nem sei se ainda restam motivos, motivações não faltam, para mais um texto sobre o lugar, dito sagrado por este escriba amante da Praça das Mães e do nosso jardim, já felei da jambeira, do viveiro, dos causos dos grandes personagens, que me confidenciaram suas histórias em algum banco da praça ou nas muretas que cortam o entorno do lugar, já falei dos jogadores de bola de gude e do finco, onde o Mundinho Padilha sempre foi campeão.

Já contei os causos do Paraoquena ou do Raul Juquitinha, um corredor assustador e o outro romântico e pseudo cantor, mas nenhum dos dois faziam mal a ninguém apesar da turma temer o famoso Paraoquena, que só corria quando perturbado em sua mente também perturbada.

Bem meus amigos e leitores, enrolei bastante pensando que fosse encontrar um novo tema para um novo texto, mas lego engano, não há novidades e a memória não encontrou nada além do que já postei por aqui, mas falar do Jardim de Miracema me faz um bem danado e me traz maravilhosas recordações da infância, juventude e adolescência.

Quem foi o garoto, da minha geração, que não passou pelo Jardim de Infância Clarinda Damasceno? Quem foi um dos que jamais jogaram um "racha" no Rink? Será que algum garoto, daquelas bandas ou até mesmo de lugares mais distantes, não brincou de pique e escondeu-se no coreto da Praça da Matriz?

Duvido muito. Todos nós, miracemenses ou amigos de Miracema, temos um caso de amor com este lugar, repito, sagrado, maravilhoso e amado por dez entre dez amigos da Santa Terrinha.

Comentários

Unknown disse…
Amei meu amigo Tenho muitas saudades desse jardim obtigada por me levar a sonhar e recordade

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