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Uma ilha chamada Londres



Sair de Paris foi difícil, a cidade respira cultura, tradição, moda e deixar a capital dos franceses logo em uma manhã de domingo não foi bem recebida por todos, mas assim estava no programa e lá formos nós rumo a Callais, norte da França, para atravessar o Canal da Mancha até o estreito de Dover, na Inglaterra, segunda etapa de nossa viagem pela Europa.


Não contei, no primeiro texto,  o entrevero com a nossa guia, Beatriz, no Museu do Louvre, em Paris, para defender os que não seguiriam para Versalles e foram deixados no local e receberam a informação: “Vocês ficam por aqui e se virem para chegar ao hotel”. Não gostei, falei o que pensei e fui defendido por muitos dentro do ônibus, mas não valeu nada, os amigos ficaram no meio do caminho.


Bem, aí veio o troco da nossa guia. Na fronteira, antes de pegar o navio que nos levaria até a Inglaterra, tem a Polícia Federal Inglesa com sua arrogância e exigência para nos dar o visto de entrada naquele país, aliás o único que faz tantas exigências.


Tive problemas com a policial que me entrevistou, que queria saber até a cor de minha cueca, mas permaneci calmo, apesar de estar tenso demais, afinal não estava no meu programa ficar esperando o grupo no lado francês enquanto eles curtiam Londres.


Bia, a nossa guia, se meteu no papo e sentiu que estava me perdendo com meu horrível inglês, e traduziu todas as minhas respostas, e de Marina, e lá fomos nós, com o passaporte carimbado, visitar a capital dos ingleses.


O frio, a altura já era maior, cinco graus e um vento diferente da França, que queimava o rosto e deixava minha orelha mais gelada do que picolé do Abdo. Qual era o melhor programa londrino? 


Na opinião de todos o passeio pela roda gigante mais famosa do mundo, a London Eye, mas este escriba queria mesmo era conhecer um pub inglês, sorver uma cerveja e comer um tira-gosto típico dos vermelhos cidadãos ingleses. 


Ainda bem que ambos os programas estavam no roteiro e pudemos conciliar os gostos das madames, que queriam ir as compras na Harrods, a mais badalada da cidade. No pub a cerveja foi aprovada e o ambiente foi comprovadamente o de um tradicional recinto cervejeiro internacional. Mulheres elegantes, homens feios, muita conversa, fumaça de cigarros e cheiro de carne no ar.


E alguém aí pensa que eu subi a London Eye no dia seguinte, pela manhã? Acertou quem disse que não. Não tenho medo de avião ou de velocidade na estrada, mas ficar a 135 metros de altura, andando lentamente sob o Rio Tamisa e arredores de Londres, e esperar por 45 minutos  para voltar a terra firme só com muito Rivotril, e como pretendia experimentar outras cervejas dos ingleses fiquei no solo esperando Marina e o grupo voltarem da aventura. 


Como toda criança brasileira, que acredita que a monarquia é luxo e riqueza, sonhava em assistir a “Troca da Guarda” no Palácio de Buckinghan, onde mora a Rainha Elizabeth, seus filhos, neto e uma imensa corte que serve os donos do poder na Inglaterra. Vi a banda marcial da Rainha entrar imponente e tocando dobrados já conhecidos por mim. 


Vi os sisudos soldados da Rainha marcharem e, dizem alguns, que até o Príncipe Harris, filho de Charles e Diana, estava por lá. Não vi, mas creio no Antonio e na Fátima que disseram ter visto o novo solteiro mais cobiçado do reino.


Foram mais três dias andando pelas ruas de Londres, como ricos fossemos e, sem surpresa alguma, esbarrávamos a cada momento com um brasileiro pelas calçadas lotadas da Trafalgar Square ou da Picadilly Circus em busca de compras e fotos que marcam suas presenças da sisuda, mas simpática, cidade de Londres.

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